Câncer, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

O câncer não é uma única doença, mas um grupo de doenças muito diferentes entre si. Todas elas têm, em comum, duas coisas:

  • as células doentes crescem de maneira descontrolada e rápida;
  • essas células anormais têm a capacidade de “caminhar” pelo corpo, crescendo em órgãos distantes do seu local de origem.

Quando as células apenas crescem mais do que o normal, com células muito parecidas com as normais, sem a capacidade de “caminhar” pelo corpo, os tumores são chamados de “benignos” que, em geral, são de pouca importância clínica, pois não causam dano ao organismo. São tratados pelo cirurgião e a simples remoção cirúrgica resolve o problema.

Os tumores que além de crescerem desordenadamente, passam a invadir outros órgãos e espalham-se pelo organismo, são os chamados “malignos” ou “câncer” propriamente dito.

O câncer ocorre porque os genes de uma célula se alteraram. Abaixo veremos porque pode ocorrer essa alteração:

Causas do câncer

Várias são as causas que podem levam o aparecimento do câncer:

  • defeitos familiares de um determinado gene: quando uma família é portadora de um gene anormal, que pode passar de geração a geração, causando inúmeros casos de câncer entre seus membros. Pode ocorrer que todos os indivíduos que herdaram o gene anormal têm o mesmo tipo de câncer (por exemplo, câncer de mama, de cólon (intestino), de tireóide etc.). Em outras famílias, os tipos de câncer podem ser variados. Hoje há testes para se determinar em famílias suspeitas se existe ou não algum defeito genético que justifique cuidados especiais para os indivíduos afetados. Os casos familiares de câncer são bastante raros, talvez por volta de 5% dos casos.
  • fumo: várias substâncias presentes no fumo, além da nicotina, são altamente cancerígenos. O fumo é o responsável por aproximadamente 30% dos casos de câncer; além do de pulmão, vários outros são causados, ao menos em parte, pelo fumo: câncer de boca e garganta, de esôfago, de pâncreas, de bexiga etc.
  • produtos químicos: certos solventes orgânicos, o benzeno e as anilinas, entre vários outros, podem desencadear o câncer, justamente por causarem dano ao material genético no interior das células.
  • radiações: as radiações de vários tipos (raios-x, material radioativo, raios ultravioleta do sol etc) também podem causar dano celular que predispõe ao aparecimento de câncer. Os cânceres causados por radiações em geral se manifestam anos após o contato com a radiação.
  • infecções virais: alguns tipos de vírus estão intimamente associados ao aparecimento de determinados tipos de câncer: os vírus das hepatite B e C, por exemplo, podem ser causa de câncer do fígado quando o organismo não consegue eliminá-los após a infecção; o papilomavírus humano (HPV), freqüentemente transmitido por contato sexual, é a causa de muitos casos de câncer de colo do útero e de câncer de pênis.

Mesmo com todo estes fatores conhecidos, entretanto, a maioria dos casos de câncer não se associa a uma causa específica, mas são o resultado de um acúmulo de alterações em alguns cromossomos ao longo de décadas de vida. Por isso é mais freqüente o diagnóstico de câncer em pacientes de idade mais avançada.

Sintomas do câncer

O câncer não é uma única doença, mas um grupo de doenças. Porem, alguns sintomas que se costuma atribuir ao câncer, de maneira geral:

  • Perda de peso: em geral, os pacientes com tumores em fases iniciais apresentam pouca ou nenhuma perda de peso. O sintoma não é específico da doença e causas mais simples devem ser excluídas.
  • Tosse, falta de ar: principalmente em fumantes crônicos, deve ser investigada. Muitas outras doenças causam os mesmos sintomas: bronquites, pneumonia, asma etc.
  • Sangramento vaginal prolongado: se, após uma menstruação, a mulher continua apresentando sangramento, o câncer do colo do útero ou do endométrio devem ser pesquisados. Se a mulher na menopausa volta a sangrar, também deve procurar o ginecologista imediatamente.
  • Sangue nas fezes: qualquer adulto com sangramento nas fezes deve procurar o médico. O câncer do cólon (intestino grosso) é um dos mais comuns e é altamente curável em seus estágios iniciais.
  • Sangramento fácil: sangramentos que não estancam facilmente (nas gengivas, pelo nariz, manchas roxas na pele etc.) devem ser investigados. Existem muitas causas para estes sangramentos, mas o câncer é uma delas.
  • Nódulo ou espessamento no seio: requer atenção médica imediata. A maioria dos nódulos é benigna, mas apenas exames especializados podem fazer o diagnóstico definitivo.

