Brasil, o país das academias, vê elas oferecendo novas atividades

O Brasil é conhecido como o país do samba e do futebol. Mas pelo visto também é a terra das academias. Somos o segundo país do mundo em academias – em primeiro estão os EUA com 30 mil estabelecimentos. O número dobrou de 2007 para cá, passando de cerca de 7 mil para exatos 14.016. Os dados estão em estudo que será apresentado esta semana na Conferência Latino-Americana da Associação Americana de Clubes de Saúde (IHRSA), organizada pelo Instituto Fitness Brasil, em São Paulo. Por trás desses números há mais do que apenas vaidade, dizem especialistas em atividade física. Hoje é a busca por melhor qualidade de vida que leva cada vez mais gente – em especial, pessoas com mais de 60 anos – para as academias.

A receita convencional de musculação, ginástica localizada e alongamento não reina mais absoluta. Ganham espaço a cada ano técnicas que exploram movimentos do dia-a-dia, os chamados treinamentos funcionais, que incluem programas com pilates, ioga e dança, por exemplo.

Sustentabilidade até no corpo

– O culto à forma física tornou-se um gueto dentro de uma proposta muito maior, já chamada de revolução do bem-estar – diz Waldyr Soares, presidente do Fitness Brasil. – Trata-se de um conceito que transcende o espaço da academia. Não adianta falarmos em sustentabilidade se não levarmos este conceito ao nosso próprio corpo.

A aposta em novas atividades aumentou o número de atletas. Até a década passada, a faixa etária predominante nas academias ia dos 20 aos 40 anos.

Hoje, existem atividades para crianças a partir dos 12 anos, além de turmas dedicadas a quem passou dos 60.

A expansão das academias deve muito à ciência. Uma série crescente de estudos aponta a atividade física como fundamental para a prevenção de doenças cardiovasculares e metabólicas – diabetes e obesidade, entre outras. Os estudos, já referendados pela comunidade médica, tiveram o impacto até no currículo de profissionais de educação física.

– Antes formávamos técnicos que, no máximo, atuariam com ginástica e musculação – lembra Marcelo Costa, vice-presidente do Conselho Regional de Educação Física. – Hoje, os alunos têm aulas de educação física terapêutica, recuperação muscular para pessoas lesionadas e políticas públicas de saúde. Somos qualificados para trabalhar com equipes multidisciplinares, inclusive dentro de hospitais.

Para reforçar a interação com outras áreas, a Associação Brasileira de Academias (Acad) vai lançar, ainda este ano, uma campanha contrária ao uso de suplementos alimentares, ainda muito recomendados por instrutores.

– O uso dessas substâncias é dispensável para a maioria das pessoas. Basta manter uma alimentação balanceada – pondera Cláudio José de Albuquerque, presidente da Acad. – O atleta com limitação renal ou hepática, por exemplo, pode ter alguma complicação se insistir em tomar suplementos por conta própria.

A campanha da Acad é um golpe no conceito da academia como “fábrica de sarados”. A associação também recomenda a seus filiados manter espaços amplos, sem aparelhos, em suas salas de musculação. Seria um local adequado para atividades que trabalhem com outros conceitos, como, por exemplo, fazer abdominal em cima de um bola – um instrumento que complementa o exercício, por testar a capacidade de equilíbrio do aluno.

Como a musculação já é velha conhecida de quem frequenta academias, a ordem, agora, é completá-la com treinamento funcional.

– É a última tendência do mercado, por apostar na reprodução de movimentos feitos no dia-a-dia – ressalta André Leta, diretor-técnico da rede de academias Proforma. – São exercícios que nos dão segurança e condicionamento para diversas atividades, como pôr e retirar as compras do carro, ou propiciar que um idoso consiga entrar no ônibus sem cair.

Além do investimento em outros públicos com novas atividades, a Acad credita o crescimento do setor ao aumento da classe C, antes pouco representada nas academias.


Fonte: O Globo

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