Cirurgias plásticas em excesso pode ser doença, a dismorfofobia

Buscar a correção de fatores estéticos e marcas do tempo através de uma cirurgia plástica é normal. No entanto, quando a pessoa começa a querer fazer uma cirurgia plástica atrás da outra e nunca estar feliz com a aparência pode ser sinal de uma doença mental, a dismorfofobia – chamada pelos especialistas de transtorno dismórfico corporal.

 

A dismorfobia atinge cerca de 14% das pessoas que já fizeram ou pensam em fazer alguma cirurgia plástica, segundo pesquisa feita na Universidade de São Paulo com 350 pessoas.

Quem tem dismorfofobia se percebe mais feio do que é. O problema também é conhecido como síndrome de Quasímodo (uma referência ao personagem de Victor Hugo). Todo mundo tem momentos de baixa autoestima. Mas, para a “feiúra imaginária” se tornar um transtorno, o incômodo tem de ir muito além de reclamações sobre o formato do nariz.

“A pessoa se vê deformada no espelho. Se na anorexia ela se vê gorda, no transtorno dismórfico ela enxerga uma imagem errada. Isso a incomoda muito”, afirma a psiquiatra Ana Gabriela Hounie, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria.

A personalidade mundial mais famosa que provavelmente tem dismorfofobia é a socialite americana Jocelyn Wildenstein que já fez inúmeras cirurgias plásticas para ficar “mais bonita”. O resultado é o da foto em baixo:

 

A dismorfofobia, que pode resultar em excessos de cirurgias plásticas, costuma levar a resultados bizarros como esse

 

Entendendo a dismorfofobia

A dismorfofobia, também denominada transtorno dismórfico corporal ou síndrome da distorção da imagem, é um transtorno psicológico caracterizado pela preocupação obsessiva com algum defeito inexistente ou mínimo na aparência física.

O diagnóstico pode ser um desafio, pois na sociedade atual os sintomas são semelhantes a uma vaidade excessiva. Uso exagerado de cosméticos para disfarçar imperfeições, cuidados exagerados com os cabelos, dietas inconsequentes, bulimia, anorexia, exercícios exagerados, uso de roupas que escondem o corpo, cirurgias plásticas em excesso são algumas das características destes pacientes.

Sua causa é bastante discutível. Pode ser gerada por uma baixa auto-estima, pode ser decorrente de uma infância deficiente de carinho e de aprovação levando a uma autocrítica destrutiva ( reflexo de crítica excessiva dos pais), de sentimentos de abandono, ou mesmo por causas orgânicas, agravados pela grande exibição de figuras humanas padronizadas pelos meios de comunicação.

A característica principal da dismorfofobia é que a opinião do paciente a respeito de sua própria aparência não é compartilhada pela opinião geral do meio em que vive. No entanto, o paciente não enxerga que ele é absolutamente normal, e insiste em sua ideação de inadequação física, resistente a argumentações.

Entre estes pacientes, figuram os principais responsáveis pela procura de cirurgiões plásticos e de dermatologistas para tratamentos estéticos, que acabam não ficando satisfeitos com tratamento algum ( uma vez que o problema está em sua própria auto-aceitação, e não no tratamento), e que acabam gerando uma série de denúncias infundadas contra estes profissionais, a quem acabam por culpar por não terem atingido a estética que idealizaram para si.

O tratamento é bastante difícil, pois grande parte dos pacientes não se aceita portador deste diagnóstico. A maioria justifica-se como sendo "vaidosa" e classifica-se positivamente quanto a cuidar da aparência. No entanto, para o paciente, a dismorfofobia é fonte de grande sofrimento e angústia com sua aparência própria.

O tratamento consiste em psicoterapia, longa e trabalhosa, e muitas vezes é necessário o uso de medicamentos para apoio dos sentimentos depressivos que acompanham o quadro.


Fonte: jornalpequeno.com.br, Juliana Alaves, 29/11/2010

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