Câncer não terá cura mas não deverá matar tanto no futuro

Embora o título do artigo possa ser um pouco chocante, ele está de acordo com os mais recentes conhecimento sobre o câncer e de acordo com uma “biografia” da doença, lançada nos Estados Unidos – The emperor of all maladies ( numa tradução livre, O imperador de todos os males), escrita pelo oncologista Siddhartha Mukherjee, professor da Universidade Colúmbia, em Nova York.

Esse livro deve ser lançado no Brasil no segundo semestre pela Companhia das letras e deve ser um sucesso editorial, tal como nos Estados Unidos, em que já está há algumas semanas na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times.

Logo no começo do livro o autor desmonta o conceito de câncer: o câncer não é uma doença única, bem delineada, contra o qual se pode criar um remédio específico. A palavra câncer é um gênero para centenas de doenças diferentes que, em comum, têm apenas o nome.

O autor não acredita que a humanidade um dia vá se livrar do câncer – ou das centenas de doenças que tem esse nome em comum. O câncer, sabe-se hoje, é uma doença decorrente do crescimento descontrolado de uma única célula. Ele é provocado por mutações no DNA. Para vencer o câncer, portanto, seria preciso encontrar formas de impedir que essas mutações ocorram. Mas isso é quase impossível tanto pelos conhecimentos científicos disponíveis hoje quanto pela seguinte pergunta?

  • controlando as mutações do DNA para prevenir o câncer também não estaríamos evitando as mutações benéficas ao homem, fundamentais para o progresso de todos os seres vivos?

A resposta da pergunta é sim; por um lado se um dia conseguirmos controlar as mutações que podem impedir o surgimento de um câncer, por outro lado também evitaríamos as mutações que a longo prazo podem ser benéficas ao ser humano e garantir a sobrevivência da espécie quando as condições ambientais mudarem e é certo que elas mudarão.

As mutações do DNA ocorrem quando há a divisão celular, fundamental para nosso crescimento, recuperação de feridas, crescimento dos cabelos, etc…

Como conciliar a divisão celular, as mutações que levam ao câncer e as mutações benéficas ao seu humano é o problema que tem de ser estudado…

Há muito a quer ser estudado a respeito das doenças que chamamos de câncer

O homem convive com o câncer há cerca de quatro mil anos. Embora seja um longo tempo, existem poucos relatos de mortes devido ao câncer na antiguidade. A resposta para essa escassez de relatos não é que nossos antepassados tivessem um vida mais saudável; na verdade era porque as pessoas morriam jovens. O percentual de pessoas com câncer aumenta com a idade e o maior número de divisões celulares que podem ter tido mutações.Por exemplo, o risco de uma mulher de 30 anos ter câncer de mama é de 1 em 400. Aos 70 anos, sobe para 1 em 9.

Na antiguidade era muito difícil uma pessoa viver muito mais do  que trinta anos – costumavam morrer antes devido a doenças como tuberculose, lepra, varíola, peste negra. Tais doenças só começarem a ser controladas no final do século XIX, na Europa, e em seguida no restante do mundo, embora alguns países subdesenvolvidos ainda tenham um grande número de óbitos devido a elas.

Somente nesse momento, que correspondeu ao século XX, o câncer começou a crescer entre as causas de morte. E as pesquisas sobre a cura do câncer, ainda encarado como uma doença única, começaram a se intensificar nos anos sessenta desse século.

Nessa época, os oncologistas acreditavam que a combinação de vários quimioterápicos poderia levar à cura de todos os tipos de câncer. Um anúncio de página única no Washington Post dá a dimensão das expectativas: “Estamos muito perto da cura do câncer. Só o que nos falta é o dinheiro e o planejamento que colocaram o homem na Lua”.

Só que o perto, para a cura do câncer, mostrou-se muito mais longe a ainda não foi atingido.

A oncologia abandonou a busca por soluções universais e curas radicais e está lidando com questões básicas. Quais são os princípios fundamentais que governam o comportamento de uma forma particular de câncer? O que é comum a todas as formas de câncer? O que faz um câncer de mama ser diferente de um câncer de pulmão ou próstata? O que faz um mesmo tipo de tumor de mama se comportar de forma tão diversa em duas pacientes diferentes?

Ou seja, há centenas senão milhares de perguntas a serem respondidas que demandarão muito estudo por parte dos cientistas

Menos mortes devido ao câncer no futuro

Apesar de a expectativa de cura geral do câncer ter sido frustrada, é inegável que avanços importantes ocorreram.

O combate à leucemia infantil e a outros cânceres hematológicos avançou extraordinariamente. Nos anos 60, as crianças sobreviviam poucos meses. Hoje, mais de 70% dos casos são curáveis. Apenas 10% das crianças com tumores cerebrais sobreviviam na década de 70. Atualmente, o índice chega a 45%. O câncer de mama deixou de ser sinônimo de mutilação e morte. Se o tumor for diagnosticado precocemente, a maioria das pacientes se cura. Novas formas de diagnóstico e tratamento mudaram a história do câncer de próstata. Se detectado cedo, é possível salvar o paciente e evitar danos como impotência e incontinência urinária. Há muitos outros exemplos.

Segundo o oncologista Paulo Hoff, diretor clínico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) “Estamos conseguindo transformar o câncer numa doença crônica”. Em vez de morrer em poucos meses, grande parte dos pacientes vive longos anos depois do diagnóstico.

É claro nada é perfeito. O prolongamento da vida, com remédios como os quimioterápicos, podem trazer efeitos colaterais graves e levar a morte devido a esses efeitos e não ao câncer em si.

E o que você pode fazer contra o câncer

Se não há previsão de uma cura única para o câncer, se ele tende a ser tratado como uma doença crônica, o que você pode fazer para prevenir o câncer ?

A melhor resposta é, provavelmente, manter-se informado  e adotar hábitos saudáveis: não fumar, evitar a ingestão de bebidas alcóolicas, praticar atividades físicas, manter uma boa higiene (ver

câncer de pênis), se auto-examinar (ver câncer de mama), não ter vergonha de fazer o exame de toque (ver câncer de próstata), etc.


Fonte: revistaepoca.globo.com, Cristiane Segatto, 11/02/2011

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