 

Diagnóstico do câncer

Com raríssimas exceções, o diagnóstico do câncer é feito a partir da queixa do paciente, relacionada a alguns dos sintomas acima. O exame físico pelo médico é de suma importância: ele aponta para áreas anormais, tais como um nódulo na mama, um gânglio na axila, um endurecimento na próstata, etc.

Os exames de laboratório e de imagens (raios-x, ultrassonografia, tomografias, endoscopias etc.) podem confirmar ou não uma suspeita clínica de câncer.

O diagnóstico definitivo, entretanto, é feito por meio de uma biópsia (retirada de uma parte do tecido doente e examinado, ao microscópio, pelo patologista). O patologista usa uma série de substâncias corantes e outros métodos para confirmar ou não a suspeita clínica de câncer. Muitas vezes o patologista estuda também o grau de invasão local causada pelo tumor: além disso, analisa os gânglios linfáticos do tecido removido, para ver se os mesmos já apresentam células malignas em seu interior e os tecidos vizinhos, para verificar se houve invasão dos mesmos pelas células malignas.

A partir daí, em geral, o paciente é submetido ao chamado “estadiamento” do câncer. Quando se tem um diagnóstico de um tumor maligno, avalia-se o paciente de uma maneira muito completa, buscando pistas sobre a existência, ou não, de focos de doença longe do local do tumor primário (metástases). Cada tipo de tumor tem órgãos preferenciais para onde ele se espalha:

  • tumor de mama: metástases preferenciais para gânglios da axila, pulmão, ossos, fígado e cérebro;
  • tumor de próstata: metástase para gânglios pélvico e ossos;
  • tumor de pulmão: metástase para gânglios do tórax, ossos, glândulas supra-renais, fígado e cérebro
  • tumor de cólon (intestino grosso): metástase para gânglios intestinais e fígado

 

Tratamento do câncer

O tratamento do câncer é feito através de cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia, imunoterapia as terapias-alvo. Pode-se utilizar de apenas uma dessas técnicas ou de uma combinação delas.

Cirurgia para tratamento do câncer

A cirurgia oncológica é uma forma importante de tratamento do câncer, principalmente em se tratando de tumores sólidos (de órgãos, ao contrário dos tumores do sangue – leucemias -, chamados de “não sólidos”).

Nestes casos, o objetivo do cirurgião deve ser, quando possível, curar o paciente com um ato cirúrgico adequado e completo. É importante que o cirurgião tenha conhecimentos sólidos sobre o comportamento do tumor que está sendo operado, bem como sobre os princípios de uma operação oncológica. Muitas vezes, a cirurgia se inicia com uma biópsia da área suspeita, a qual é estudada pelo patologista já no centro cirúrgico: é a chamada “biópsia de congelação”, um método que prepara o tecido rapidamente para uma análise inicial. Confirmado o diagnóstico, passa-se a retirada (“ressecção”) do tumor propriamente dito.

Em certas ocasiões, mesmo não sendo mais possível uma cirurgia curativa em virtude da presença de metástases, o cirurgião pode ter um papel importante para diminuir os sintomas do tumor. Por exemplo, ele pode retirar um tumor que tenha obstruído o estômago, ou pelo menos desviar o trânsito alimentar da área obstruída, a fim de permitir que o paciente continue se alimentando; estancar uma hemorragia que esteja sendo causada por um tumor; seccionar nervos da área tomada pelo tumor, diminuindo as dores que o paciente venha a sentir; desviar as vias biliares obstruídas por tumor, e assim por diante.

