Câncer de mama, diagnóstico e tratamento

O câncer de mama é uma dos tipos mais comuns de tumores malignos em todo o mundo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, calcula-se que 1 em cada 9 mulheres americanas será vítima de câncer de mama ao longo da vida. Embora o Brasil não tenha estatísticas tão precisas, elas devem se parecidas com as americanas.

Caso você esteja lendo esse artigo por suspeitar que está com o câncer de mama ou esteja procurando mais informações após ter o diagnóstico confirmado, você deve se lembrar que existe uma associação, hoje mais do que nunca errada, do câncer de mama com à morte e mutilação do corpo da mulher.

A evolução da medicina tem aumentado muito as chances de cura, enquanto que a cirurgia conservadora e a cirurgia plástica vêm corrigindo a potencial mutilação causada pela doença.

O câncer de mama constitui tumor freqüente na população mundial, mas é um dos tipos de câncer para as quais mais se tem opções de tratamento na atualidade. São raríssimas as pacientes que não obtém benefício de, ao menos, uma modalidade de tratamento disponível.

Causas do câncer de mama

Tal como muitas doenças, as causas diretas do câncer de mama ainda não são conhecidas.

O câncer de mama não tem sido associado, de maneira importante, a agentes químicos como fumo, poluição ou produtos químicos em geral, se bem que, em alguns caso,s possa haver alguma associação com estes fatores.

É possível que uma dieta muito rica em gorduras, principalmente as de origem animal, favoreça também o aparecimento de tumores de mama.

Outros fatores que têm aumentado a probabilidade de uma mulher ter câncer de mama são:

  • primeira menstruação precoce;
  • menopausa tardia (muitos anos sob estímulo hormonal);
  • primeiro parto após os 30 anos de idade;
  • nenhuma gravidez completada.

A amamentação de vários filhos pode ter um pequeno papel protetor contra o câncer, mas essa proteção parece ser desprezível.

Questiona-se ainda hoje o real risco do uso de reposição hormonal em mulheres após a menopausa, que parece ser pequeno.

A incidência maior de câncer de mama em membros de determinadas famílias é conhecida desde o século XIX. Entretanto, só na década de 90 é que foram encontrados dois genes diferentes, chamados de BRCA-1 e BRCA-2 (de BReast Câncer ou câncer de mama ) que, quando defeituosos, determinam alto risco de se contrair câncer de mama e de ovário. Esses genes defeituosos podem ser passados para filhos (homens ou mulheres), numa proporção de 50%, fazendo com que os portadores dessas mutações genéticas sejam muito susceptíveis ao câncer de mama e de ovário. Nessas famílias, os casos de câncer de mama ou ovário costumam aparecer precocemente, em geral antes dos 50 anos de idade.

Hoje já se dispõe de um exame de sangue que consegue detectar as mutações dos genes BRCA-1 e BRCA-2, mas que só deve ser feito em casos bem estudados, com uma história genética compatível e com a análise dos resultados revista por profissionais familiarizados com o estudo da genética. Acredita-se que os casos de origem genética não constituam mais de 6 a 8% dos casos de câncer de mama.

Diagnóstico do câncer de mama

A mamografia com certeza é o exame responsável pela maior quantidade de diagnósticos precoces do câncer de mama. Ela é capaz de detectar lesões muito pequenas para serem palpadas, lesões essas que tem maior probabilidade de cura.

Mesmo que a mamografia cause algum desconforto ela jamais deve deixar de ser feita pelas mulheres. O exame de ultra-sonografia da mama não deve substituir uma mamografia, mas sim complementá-la em casos de dúvida.

Veja mais: Mamografia, essencial contra o câncer de mama

O exame físico é outra importante arma na detecção do câncer de mama, se bem que ele só permite identificar lesões já palpáveis e, portanto, não tão precoces. Sugere-se que as mulheres pratiquem o auto-exame da mama mensalmente, a partir dos 20 anos de idade. O exame deve ser feito alguns dias após o término do ciclo menstrual, quando as mamas estão menos sensíveis.

