Alzheimer, mesmo em fase avançada pacientes indentificam emoções

De acordo com o coordenador do Centro para Alzheimer do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Jerson Laks, não é possível afirmar, ao certo, o motivo pelo qual os portadores de Alzheimer se esquecem dos fatos, mas continuam com as sensações inerentes a eles.

Porém, diz que há uma hipótese bastante plausível.

– Na criança, quando o cérebro começa a se desenvolver, a primeira coisa que aparece é a memória emocional, processada na amígdala cerebral. Depois é que vem a parte cognitiva, processada em outra parte, o hipocampo. Na hora da involução, do mesmo modo, é possível que o comprometimento inicial seja do hipocampo, ficando ainda um traço do emocional – afirma.

Segundo Laks, muitas vezes acontece de as pessoas acharem que podem falar qualquer coisa na frente de um portador de Alzheimer, com a certeza de que ele não vai entender.

– Eles podem não se lembrar, mas fica o impacto emocional. É possível verificar isso, por exemplo, observando que eles ficam agitados – diz.

O médico explica que, mesmo na fase mais grave da doença, quando o paciente parece completamente afastado da realidade, o modo de falar interfere.

– Ele não entende o que é dito, mas consegue entender a entonação da voz – explica.

O autor da pesquisa conta que a dissociação entre emoção e memória em pacientes com amnésia data de 1911, quando o neurologista suíço Édouard Claparède escondeu um alfinete entre seus dedos enquanto apertava a mão de uma paciente. Poucos minutos depois, a mulher havia se esquecido do encontro. Porém, quando Claparède tentou apertar novamente sua mão, ela se negou. Quando perguntado o motivo, ela questionou:

– Por acaso há um alfinete escondido na sua mão?

Apesar da resposta, Claparède alertou que a paciente deixou claro que não se lembrava de ter se ferido com um alfinete. Segundo o neurologista Justin S. Feinstein, contudo, experimentos como o do médico suíço tratam da resposta condicionada a um estímulo, ou seja, um reflexo natural. Já a pesquisa da Universidade de Iowa procurou estudar que a emoção decorrente de um fato persiste mesmo quando o evento que a induziu foi esquecido.

Com o resultado, ele espera que os cuidadores se conscientizem da necessidade de tratar bem os portadores de Alzheimer, independentemente de eles esquecerem dos fatos em questão de segundos.

– A pesquisa forneceu claras evidências de que tratar com respeito e dignidade os pacientes que sofrem de amnésia é mais do que uma simples questão moral – afirma Feinstein.

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