Finalmente, o cirurgião pode ter papel fundamental em restabelecer a saúde plena do paciente com câncer ao reconstruir, através da cirurgia reparadora, danos e mutilações causados pela cirurgia inicial. Assim, o cirurgião pode reconstruir uma mama após a mastectomia, pode colocar uma prótese peniana após uma cirurgia radical de próstata, pode reconstruir uma face mutilada por cirurgia para câncer desta área etc.

Qumioterapia

É o tratamento do câncer por meio do uso de produtos químicos. A quimioterapia moderna teve início durante a Segunda Guerra Mundial, quando se descobriu que certos produtos usados em armas químicas eram tóxicos para células de crescimento rápido, como as células malignas.

Nos últimos 50 anos, esta foi uma das áreas mais pesquisadas da medicina, e hoje contamos com dezenas de produtos para o tratamento do câncer. Algumas são usadas por via oral, outras por via intramuscular, mas a maioria é usada através de injeções endovenosas, junto com um soro.

Radioterapia

É uma modalidade de tratamento do câncer que utiliza radiações de alta energia para matar células malignas. As radiações causam uma série de alterações bioquímicas nas células, sendo que as células malignas, ao contrário das células normais, não dispõem de mecanismos para corrigir estes danos e acabam morrendo. Já as células normais conseguem resistir às doses normalmente usadas para tratar tumores, recuperando-se após o término do tratamento.

Assim como a cirurgia, a radioterapia é usada para tratamento de tumores localizados, uma vez que só funciona na área que está recebendo a radiação. Freqüentemente é usada em associação com a quimioterapia e a cirurgia, e pelo menos metade dos pacientes com câncer recebe radioterapia ao longo de seu tratamento.

Pode ser feita através de uma fonte externa de radiação (teleterapia) ou de implantes de material radioativa no corpo do paciente (braquiterapia).

Hornonioterapia

A hormonioterapia consiste na administração de hormônios com proteínas semelhantes a determinados hormônios, e que têm por função interferir com o crescimento de tumores que são estimulados por hormônios naturais. Por exemplo, aproximadamente 70% dos casos de câncer de mama têm nas células tumorais determinados receptores que são estimulados por estrógeno. Quando o estrógeno estimula estas células, o tumor prolifera de maneira mais rápida. Quando administramos hormônios que interferem com a ligação do estrógeno com estes receptores, inibimos o estímulo do estrógeno e o tumor deixa de crescer.

Outro exemplo é o câncer de próstata, cujo crescimento é estimulado pela testosterona. Quando utilizamos hormônios que bloqueiam a produção de testosterona, cai a quantidade de testosterona que circula no sangue, e consequentemente o tumor deixa de ser estimulado e deixa de crescer. O benefício da terapia hormonal em uma alta porcentagem de pacientes com câncer de mama e na quase totalidade dos pacientes com câncer de próstata é extraordinário. Assim como quimioterápicos, os hormônios podem ser utilizados em neo-adjuvância, na adjuvância e na doença metastática.

Imunoterapia

A imunoterapia como tratamento de determinados tipos de câncer vem sendo usada há décadas. O princípio é o da estimulação do sistema imunológico para que este reconheça o tumor como algo a ser combatido por mecanismos imunes. Alguns exemplos do uso da imunoterapia na prática clínica anti-tumoral são: infusão de BCG (bacilo Calmet-Guerin) na bexiga, que causa inflamação significativa na bexiga que contém o tumor, atraindo células responsáveis por combater proteínas anormais. Tumores superficiais de bexiga podem ser controlados temporariamente com este tratamento, possivelmente evitando cirurgias. Um outro exemplo de imunoterapia é o próprio transplante de medula chamado de alogênico (ver capítulo específico), isto é, de um doador para um receptor (e não do paciente para si mesmo, que seria transplante autólogo). Os linfócitos do doador têm por função combater a leucemia ou linfoma no corpo do receptor (paciente).

Terapias-alvo

Valendo-se de propriedades das células tumorais, cujo crescimento exacerbado é conseqüência da presença exagerada ou da atividade exagerada de determinadas proteínas de crescimento, alvejar estas proteínas pode diminuir o estímulo de crescimento do tumor.

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