Com a prática, muitas mulheres conseguem detectar pequenas alterações na arquitetura de suas mamas, facilitando a detecção precoce de qualquer novo nódulo. Sugere-se que, a partir dos 40 anos, as mulheres sejam examinadas a cada 6 meses por profissional de saúde (médico ou enfermeira) especializado neste tipo de exame.

Por mais precisos que possam ser os exames de imagem, o câncer de mama só pode ser diagnosticado com certeza mediante uma biópsia, quando é retirado material da área suspeita e é examinado ao microscópio pelo patologista.

Veja também: Câncer de mama, os três tipos de biopsia para diagnóstico

Veja também: Câncer de mama – fatores prognósticos

Tratamento do câncer de mama

Existem 5 opções de tratamento para o câncer de mama. A escolha da opção para tratamento será função do resultado do exame da biopsia.

Cirurgia para tratamento do câncer de mama

A cirurgia para tratamento do câncer de mama é conhecida desde o final do século XIX. Tal cirurgia foi evoluindo: antes apenas havia a mastectomia radical, onde se removia os tecidos vizinhos incluindo toda a mama, a pele, o músculo peitoral que está sob a mama e os gânglios axilares.

A partir dos anos 70 surgiu a cirurgia conservadora com cirurgiões conseguindo mostrar que a cirurgia conservadora da mama podia apresentar os mesmos resultados de cura da mastectomia radical modificada, sem o trauma da perda da mama e da desfiguração do corpo da mulher.

As cirurgias conservadoras são ainda conhecidas como “setorectomia”, “nodulectomia” ou “lumpectomia”, variando apenas quanto a pequenas detalhes técnicos.

Todas essas cirurgias se seguem da retirada dos gânglios axilares. Os gânglios devem ser avaliados cirurgicamente a fim de que se possa determinar qual o melhor tratamento pós-operatório para a paciente.

A cirurgia da axila pode trazer complicações como adormecimento de partes do braço, diminuição dos movimentos do ombro e inchaço do braço operado (chamado ‘linfedema’), que pode aparecer até anos após a cirurgia. Para diminuir a chance de complicações, alguns cirurgiões tem aplicado recentemente a técnica de retirada do “gânglio sentinela”.

Este é o nome dado ao gânglio mais próximo ao tumor, com maior probabilidade de ser atingido por células tumorais que tenham se desprendido do tumor primário. O gânglio é retirado e examinado pelo patologista: se não evidenciar tumor, o cirurgião não continua a operação, presumindo-se que os outros gânglios axilares também devem ser negativos. Se se confirmar à presença de tumor no gânglio sentinela, o cirurgião prossegue para a cirurgia completa da axila. A chance de se ter tumor nos gânglios acima do gânglio sentinela negativo são pequenas – aproximadamente 3 %.

A cirurgia conservadora da mama, entretanto, tem seus limites: ela não pode ser feita em tumores grandes (a maioria dos cirurgiões só a realiza se o tumor tiver menos de 3 cm), pois existe o risco grande de uma recidiva da doença na mama quando tumores maiores são operados com esta técnica. Da mesma maneira, mamas muito pequenas às vezes não oferecem uma margem suficiente de tecido sadio para que se possa fazer uma cirurgia conservadora segura e de resultado estético aceitável. De qualquer maneira, a cirurgia conservadora é sempre seguida de um tratamento radioterápico ao restante da mama.

Veja também: Câncer de mama, a história da cirurgia para tratamento

Radioterapia para tratamento do câncer da mama

É parte integrante do tratamento do câncer de mama, após a cirurgia conservadora. Neste caso, cerca de 1 mês após a cirurgia o tratamento se inicia. São sessões diárias, englobando toda a mama, 5 vezes por semana, por um período variável de 5 a 7 semanas.

Os efeitos colaterais do tratamento são poucos: pode haver vermelhidão da pele irradiada (‘dermatite actínica’), chegando às vezes a descamação temporária da pele; dependendo do tamanho do campo de radioterapia, pode haver queimadura do esôfago (‘esofagite actínica’), também temporária, mas que pode causar dor ao engolir.

