Câncer de pulmão, sintomas, diagnóstico e tratamento

O câncer de pulmão é um dos tumores mais freqüentes e letais no mundo. O cigarro é responsável por quase 90% dos casos.

O risco de um homem fumante morrer de câncer de pulmão é 22 vezes maior do que o de um homem não fumante. O mesmo risco é 12 vezes maior para uma mulher fumante.

O fumante passivo, ou seja aquela pessoa que não fuma mas que respira a fumaça do fumante, também tem risco aumentado de desenvolver câncer de pulmão.

Por isso existe hoje um combate mundial ao cigarro.

Características do câncer de pulmão

Os pulmões são os responsáveis pela respiração. São compostos por lobos que são conectados a brônquios e bronquíolos.
A menor unidade anatômica do pulmão é o alvéolo, onde ocorre a respiração propriamente dita.

Tumores podem se originar nos pulmões ou em outros órgãos e se alojar neles. Nesse artigo abordaremos apenas os tumores que se originaram no pulmão, que vem a constituir o chamado câncer de pulmão. Os demais casos são as chamadas metástases, de câncer originado em outros orgãos.

O câncer de pulmão pode ser dividido em dois grupos, de acordo com a aparência microscópica das células que os compõem. Cada um deles cresce e se espalha de formas distintas e, conseqüentemente, são tratados de maneiras diferentes:

As estruturas que compõem o pulmão e os aspecto de um câncer de pulmão de grandes células

  • Tumores não de pequenas células: representam aproximadamente 80% dos tumores. Geralmente crescem e se espalham mais lentamente e são subdivididos em três principais tipos: os tumores epidermóides, os adenocarcinomas e os de grandes células ou indiferenciados;
  • Tumores de pequenas células: são bem menos freqüentes e caracteristicamente tendem a crescer mais rapidamente, bem como a se espalharem para outros tecidos mais precocemente.

Sintoma do câncer de pulmão

Muitos dos sintomas do câncer de pulmão não são exclusivos dele, podendo manifestar-se em inúmeras outras doenças bem menos graves.

A persistência dos sintomas, mesmo não sendo uma característica única de câncer de pulmão, sugere a necessidade de uma avaliação médica.

Os sintomas mais comuns do câncer de pulmão são:

  • Tosse persistente e que piora com o passar do tempo;
  • Dor torácica localizada e persistente;
  • Cansaço;
  • Falta de ar, chiado no peito (broncoespasmo) e rouquidão;
  • Infecções pulmonares de repetição;
  • Inchaço da face e do pescoço;
  • Escarro com sangue;
  • Perda de peso ou de apetite.

Diagnóstico do câncer de pulmão

Para diagnosticar um câncer de pulmão o médico necessita avaliar a historia do paciente, analisar os sintomas, os antecedentes médicos do paciente e de seus familiares e, especialmente, sua exposição a substâncias cancerígenas, principalmente o fumo.

A seguir, há necessidade da realização de exame físico minucioso, especialmente voltado a alterações pulmonares e aquelas que possam sugerir a existência de um tumor pulmonar.

Poderá haver a necessidade de realizar exames diagnósticos como raios-X de tórax, analise de escarro e tomografia de tórax, entre outros. Finalmente, pode ser necessária a obtenção de uma amostra de tecido para a realização de um diagnostico definitivo, que pode ser obtido através de 5 exames distintos cada um indicado para um caso específico: broncoscopia, toracocentese, pleuroscopia, punção e toracotomia

Uma vez estabelecido o diagnóstico, é necessário realizar o estadiamento da doença, ou seja, a verificação de sua extensão, seja dentro do tórax (avaliando a relação do tumor com suas estruturas vizinhas), seja verificando a possível presença de metástases em outras partes do corpo. Para tanto, uma série de exames poderá ser solicitada como: tomografias, cintilografia óssea (mapeamento dos ossos), ressonância nuclear magnética, ultra-sonografia e PET/CT scan.

Tratamento do câncer de pulmão

O tratamento do câncer de pulmão é feito de acordo com o tipo (de não pequenas células ou de pequenas células) e do estadiamento do tumor.

Câncer de pulmão de não pequenas células

Estádio I: O tumor encontra-se apenas no pulmão e esta cercado de tecido normal. O tratamento consiste em cirurgia ou radioterapia para os pacientes que por razão clínica não possam ser submetidos a cirurgia

Estádio II: O tumor espalhou-se para gânglios linfáticos próximos ao tumor (intrapulmonares ou hilares). O tratamento consiste em cirurgia, ou radioterapia para os pacientes que por razão clínica não possam ser submetidos a cirurgia. Vários estudos mostram que a quimioterapia após a cirurgia aumenta a chance de cura do paciente.

Portanto, recomenda-se que todos os pacientes, em boas condições clínicas e sem contra-indicações a quimioterapia, recebam tratamento com agentes quimioterápicos após a cirurgia por seis meses

Estádio III: O tumor envolve a parede do tórax ou uma área do diafragma vizinha ao pulmão, ou espalhou-se para gânglios linfáticos distantes, localizados no mediastino ou no pescoço ou no outro pulmão. O estádio III e subdividido em IIIA, habitualmente operável e IIIB, inoperável .

  • no estádio IIIA faz-se uma cirurgia seguida de quimioterapia por seis meses, podendo estar associada ou não a radioterapia ou a radioterapia isolada;
  • no estádio IIIB sem derrame pleural procede-se a uma quimioterapia associada à radioterapia, radioterapia isolada e quimioterapia isolada. No estádio IIIB com derrame pleural faz-se quimioterapia

Estádio IV: O tumor espalhou-se para outras partes do corpo. O tratamento consistem em quimioterapia.

A cirurgia é realizada através da abertura do tórax, sob anestesia geral. O cirurgião procura remover o tumor, sempre que possível, com uma área de tecido são ao seu redor, ao que se chama de "margens de segurança”; retira também os gânglios linfáticos situados próximos ao tumor e no mediastino (região central do tórax onde estão situados o esôfago, a traquéia, a veia cava e a artéria aorta).

A fim de que seja feita a retirada completa do tumor, algumas vezes há a necessidade de que seja removida uma pequena parte do pulmão (ressecção), ou de um dos lobos do pulmão (lobectomia) ou, excepcionalmente, de todo o pulmão (pneumectomia).

Câncer de pulmão de células pequenas

Normalmente, o câncer de pulmão de pequenas células, tem a capacidade de espalhar-se para outras partes do corpo precocemente, produzindo metástases ou ramificações.

Por este motivo, mesmo quando a doença encontra-se localizada segundo os exames de estadiamento, o tratamento leva em consideração esta possibilidade e, assim sendo, a terapêutica é habitualmente baseada na utilização de quimioterapia e radioterapia, freqüentemente utilizadas simultaneamente desde o início do tratamento.

A cirurgia raramente é utilizada. Em casos selecionados, após o final da quimioterapia e da radioterapia dirigida ao tórax, pode estar indicado o uso de radioterapia profilática (preventiva) dirigida ao cérebro, já que o tumor pode se espalhar para o cérebro.

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