Bipolar, transtorno que já foi denominado psicose maníaco-depressiva

O transtorno bipolar do humor é caracterizado por oscilações ou mudanças cíclicas de humor. Estas mudanças vão desde oscilações normais, como nos estados de alegria e tristeza, até mudanças patológicas acentuadas e diferentes do normal, como episódios de mania, depressão, etc..

É uma doença de grande impacto na vida do paciente, de sua família e sociedade, causando prejuízos freqüentemente irreparáveis em vários setores da vida do indivíduo, como nas finanças, saúde, reputação, além do sofrimento psicológico. É relativamente comum, acometendo aproximadamente 1,6% da população, manifestando-se igualmente em mulheres e homens. Como é de difícil diagnóstico reconhece-se que esse número pode estar subestimado

Causas do transtorno bipolar

As causas do transtorno bipolar não são inteiramente conhecidas Sabe-se que os fatores biológicos (relativos a neurotransmissores cerebrais), genéticos, sociais e psicológicos somam-se no desencadeamento da doença. Em geral, os fatores genéticos e biológicos podem determinar como o indivíduo reage aos estressores psicológicos e sociais, mantendo a normalidade ou desencadeando doença. O transtorno bipolar do humor tem uma importante característica genética, de modo que a tendência familiar à doença costuma ser observada em 80 a 90% dos casos.

Manifestações do transtorno bipolar

O transtorno bipolar pode começar a se manifestar na infância geralmente apresentando sintomas como irritabilidade intensa, impulsividade, etc.. Um terço dos indivíduos manifestará a doença na adolescência e quase dois terços, até os 19 anos de idade, com muitos casos de mulheres podendo ter início entre os 45 e 50 anos. Raramente começa acima dos 50 anos, e quando isso acontece, é importante investigar outras causas.

Ó paciente acometido por transtorno bipolar pode passar por três fases distintas: a mania (fase eufórica), a hipomania e a depressão. Não existe uma alternância obrigatória entre elas e inclusive pacientes podem nunca ter passado por uma fases.

A mania (fase eufórica) no transtorno bipolar

Três ou mais sintomas aqui relacionados devem estar presentes por, no mínimo, uma semana. Quando não tratada pode durar meses. A mania pode trazer sérios problemas pessoais e profissionais ao paciente, podendo chegar a exigir até mesmo a hospitalização.

  • Humor excessivamente animado, exaltado, eufórico, alegria exagerada e duradoura;
  • Extrema irritabilidade, impaciência ou “pavio muito curto”;
  • Agitação, inquietação física e mental;
  • Aumento de energia, da atividade, começando muitas coisas ao mesmo tempo sem conseguir terminá-las;
  • Otimismo e confiança exageradas;
  • Pouca capacidade de julgamento, incapacidade de discernir;
  • Crenças irreais sobre as próprias capacidades ou poderes, acreditando possuir muitos dons ou poderes especiais;
  • Idéias grandiosas;
  • Pensamentos acelerados, fala muito rápida, pulando de uma idéia para outra,tagarelice;
  • Facilidade em se distrair, incapacidade de se concentrar;
  • Comportamento inadequado, provocador, intrometido, agressivo ou de risco;
  • Gastos excessivos;
  • Desinibição, aumento do contato social, expansividade;
  • Aumento do impulso sexual;
  • Agressividade física e/ou verbal;
  • Insônia e pouca necessidade de sono;
  • Uso de drogas, em especial cocaína, álcool e soníferos.

 

A hipomania no transtorno bipolar

A hipomania é um estado de mania (fase eufórica) mais leve que não compromete tanto a capacidade de funcionamento do paciente. Geralmente, passa despercebida por ser confundida com estados normais.

  • Humor melancólico, depressivo;
  • Perda de interesse ou prazer em atividades habitualmente interessantes;
  • Sentimentos de tristeza, vazio, ou aparência chorosa/melancólica;
  • Inquietação ou irritabilidade;
  • Perda ou aumento de apetite/peso, mesmo sem estar de dieta;
  • Excesso de sono ou incapacidade de dormir;
  • Sentir-se ou estar agitado demais ou excessivamente devagar (lentidão);
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Sentimentos de falta de esperança, culpa excessiva ou pessimismo;
  • Dificuldade de concentração, de se lembrar das coisas ou de tomar decisões;
  • Pensamentos de morte ou suicídio, planejamento ou tentativas de suicídio;
  • Dores ou outros sintomas corporais persistentes, não provocados por doenças ou lesões físicas.

A depressão no transtorno bipolar

É de certa forma o oposto da fase maníaca, o humor está depressivo, a auto-estima em baixa com sentimentos de inferioridade, a capacidade física esta comprometida, pois a sensação de cansaço é constante. As idéias fluem com lentidão e dificuldade, a atenção é difícil de ser mantida e o interesse pelas coisas em geral é perdido bem como o prazer na realização daquilo que antes era agradável. Nessa fase o sono também está diminuído, mas ao contrário da fase maníaca, não é um sono que satisfaça ou descanse, uma vez que o paciente acorda indisposto. Quando não tratada a fase maníaca pode durar meses.

 

Normalmente o transtorno bipolar manifesta-se de três formas, além de episódios nítidos de mania, hipomania e depressão:

  • a hipomania, que é um estado eufórico mais leve, mas não grave o suficiente para causar prejuízos pessoais ou profissionais;
  • episódios mistos, quando em um mesmo dia há a alternância entre depressão e mania. Em poucas horas o paciente troca de estados de tristeza, choro, falta de esperança para euforia, irritação e agitação;
  • transtorno ciclotímico, ou ciclotimia, uma alteração crônica e flutuante do humor, marcada por numerosos períodos com sintomas maníacos e numerosos períodos com sintomas depressivos, que se alternariam. Tais sintomas depressivos e maníacos não seriam suficientemente graves nem ocorreriam em quantidade suficiente para se ter certeza de se tratar de depressão e de mania, respectivamente. Seria, portanto, facilmente confundida com o jeito de ser da pessoa, marcada por instabilidade do humor.

A vida de uma pessoa com transtorno bipolar

Entre uma fase e outra a pessoa pode ser normal, tendo uma vida como outra pessoa qualquer; outras pessoas podem apresentar leves sintomas entre as fases, não alcançando uma recuperação plena. Há também os pacientes, uma minoria, que não se recuperam, tornando-se incapazes de levar uma vida normal e independente.

O paciente de transtorno bipolar, se mal diagnosticado ou submetido a tratamentos incorretos, pode desfazer todo o seu patrimônio em incríveis três semanas, trabalhar por dias seguidos sem se cansar ou, no outro extremo, ficar impossibilitado de trabalhar, parar de comer por dias e dias, não tomar banho por semanas, não falar com absolutamente ninguém, chorar até cansar e pode cometer suicídio.

Tratamento do transtorno bipolar

O lítio (carbonato de lítio) é a medicação de primeira escolha, mas não é necessariamente a melhor para todos os casos. Freqüentemente é necessário acrescentar os anticonvulsivantes como o tegretol, o trileptal, o depakene, o depakote, o topamax.

Um acompanhamento psiquiátrico também deve ser mantido mesmo sem manifestações do transtorno bipolar.

Algumas pessoas famosas que hoje provavelmente seriam diagnosticadas com transtorno bipolar

Embora não se possa ter certeza absoluta, pelos fato delas já estarem mortas e pela própria dificuldade de identificar uma pessoa que sofra de transtorno bipolar acredita-se que Faulkner, Hemingway, Virginia Woolf, Tolstoy, Graham Greene, Van Gogh e Mozart sofriam de transtorno bipolar.

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