Câncer de ovário, sintomas, diagnóstico e tratamento

O câncer de ovário mais comum é o chamado câncer epitelial de ovário.

Os ovários são um par de órgãos localizados na pelve feminina, um de cada lado do útero. Eles têm duas funções:

  • produzir óvulos para a reprodução
  • produzir hormônios sexuais (estrógeno e progesterona) responsáveis pelas características sexuais secundárias femininas – os seios, a distribuição dos pêlos, a forma do corpo etc. Outro papel muito importante desses hormônios femininos é regulação do ciclo menstrual e da gravidez.

A partir da adolescência, os ovários passam a produzir, mensalmente, um óvulo que é expelido se não for fecundado ou se transforma num embrião se houver fertilização. Ao deixar o ovário, cada óvulo rompe um pequeno cisto (cavidade cheia de líquido).

Acredita-se que o câncer de ovário apareça justamente a partir da membrana (chamada epitélio) que forra o ovário e esses cistos – as mulheres que não ovulam quase nunca apresentam esse tipo de câncer.

Além do câncer epitelial do ovário – do qual o mais comun é o cisto-adenocarcinoma -, ocorrem outros tumores mais raros, como os germinativos, que acometem o ovário de adolescentes e mulheres jovens.

Causas do câncer de ovário

Tal como e muitos outros tipos de câncer as causas do câncer de ovário ainda não são totalmente compreendidas. Há casos familiares e estes se devem a mutações genéticas que acometem determinadas famílias – os principais genes causadores de câncer de ovário familiar são os genes BRCA1 e BRCA2, os mesmos que causam câncer de mama.

Nas famílias onde há mais de dois casos de câncer de ovário (ou caso de câncer de mama) deve-se considerar a possibilidade de se realizar o exame de sangue que detecta essas mutações dos genes BRCA1 e BRCA2 identificando-se, assim, as mulheres que têm alto risco de desenvolver a doença.

Em mulheres não portadoras de mutações genéticas, o risco de câncer de ovário é da ordem de 1% ao longo da vida. Já as mulheres que apresentam mutação têm o risco alto (aumentado para a faixa dos 35%-50%). Nesses casos, deve-se considerar fortemente a retirada preventiva dos ovários (ooforectomia), a partir dos 35 anos de idade, desde que a mulher não deseje ter mais filhos.

Sintomas do câncer de ovário

O câncer de ovário quase sempre é descoberto quando ocorre metástase no abdome. No início, os sintomas são inexistentes ou muito vagos, o que dificulta o diagnóstico precoce.

De qualquer maneira, os sintomas iniciais, em geral, são sensação de peso na região baixa do abdome (chamado de ‘baixo ventre’), aumento do volume abdominal e sensação constante de “bexiga cheia”. No exame ginecológico, o médico pode detectá-lo ou sentir a presença de líquido na cavidade abdominal (chamada de ‘ascite’), bastante freqüente nesses casos. Pode haver também acúmulo de líquido ao redor dos pulmões (chamado de ‘derrame pleural’).

Diagnóstico do câncer de ovário

Apresentando a paciente os sintomas acima, normalmente o médico irá solicitar uma ultra-sonografia ou tomografia computadorizada da pélvis e do abdome, para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da doença.

Também é solicitado exame de sangue chamado CA-125, que mede um “marcador tumoral” – substância produzida pelas células tumorais (e por algumas sadias também) – que servirá para monitorar a evolução do caso. Mas é necessária a atenção do médico: pequenos aumentos nos níveis do CA-125 são freqüentes em doenças ginecológicas benignas como miomas, endometriose, inflamações das trompas e até durante a menstruação.

O exame de Papanicolaou, recolhido do colo do útero, freqüentemente é negativo nestes casos, pois as células malignas do ovário em geral não são encontradas nessa região.

Tratamento do câncer de ovário

Normalmente o tratamento do câncer de ovário inicia-se pela cirurgia.

O cirurgião colhe amostra de tecido para exame patológico, feito na sala cirúrgica. Se confirmado o diagnóstico de câncer de ovário, são removidos ambos os ovários, as trompas, o útero e o omento (ou epíplon, uma camada de gordura que recobre a cavidade abdominal) e colhidas biópsias do diafragma (músculo que separa o tórax do abdome), do peritônio (a fina membrana que envolve os órgãos abdominais) e dos gânglios linfáticos junto à aorta.

Quando confirmado o diagnóstico de câncer de ovário são removidos ambos os ovários, as trompas, o útero e o omento

Faz-se ainda uma lavagem da cavidade abdominal, e o líquido recolhido é encaminhado para exame microscópico. O cirurgião deve fazer todo esforço para deixar a cavidade abdominal e pélvica com a menor quantidade possível de doença visível. Quanto menor for o resíduo de câncer, melhores as chances de cura.

A cirurgia que não segue os passos descritos acima é considerada incompleta e deve-se considerar a possibilidade de nova operação da paciente por um cirurgião especializado, antes do início do tratamento quimioterápico, caso a cirurgia inicial não tenha sido completa.

Com os dados da cirurgia e do patologista, faz-se o “estadiamento” do câncer de ovário, ou seja uma avaliação da extensão do tumor pelo organismo. Esta avaliação é complementada por exames de imagem (Raio-X ou tomografia):

  • estadio I: caracteriza-se pela presença de câncer restrito apenas ao ovário; estes casos são raros, uma vez que nesta fase a doença não produz sintomas, como vimos acima.
  • estadio II: a doença propagou-se a outras estruturas da pelve: ao outro ovário, ao útero, à superfície da bexiga etc.
  • estadio III: a doença encontra-se na cavidade abdominal, em geral no diafragma, no peritônio, no omento e na superfície das alças intestinais.
  • estadio IV: quando há células malignas fora da cavidade abdominal, por exemplo, no pulmão.

