Adultos que comem como crianças tem distúrbio alimentar

Na hora das refeições, seu filho faz careta e se recusa a comer legumes, verduras e alguns tipos de frutas? E você, também? Se o seu paladar é tão “fresco” quanto o do seu filho (e se resume a comer batata-frita, sorvete e massas), você pode ter um distúrbio alimentar chamado de paladar infantil.

Pesquisadores do Centro de Distúrbios da Alimentação da Universidade Duke, nos Estados Unidos, desenvolveram um estudo para saber o que faz um adulto ser “picky eater” – uma pessoa que escolhe demais os alimentos antes de comê-los.

Veja também nosso artigo: Frescura para comer é distúrbio alimentar igual a anorexia

Os médicos pensavam que apenas crianças eram “picky eaters” e que elas iriam crescer e se livrar do problema. Agora, porém, a pesquisa deve classificar pela primeira vez uma doença chamada de “alimentação seletiva”, que poderia se aplicar a adultos e crianças.

Pessoas que se alimentam como crianças tem um distúrbio alimentarAo contrário de pessoas com anorexia ou bulimia, os “picky eaters” não parecem fazer escolhas alimentares baseados na quantidade de calorias. Eles não são necessariamente magros ou obcecados com a forma do corpo.

Os pesquisadores não sabem ainda o que impulsiona o comportamento, mas eles dizem que as texturas e o cheiro podem explicar a dieta limitada. Alguns só comem alimentos com uma textura consistente e um tipo de cor e sabor. Para Bianca M. Chimenti Naves, nutricionista da Clínica BKNR, “as pessoas apresentam memórias e sensações positivas e prazerosas com a prática desta alimentação, associada às recordações da infância e adolescência”.

A alimentação dos “picky eaters” é tão limitada que pode interferir nos relacionamentos sociais e profissionais, pois eles passam a recusar convites para jantar com os amigos ou jantares e almoços profissionais.

O problema é que o distúrbio pode afetar toda a família, uma vez que os pais evitam comer alimentos saudáveis e os filhos se espelham neles para fazer suas refeições. “A longo prazo, pode ocasionar uma possível desnutrição. Além disso, uma alimentação pobre em vitaminas, minerais e fibras e rica em gorduras e açúcares, contribui para o desenvolvimento da obesidade e de doenças cardiovasculares”, diz a nutricionista.


Fonte: revistacrescer.globo.com, Raquel Temistocles,

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