Cerveja contra stress pode resultar em alcoolismo

Pressão no trabalho: metas a abater, fazer mais com menos, indiretas do superior, cotas de produto a vender… O aumento da pressão por melhores resultados no ambiente do trabalho vem aumentando a quantidade de trabalhadores com stress nas empresas. E aí a boa e velha cervejinha ao final do dia para combater o stress parece muito atraente ! Só que por trás desse alívio temporário ao stress esconde-se uma perigosa união que pode levar ao alcoolismo, já que a pessoa, ao ter suas reações psíquicas e fisiológicas alteradas pelo stress, pode acabar bebendo além da conta e frequentemente.

Uma pesquisa da Universidade de Chicago, que será publicada na edição de outubro da revista científica Alcoholism: Clinical & Experimental Research, indica que a relação entre álcool e estresse é intensa e bidirecional: tanto o estresse pode estimular o aumento de consumo de álcool, como o álcool expõe quem o consume ao risco de desenvolver distúrbios permanentes de stress.

O estudo norte-americano submeteu 25 homens saudáveis, entre 18 e 32 anos, a duas tarefas: uma estressante e outra livre de estresse. Após cada atividade, os participantes recebiam uma dose de álcool por via intravenosa, equivalente a dois drinques. A reação variou de um indivíduo para outro. Nos participantes em que o álcool normalmente exercia um efeito estimulante, a presença do estresse diminuiu esse estímulo e aumentou a sensação de sedação.

Efeitos do stress: o álcool expõe quem o consume ao risco de desenvolver distúrbios permanentes de stress

Já nos homens que relataram não sentir estimulação por meio do álcool, o estresse diminuiu a sedação e aumentou a vontade de ingerir mais álcool. Em todos os participantes, o álcool injetado logo depois da situação estressante bloqueou o aumento do hormônio cortisol, fator diretamente relacionado ao estresse.

As reações químicas que estão por trás desse estudo sãos seguintes: o álcool diminui a produção hormonal (cortisol) ao stress, mas prolonga a sensação. O stress, por si só não é ruim – na verdade é um aprimoramento do nosso corpo que o torna mais capaz de reagir a eventos adversos – o problema é o que o causa e quanto tempo ficamos com ele. O álcool, ao alterar o modo como o corpo lida com o stress, pode nos levar a desenvolver doenças relacionadas a ele. Por outro lado, o stress ao modificar a forma como nosso organismo nos faz sentir com o  álcool, pode nos levar a consumir mais o que é um atalho para o alcoolismo.

Tanto o uso de álcool quanto de drogas para amenizar o stress é uma forma de não enfrentar os problemas, de contorná-los, de fugir deles. Pessoas com stress muitas vezes usam o álcool como um remédio para diminuir a ansiedade. Mas quando o consumo se torna excessivo, a pessoa pode acabar depressiva e se tornar um dependente químico.


Fonte: Jornal da Tarde, Mariana Lenharo, 24/07/2011

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