Dependente químico não pode contar com o Governo

O governo federal, incluindo os ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social, além da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), ainda não sabe o tamanho do problema que enfrenta em relação aos dependentes químicos. Os gestores públicos dessa área não têm qualquer levantamento que indique o número de dependentes químicos no Brasil.

Segundo o próprio Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em entrevista ao Correio Braziliense em setembro de 2010, “Todos os números sobre o crack publicados no Brasil são chutes.”


O Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, lançado pelo governo federal em maio, previa um investimento de R$ 140 milhões. No entanto, até o momento, somente 60% desse recurso foram aplicados. De acordo com o Ministério da Saúde, o restante será repassado aos municípios ainda até o fim de 2010.

Segundo o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador geral da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo

“A política de tratamento dos usuários de crack do governo é ruim e mostra a irresponsabilidade do ministro Temporão quando ele afirma que o problema da droga não é só da saúde. Eu recebo, por dia, em média, 3 ou 4 pedidos de famílias absolutamente desesperadas. É dramático. Atualmente, já se sabe como tratar um dependente de crack, mas o ministério não divulga como deve ser o tratamento padrão, como se não houvesse um”

O psiquiatra explica que a dependência do crack pode ser comparada a uma doença complexa, como um câncer, e que é necessária uma estrutura apropriada para alcançar bons índices de cura.

E o problema no Brasil é exatamente essa falta de infraestrutura adequada para o tratamento do dependente químico. Faltam leitos a ponto da maior parte deles ter de ser garantida por mandatos de segurança. Ou seja, para tratar um filho ou um parente dependente químico a família, já fragilizada emocional e financeiramente pela chaga das drogas, ainda tem de procurar a justiça para fazer valer seus direitos.

Cada vez mais jovens e crianças estão se tornando usuárias do crack e dependentes químicos


Fonte: Correio Braziliense, Igor Silveira, 19/12/2010, adaptado

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