O tratamento de radioterapia da mama diminui a probabilidade de recidiva da doença na região operada, podendo ainda contribuir em pequena escala para uma melhor sobrevida das pacientes.

Normalmente, são tratadas todas as mulheres que sofreram cirurgia conservadora ou que foram mastectomizadas e tinham tumores menores que 5 cm ou mais de quatro gânglios axilares com tumor. Se a paciente receber quimioterapia, recomenda-se que a radioterapia seja feita após o término de todo o tratamento quimioterápico. A radioterapia pode também ser utilizada quando a doença apresenta recidiva em outras áreas – como nos ossos – e, neste caso, ela é indicada para tratar sintomas dolorosos ou de compressão de um órgão.

Quimioterapia para tratamento do câncer da mama

É feita hoje na maioria das mulheres diagnosticadas com câncer de mama, principalmente naquelas com menos de 70 anos de idade. Ela pode ser feita de 2 maneiras:

  • quimioterapia neo-adjuvante: é feita logo após a biópsia da mama, mas antes da cirurgia definitiva. Em geral, este tratamento é indicado para pacientes com tumores maiores (acima de 3 cm), numa tentativa de se reduzir o tamanho do tumor e torná-lo operável por cirurgia conservadora, evitando-se a mastectomia;
  • quimioterapia adjuvante: é feita após a cirurgia conservadora ou mastectomia, a fim de se eliminar restos microscópicos de tumor. É iniciada de 2 a 6 semanas após a cirurgia e tem duração aproximada de 4 meses. Há vários tipos de quimioterapia a serem usados e a escolha depende de uma série de fatores: idade, presença ou não de receptores hormonais, doenças pré-existentes etc. Alguns tratamentos são mais tóxicos, com perda de cabelo e náuseas, mas outros são mais toleráveis, com menos efeitos colaterais;
  • quimioterapia paliativa: é usada em mulheres cuja doença retornou após algum tempo do tratamento inicial, em geral em outros órgãos (pulmão, fígado, ossos etc). O tipo de droga quimioterápica usada depende de uma série de fatores; duas pacientes com doença aparentemente igual podem receber tratamentos diferentes.  Com este tratamento geralmente é possível reduzir o tumor e mantê-lo sob controle, às vezes por longos períodos de tempo.

Hormonioterapia no tratamento do câncer de mama

Consiste no uso de hormônios ou anti-hormônios com o intuito de matar as células tumorais do câncer de mama. Sabe-se que a adição ou retirada de hormônios em pacientes com câncer de mama pode causar regressão do quadro tumoral.

Os casos que esse tipo de tratamento é indicados são somente os que tem receptores de estrógeno e/ou progesterona positivos no exame imuno-histoquímico. Somente essas pacientes devem ser submetidas a esta modalidade de tratamento.

Uma outra modalidade de tratamento é o uso de anti-hormônios, dos quais o mais comumente usado é o tamoxifeno.

Nas mulheres cujos tumores contenham receptores hormonais geralmente se usa a hormonioterapia durante 5 anos após a cirurgia inicial, com o intuito de diminuir as chances de recidiva tumoral (o tamoxifeno é a droga mais usada).

Além de usadas após a cirurgia por um prazo de 5 anos, as terapias hormonais podem ser utilizadas posteriormente, no caso da mulher apresentar recidiva da doença em outras áreas do corpo. Geralmente, a hormonioterapia é usada isoladamente, mas pode ser associada à radioterapia e a cirurgia.

Terapias-alvo no tratamento do câncer de mama

A quantidade exacerbada de uma proteína denominada Her-2 na superfície das células tumorais de aproximadamente 20% das mulheres com câncer de mama faz com que estes tumores cresçam de maneira mais agressiva que o comum. Atualmente há medicações que conseguem bloquear o efeito estimulador do crescimento dessa proteína. Trastuzumabe e Lapatinibe são as primeiras de uma série de medicações que alvejam Her-2.

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