Dependência química da cocaína: brancos são mais suscetíveis

Um entre cinco brancos caucasianos podem carregar uma variante genética que aumenta significativamente a suscetibilidade à dependência química da cocaína.

Esse defeito, caracterizado por uma ou duas alterações nos genes, altera a resposta do cérebro a sinais químicos específicos. De acordo com pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio (EUA), que fizeram a descoberta, os portadores da variante têm três vezes mais chances de se tornarem fortes dependentes químicos, a ponto de morrer de overdose, comparando-se às pessoas que não possuem a característica. O estudo será publicado em breve no jornal especializado Neuropsychopharmacology.

As alterações genéticas – tanto sozinhas quanto combinadas – afetam a forma como a dopamina modula a atividade cerebral. A dopamina  é um mensageiro químico vital para regular a função do sistema nervoso central. A cocaína bloqueia a ação dos transportadores da dopamina, fazendo com que eles não consigam absorvê-la. Com isso, assim que liberada, a dopamina ´transborda` das células, criando um sentimento de euforia, o mesmo relatado por dependentes químicos da cocaína.

Nos indivíduos portadores da alteração genética, a função de um gene responsável pela transmissão dos sinais da dopamina no cérebro é alterada. Os pesquisadores especulam que essa modificação é responsável por um círculo vicioso. Com o passar do tempo, o cérebro precisa de mais consumo da droga para manter elevado o nível de dopamina e, assim, saciar o desejo do dependente.

Essa descoberta foi feita após realizar autópsias em cérebros de pessoas que abusaram da cocaína. Os pesquisadores descobriram que, entre brancos, as mutações estavam em quase 40% dos tecidos, comparando-se a 19% nas pessoas que nunca usaram drogas. Entre os afroamericanos, apenas um em oito cérebros apresentavam o defeito. Ainda não se sabe porque exatamente existe essa diferença entre as etnias.

A descoberta dessas alterações genéticas é apenas o primeiro passo na procura de uma solução efetiva contra a dependência química. Muitas outras questões ainda precisam ser respondidas como como as alterações genéticas aumentam as chances de alguém experimentar a droga pela primeira vez? Ou elas agravam o vício e levam ao uso pesado? E de que forma esse traço genético afeta na dependência química, de forma geral?

Brancos parecem ser mais sucetíveis a dependência química causada pela cocaína


Fonte: diariodepernambuco.com.br, Paloma Oliveto, 30/12/2010

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