Cabeça de gordo: quando o pensamento atrapalha a emagrecer

A expressão “cabeça de gordo” pode soar estranha, mas se refere a pelo menos um dos inúmeros fatores responsáveis pela obesidade: as emoções. Sim, de acordo com especialistas, sua cabeça mais do que o estômago pode boicotar as suas tentativas de emagrecimento e pesar na balança. Isso ocorre quando o estado emocional passa a ser dependente da comida. Aí, a alimentação deixa de ser uma forma de sobrevivência para se tornar uma fonte de prazer.

De acordo com a psicóloga Silvana Martani, especialista em obesidade da clínica de endocrinologia do Hospital Beneficência Portuguesa, não há nada errado em sentir-se bem depois de devorar uma guloseima – como se quisesse descontar todas as suas angústias naquela mordida. O problema começa quando essas reações passam a ser a única fonte de prazer. Nesse caso, um prato de comida é colocado como prioridade máxima e a pessoa passa a se desencantar por outros prazeres, em outras áreas da sua vida. “Até mesmo o sexo pode ser deixado de lado”, garante a especialista.

Ninguém ficará mais gordo simplesmente poralguma carência emocional. Porém, é impossível negar como o excesso de peso pode mexer com as emoções. “Os obesos têm mais tendência a comportamentos depressivos, pois há umadiscriminação social”, afirma José Carlos Pareja, gastroenterologista e Diretor do CCOC (Centro de Cirurgia daObesidade de Campinas). Não é à toa que, segundo Pareja, a equipe médica para combater os quilos a mais – e suasconseqüências para a saúde – deve sermultidisciplinar. Isso inclui o trabalho denutricionistas, educadores físicos, endocrinologistas, cirurgiões gástricos (em alguns casos) e, é claro, psicólogo ou psiquiatra. Para o médico, comoa frustração, a ansiedade e a baixa auto-estima podem ser descontadas na comida, se não houver um acompanhamento psicológico, serão maiores as chances do retorno do peso perdido.

A sutil separação entre corpo e mente

Uma das maiores provas da ligação entre os sentimentos e a obesidade é quando o obeso passa por uma redução drástica do peso. Em muitos casos, a mente não acompanha as mudanças do corpo. “Quem sempre foi gordotem dificuldade de esquecer as formas antigas. Por isso, é comum, mesmo depois de uma cirurgia de redução de estômago, uma pessoa ter a impressão de que não vai passar por umadeterminada porta ou que não háespaço suficiente em um assento”, explica Pareja. Trata-se do paciente queo gastroenterologista classifica como “gordo emagrecido”. “A cabeçacontinua gorda, porque a pessoa mantém os mesmos hábitos – inclusive os alimentares – anteriores à perda de peso”, define.

Será que você tem a “cabeça de gordo”?

 O que a psicólogaSilvana Martani chama de “comprometimento emocional com a comida” pode ser detectado por algumas atitudes. Veja se você vive as situações abaixo e descubra se os seus pensamentos estão deixando a balança mais pesada:

 – Só sente prazerextremo, um êxtase, quando come. E não consegue nomear outrasatividades que provoquem satisfação elevada; – Não prioriza a qualidade dos alimentos;
– Não come verduras, legumes e frutas;
– Come escondido, fora dos horários das refeições;
 – O hábito alimentar inadequado muitas vezes foi herdado da família ou foi desencadeado porproblemas pessoais e profissionais, que resultam em perda da auto-estima e, em casos avançados, pode levar à depressão;
– Acha que sem os quilos extras a sua vida mudaria totalmente. O correto era pensar que se mudasse de vida, aí conseguiria perder esses quilos;
– Quer ser“emagrecido”, sem esforço, e aindaresponsabiliza somente os alimentos e os médicos pelo fracasso na dieta. Nunca assumi a culpa.

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