Aproximadamente 80% dos casos diagnosticados são de estadios III e IV. O prognóstico é tanto pior quanto mais alto o estadiamento.

Além do estadiamento, é importante avaliar-se o grau de agressividade do tumor. Os tumores de baixo grau (grau 1) têm comportamento favorável. Os de alto grau (graus 3 e 4) são bastante agressivos e têm pior prognóstico. Os de grau 2 tem prognóstico intermediário.

Existe um grupo raro de tumores, chamados de grau 0 ou “tumores borderline” (fronteiriços), que têm malignidade muito baixa e tendem a crescer de maneira muito lenta, ao longo de anos. Pelo menos, em sua fase inicial, esses tumores não são tratados com quimioterapia.

Após a cirurgia e o estadiamento, inicia-se o tratamento quimioterápico.

As mulheres com tumores de estadio I em geral não são tratadas com quimioterapia, uma vez que há dúvidas quanto à necessidade de quimioterapia nestes casos (pesam na decisão a idade e o grau do tumor). As mulheres com tumores estadios II, III e IV são geralmente tratadas, após a cirurgia, com 6 ciclos de quimioterapia ou as vezes, com 3 ciclos antes e 3 ciclos após a cirurgia.

Após o sexto ciclo de quimioterapia, considera-se encerrado o tratamento. Se estas pacientes estiverem sem evidência de que haja doença residual, ou seja, exame físico, tomografia ou ultra-sonografia de abdome e níveis sanguíneos do marcador CA-125 completamente normais, pode-se considerar a opção de uma cirurgia de para uma segunda vistoria (“second-look”).

Esta, em geral, se dá de 4 a 6 semanas após o último ciclo de quimioterapia e consiste numa nova laparotomia para que seja feita uma investigação cuidadosa de toda a cavidade abdominal e pélvica. São realizadas novas biópsias (do peritônio, do diafragma e de áreas suspeitas) e novas lavagens peritoniais para investigação microscópica.

Se toda esta investigação não mostrar presença de células malignas residuais, diz-se que a paciente se encontra em “remissão completa”.

Essas pacientes são deixadas em observação, sem nenhum outro tratamento, apenas sendo submetidas a exames clínicos em intervalos regulares (em geral, exame pélvico/abdominal e exame de CA-125 a cada 3 meses, eventualmente com complementação de ultra-sonografia ou tomografia).

Se houver doença residual encontrada na cirurgia, a paciente deverá ser tratada com novos ciclos de quimioterapia, em geral com drogas diferentes das usadas inicialmente. Se, entretanto, a paciente apresentar, após os 6 ciclos iniciais de quimioterapia, evidências clínicas (pela tomografia ou por níveis anormais de CA-125) de que ela ainda tem doença residual, não há indicação para uma cirurgia de segunda vistoria.

Cerca de 50% das pacientes que estão em remissão completa após a quimioterapia (incluindo as que têm uma cirurgia de “second-look” negativa) apresentam recidiva (reaparecimento) da doença com o passar do tempo.

Isso se dá nos primeiros 3 anos do diagnóstico, menos freqüentemente do 3º ao 5º ano e muito raramente após o 5º ano. As mulheres que ultrapassam os 5 anos sem evidências de recidiva são consideradas curadas.

4 thoughts on “Câncer de ovário, sintomas, diagnóstico e tratamento

  1. Tenho 54 anos e em julho de 2014 descobri o câncer de ovário E (Carcinoma Mucinoso Grau II) numa consulta de rotina. Depois do susto e correria, fui bem acompanhada por profissionais oncológicos, e em 15 de agosto fiz a cirurgia, passei por todos os processos descritos acima, histerectomia e adjacentes bem como o lavado. Fiz seis sessões de quimioterapia, enfim, o meu CA 125 em momento algum passou de 10, portanto no meu caso ele não funciona.
    Hoje 1 ano e meio depois sigo com o acompanhamento trimestral.
    Mas o que queria dizer é o seguinte: Sempre fui uma pessoa muito ativa, era bancaria, estudava e cuidava da casa e da família. E pouco antes da descoberta comecei a sentir uma dor muito grande nas costas, procurei vários médicos e todos diagnosticaram cansaço, fadiga, problemas de coluna etc….. em momento algum, alguém SUPOS que poderia ser um câncer.
    “Abençoada foi a consulta ginecológica que faço anualmente” .
    Contudo a cada consulta com o oncologista, sempre vem a apreensão, será que realmente esta tudo bem?
    Hoje a cada dorzinha, me pergunto será ? Tenho acompanhamento psicológico permanente.
    Não vejo a hora de fazer cinco anos, principalmente quando todos os estudos que leio dizem que 50% dos casos tem recidiva, mesma aquelas que não se apresentaram nos primeiros anos.
    A angustia de quem passa pelo câncer não pode ser mensurada.

  2. eu achei bem explicado e gostei de saber coisas que estavam sem ser ditas pelos médicos pois eles não falam tudo que devemos saber para haver melhor preparação das pacientes principalmente nestes casos de endometriose.

  3. Este site esta de parabéns, porque os médicos que acompanham as pacientes em fase inicial pouco esclarecem,deixando a desejar e a informar com clareza para as pacientes, que cientes dos
    sintomas e tratamentos, criam coragem para os desafios e evitam as ansiedades as quais devam passar.

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