Diet e light: você sabe a diferença entre ambos?

Quando, há dois anos, Geraldina Simão, 83, descobriu que estava pré-diabética, redobrou a atenção com os rótulos dos alimentos. Refrigerante e geleia, só se forem diet. “Geralmente, eu mesma gosto de fazer os doces, usando adoçante. Mas, quando compro um produto, levo o dietético”, diz. Nem todos os portadores do diabetes mellitus, porém, têm a mesma consciência. Uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, mostrou que a confusão entre produtos light e diet é grande entre os pacientes.

Para verificar o grau de conhecimento sobre o assunto, a nutricionista Paula Barbosa de Oliveira ouviu 120 pessoas atendidas pelo Centro de Saúde Escola da faculdade e dos Núcleos de Saúde da Família da USP. “É pequena a porcentagem da população estudada que sabe a diferença entre um produto diet e um light, que tem o hábito de ler o rótulo dos alimentos e que se preocupa com a quantidade utilizada de adoçante”, constatou a pesquisadora.

Menos da metade — 41,7% — costuma observar as informações das embalagens. Por isso, ela defende que os pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tenham mais acesso à informação, ainda que o consumo dos produtos sem açúcar não faça parte do tratamento do diabetes. Paula lembra que existe uma legislação que exige dos fabricantes um aviso sobre os componentes dos produtos, mas sustenta que, além de desinteresse, as pessoas dizem não conseguir enxergar o que está escrito nem entender o significado do rótulo. “Acho que talvez o tamanho da letra e a presença de termos técnicos possam dificultar o hábito da leitura dos rótulos”, diz.

Crescimento
Segundo a nutricionista, estima-se que, em todo o mundo, o número de pessoas com diabetes mellitus passará dos 135 milhões registrados em 1995 para 300 milhões nos próximos 15 anos. No Brasil, 7,6% da população entre 30 e 69 anos são portadores da doença. Ao mesmo tempo, o consumo dos produtos diet e light está crescendo: de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, em 35% dos lares brasileiros, há produtos com essas classificações.

“É muito comum as pessoas fazerem confusão com as informações do rótulo, não só as diabéticas”, concorda a nutricionista Larissa Nepomuceno, da Academia Formis Pilates, em Goiânia, e consultora na área de nutrição. Ela explica que diet e light são absolutamente diferentes. “Os produtos dietéticos são feitos para atender dietas com algum tipo de restrição, que pode ser de açúcar, sal, colesterol ou proteína”, diz. Segundo ela, não basta o fabricante dizer que o alimento é diet. “É preciso informar se é isento de açúcar ou indicado para diabéticos.” Já os produtos light são alimentos modificados para reduzir em pelo menos 25% algum dos componentes, em relação à forma tradicional. Geralmente, têm como alvo pessoas que querem perder peso, pois possuem menos calorias e gordura.

De acordo com Larissa, um grande erro cometido nas dietas de emagrecimento é consumir chocolate diet no lugar do light. “O fato de ser diet só quer dizer que pode ter quantidades insignificantes de açúcar. Mas, para compensar a falta de gosto, os fabricantes aumentam a gordura. Por isso, esses chocolates são mais calóricos que os normais”, conta.

Riscos
A nutricionista Paula Barbosa de Oliveira lembra que o erro pode repercutir no controle glicêmico. Quem ingere produtos com redução calórica pensando que está consumindo alimentos sem açúcar coloca em risco os níveis de glicemia no sangue que, no caso dos diabéticos, é maior do que no das demais pessoas. Além disso, a ingestão de produtos mais calóricos que os normais contribui para aumentar o peso e, de acordo com a pesquisa da nutricionista, 83,3% dos entrevistados foram classificados com sobrepeso ou obesidade, que são fatores de risco para a diabetes mellitus.

Segundo Paula, outra consequência da falta de leitura dos rótulos é a tendência de consumo excessivo. Nas embalagens, há informações sobre a quantidade ou o percentual da substância em relação ao peso do produto. Alimentos indicados para diabéticos, por exemplo, têm menos de 0,5g de açúcar por porção. Isso não significa, porém, que está permitido devorar o pote todo, já que, de porção em porção, aumenta-se a quantidade ingerida de açúcar. “Nisso, as pessoas erram muito. Compram uma geleia diet e acabam comendo em excesso. O ideal é colocar duas pontinhas e acabou. Assim, pode usar sem medo”, ensina Geraldina Simão, vice-presidente da Associação de Diabéticos de Brasília. A organização, localizada na 605 Sul, presta atendimento à população, como informações e encaminhamento médico.

Na pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, também foi investigado o uso de adoçante pelos portadores de diabetes mellitus. A nutricionista Paula Barbosa de Oliveira verificou que as pessoas não se preocupam com a quantidade utilizada e desconhecem a recomendação da Organização Mundial da Saúde de se fazer um rodízio entre os tipos de adoçante para não acumularem no organismo substâncias como sódio e gordura. De acordo com a OMS, a quantidade deve ser calculada de acordo com o peso da pessoa. O limite diário de aspartame, por exemplo, é 40mg por quilo. Da sacarina, é 15mg/kg, e do ciclamato, 11mg/kg. “O uso consciente e adequado destes produtos pode facilitar a adesão ao tratamento e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida desses pacientes”, defende a nutricionista.

Fonte: Pernambuco.com

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