Clínica de recuperação de drogados: o que ela faz e o que cabe ao drogado fazer

Recuperar uma pessoa das drogas não é uma tarefa fácil pois o vício é uma das doenças mais insidiosas que existem. Ao menor fraquejar, já está a pessoa de drogando novamente com cocaína, álcool ou com alguma das inúmeras outras drogas que existem. Uma clínica de recuperação de drogados pode ajudar muito no processo de recuperação mas ela não pode fazer tudo. Alguma parte depende da própria pessoa do dependente químico.

E é exatamente sobre o que cabe a clínica e o que cabe ao dependente fazer para se recuperar das drogas que falaremos nesse artigo:

Recuperação do drogado, o 1o passo: o paciente admitir a impotência face à droga

Nenhuma clínica de recuperação de drogado, por melhor que sejam seus métodos terapêuticos conseguirá realizar um tratamento de sucesso sem que o próprio paciente aceite que é impotente face às drogas. Esse talvez seja o maior motivo do fracasso de tantos tratamentos de recuperação de drogados. Sem a pessoa admitir que está gravemente doente, que não consegue resistir ao apelo das drogas,  não haverá condições de recuperação.

Uma das táticas mais usadas pelos drogados para  evitar ingressar em tratamento (ou seja assumir que é impotente) é “deixar para mais tarde ou para depois”, um adiamento indefinido que colabora para o aumento das conseqüências derivadas do consumo. A frase “Eu vou parar amanhã” significa exclusivamente que o indivíduo não tem nenhuma intenção atual de interromper o consumo.

 

Recuperação do drogado, o 2o passo: parar agora e parar com tudo

Vício em cocaína: o motivo que mais leva as pessoas a procurarem clínicas de recuperação de drogadosReduzir o consumo de drogas e álcool é uma tarefa infrutífera. Cada episódio de consumo de droga aumenta o desejo por mais e assim o processo de recuperação acaba sempre adiado. Por isso é preciso para agora com o consumo de drogas.

Um outro grande problema na recuperação do drogado é que é difícil para ele aceitar que não basta parar de consumir apenas a cocaína, por exemplo. É preciso parar com todas as outras incluindo álcool, maconha, etc.

O viciado tende a ver seu vício em apenas uma droga desprezando a participação das outras substâncias no seu padrão de consumo. O consumo de álcool ou de maconha freqüentemente representa o primeiro passo para uma recaída no consumo da própria cocaína. Além desse fato, o consumo de qualquer substância evoca as memórias do consumo da droga principal consumida, desencadeando “fissuras” intensas. Ao consumir outra droga, o indivíduo terá menor capacidade de resistir a tais “fissuras”, recorrendo ao consumo.

Sem a decisão do drogado quanto a essa passo, nenhuma clínica de recuperação de drogados conseguirá sucesso.

 

 

Recuperação do drogado, o 3o passo: a volta da auto-estima do drogado

Em geral todo drogado tem a auto estima baixíssima. Quase sempre ele já deixou de ser conhecido como pessoa e se tornou um apelidou ou um objeto: é o cheirador, o bombeiro, o nóia, o pudim de cachaça… Ele deixou de ter nome, na rua quem bebe, bebe porque é sem vergonha; quem se droga se droga por que é marginal.

Esse é um passo em que cabe a clínica de recuperação de drogado na medida em que ela tem fornecer tratamento psicológico/ psiquiátrico ao paciente para que ela possa se ver não como uma pessoa a margem da sociedade mas sim com uma pessoa gravemente doente que está em tratamento.

Também em geral é um papel da clínica de recuperação de drogados encaminhar o paciente a grupos de auto-ajuda onde ele encontrará apoio psicológico de outras pessoas que passaram pelo vício. Os "padrinhos" que adotam um novo usuário cuidam dele como se fossem um filho. A única obrigação desse "filho" é ligar para o "padrinho" quando a vontade de usar a droga começar a ser despertada. É a força da coletividade agindo sobre o indivíduo necessitado. Não há psicoterapias nem internações que garantam uma proteção tão grande e tão empenhada quanto a que esses grupos oferecem. E, se houver, pode se tornar inviável para a maioria da população, pelo seu alto custo.

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*