A monotonia alimentar e as consequências para a saúde do idoso

Do mesmo modo que nossos pais se preocuparam com nossa alimentação em nossa infância, devemos nos atentar para com a deles na velhice!

O idoso é um inapetente per si, quer seja por redução da atividade digestiva, ou reduções sensitivas do olfato e paladar, ou por informações ou interpretações imprecisas quanto ao que aumenta as taxas de gorduras, açucares, ou proteínas, por gostos pessoais ou até mesmo por manias alimentares de toda uma vida, o comum é que o idoso se alimente de forma repetitiva, monótona e quase sempre pouco correta.

Alimentar-se, comer, e nutrir-se são verbos próximos mas não sinônimos sob o ponto de vista médico!

Um idoso que acorda toma um café da manhã com pão com manteiga, e leite, almoça e janta arroz com feijão, peixe ou frango todos os dias, se alimenta, come, porem só se nutre parcialmente, pois, repete e varia muito pouco seus alimentos. De outra forma o organismo quando exposto seqüencialmente aos mesmos nutrientes, reduz os níveis de absorção, como uma recusa seletiva, para não se intoxicar pelo excesso dele!

Monótono repetitivo o ato de nutrir-se, torna-se penoso punitivo,perde a motivação, perde a graça, levando a um crônico sub interesse!!

Frutas, legumes e verduras frescas.. líquidos, freqüentes e intercalados na rotina alimentar do idoso, tendo o gosto, e as preferências do interessado como prioridade, mas insistindo na introdução de alimentos carentes e raros, principalmente os funcionais!

Os alimentos funcionais, que são aqueles que alem de alimentar e nutrir com eficácia, tem também a função de coadjuvar o tratamento ou prevenir algumas doenças, como, o vinho tinto seco, na proteção cardiovascular, o chocolate, para a mesma condição, a quinua, na saciedade alimentar, nas dietas de emagrecimento, a soja nas carências hormonais femininas, a granola, a linhaça, o gergelim, os peixes ricos em Omega 3, como, o salmão, a sardinha, a tainha entre outros, os vegetais fibrosos e o iogurte, para função intestinal, enfim um sem numero de alimentos que podem e devem ser testados e gradualmente inseridos nas dietas dos mais antigos e porque não dizer na dieta de toda família!

Nem todos os alimentos são de fácil inclusão ou exclusão na dieta regular, pois, situações de saúde como a disbiose, a intolerância a lactose e alergia ao glúten, entre outros interferem muito na digestão e absorção dos alimentos, levando a desnutrição ou subnutrição de quem já vem fragilizado pela idade! Outra variante a ser levada em conta é a presença de agrotóxicos nos alimentos o que leva a um quadro de toxidade celular contínua, com alteração no DNA e modificação de função celular!

A permuta por produtos orgânicos e naturalmente cultivados pode ser agente neutralizador desta agressão!

Distúrbios psíquicos e neurológicos como a depressão, esquizofrenia, psicoses, manias, Parkinson, Alzheimer, entre outras interferem e interagem muito no padrão alimentar dos mais velhos, e devem ser objeto de supervisão constante por parte dos cuidadores e familiares!

A solução para esses males parece ser um trabalho multidisciplinar associando profissionais de nutrição, psicólogos, médicos, com motivação continua, e inclusão não forçada de tudo aquilo que for palatável e agradável ao geronte, dando inclusive mais de uma opção de escolha ao idoso quando possível! Finalmente como sempre primar pelo bom senso, evitando alterações dramáticas em hábitos tão solidamente arraigados!

 


Fonte: Tribuna do Norte 07/02/2010