Câncer de intestino, sintomas, diagnóstico e tratamento

Nosso intestino pode ser dividido em várias partes. Uma delas é o cólon, nome dado ao intestino grosso, que tem o gormato de uma ferradura.

O câncer de intestino, ou câncer de cólon, é bastante comum no Brasil, afetando preferencialmente pessoas com mais de 50 anos, embora possa ser encontrado em jovens. No Brasil, é um dos cinco tipos de câncer mais importantes. A tendência é que o câncer de intestino torne-se mais comum à medida que as condições sócio-econômicas da população melhorem. Essa mudança na incidência relativa do câncer de intestino parece estar associada principalmente às alterações na dieta e nos hábitos alimentares.

A genética também parece ser uma fator importante no câncer de intestino: acredita-se que entre 10% e 30% dos casos de câncer de cólon estejam relacionados à predisposição genética, ou seja, em pessoas cujas famílias apresentam características que facilitam o aparecimento da doença.

Características do câncer de intestino

O intestino grosso é revestido internamente por uma mucosa – fina camada de células que formam pequenas glândulas. Devido à predisposição genética ou por uma série de estímulos externos, como a alimentação por exemplo, uma pequena área dessa mucosa pode desenvolver células com características diferentes do usual.

Com o passar do tempo, essas células começam a crescer de forma anômala, podendo formar um pólipo – lesão benigna que pode ser facilmente removida sem necessidade de uma cirurgia. Se o pólipo não for removido, pode evoluir para um câncer de cólon. Quanto maior o tamanho do pólipo, maior o risco de evolução para câncer.

O câncer de intestino pode ser separado em dois grupos:

  • câncer relacionado a genética, encontrado em pacientes jovens e com outros casos de câncer na família. Os mais comuns são Adenomatose Polipóide Familiar, Síndrome de Lynch e Câncer de Cólon Hereditário Não Polipóide;
  • câncer esporádico, que engloba a maioria dos casos e não é comum em pacientes abaixo de 50 anos.

Ambos os grupos tem alterações progressivas da mucosa e aparecimento de pólipos antes do câncer. A diferença entre eles é a causa da alteração da mucosa, do aparecimentos dos pólipos e do número deles.

O câncer de intestino esporádico parece estar relacionado a múltiplos fatores, com destaque para os hábitos alimentares:

  • pessoas que tem uma dieta rica em frutas e verduras, com muitas fibras parecem ter menos incidência da doença. Acredita-se que a fibra acelere o trânsito intestinal e faça com que toxinas fiquem menos tempo em contato com a mucosa. Além disso, frutas e verduras são ricas em antioxidantes.
  • onde se consome muito produtos derivados do leite há um número relativamente pequeno de tumores de intestino, sugerindo um possível papel protetor do cálcio;
  • Já pessoas oriundas de regiões onde a dieta é pobre em fibra e rica em gordura animal, parecem ter risco aumentado.

Pacientes com colite ulcerativa e com doença de Crohn também apresentam risco aumentado em desenvolver câncer de intestino.

Sintomas do câncer de intestino

Não existe um sintoma claro do câncer de intestino, dependendo em grande parte da localização do tumor. O mais comum deles é o aparecimento de sangue junto às fezes, o que infelizmente pode ser confundido com sangramento por hemorróidas.

Pacientes com câncer de intestino direito (início do cólon) tendem a apresentar anemia e desconforto no lado direito do abdome. Nos casos mais avançados, pode-se sentir uma massa no local, bem como dor a palpação.

Os pacientes com tumores localizados no lado esquerdo tendem a apresentar sangramento pelo ânus e alterações na freqüência e consistência das fezes. É comum reclamarem de constipação alternada com diarréia, bem como da diminuição no diâmetro das fezes. Casos mais avançados podem apresentar massa palpável, dor, cólica e mesmo obstrução completa do intestino.

Diagnóstico do câncer de intestino

O melhor para o paciente seria que se diagnosticasse o pólipo antes que ele tivesse a chance de tornar um câncer.

Recomenda-se que pessoas sem história de câncer na família comecem a fazer exames para detecção precoce a partir dos 50 anos.

Pessoas com dores abdominais persistentes, sangramento pelo ânus, alterações no hábito intestinal e anemia inexplicada devem procurar o médico para uma avaliação mais detalhada.

Caso haja uma suspeita, o paciente é encaminhado para uma colonoscopia (exame onde um pequeno tubo de fibra óptica é inserido através do ânus, examinando-se todo o intestino grosso). No presença de pólipos, pode-se fazer a remoção durante o exame. Se houver uma lesão suspeita para câncer, pode ser realizada biópsia da área.

Tratamento do câncer de intestino

O tratamento do câncer de intestino varia de acordo com o estágio em que se encontra, condições físicas do paciente e situações especiais que possam estar presentes.

Em geral, o tratamento segue os quatro estágios a seguir:

  • Estágio I: o câncer está bem localizado e pode ser tratado com remoção cirúrgica.
  • Estágio II: o câncer ainda está bem localizado, mas o grau de envolvimento é maior. O tratamento ainda é predominantemente cirúrgico. Muito ocasionalmente pode ser complementado por quimioterapia.
  • Estágio III: o câncer já se estabeleceu nos gânglios linfáticos próximos ao cólon. O tratamento continua sendo cirúrgico, mas o uso de quimioterapia por seis meses após a cirurgia aumenta as chances de cura e é quase sempre recomendado.
  • Estágio IV: o câncer atingiu algum órgão distante, geralmente fígado ou pulmão. Nesses casos, o tratamento se baseia principalmente no uso de quimioterapia e com cirurgia, em casos especiais.

Prevenção do câncer de intestino

Uma dieta rica em frutas e verduras, associada à moderação no consumo de gordura animal e exercícios parecem ser benéficos.

Pessoas com mais de 50 anos devem procurar o médico para realizar exames de detecção precoce específicos. Pessoas com casos de câncer de intestino na família podem precisar de avaliação ainda mais cedo e devem consultar o médico para discutir o assunto.  Aquelas com síndromes hereditárias devem consultar um especialista da área para determinar seu risco, esquema adequado de acompanhamento e se o uso de medicamentos para diminuir o risco de câncer de intestino está ou não recomendado.