Drogas para cura da depressão realmente funcionam ?

Cresce o número de casos de depressão em todo o mundo e o Brasil não é exceção. Atualmente a maior parte dos médicos receita drogas para curar a depressão. Mas essas drogas para curar a depressão realmente funcionam ? Infelizmente os dados não são nada animadores….

Irving Kirsch, psicólogo da Universidade de Hull, no Reino Unido, lançou um livro The Emperor’s New Drugs [As Novas Drogas do Imperador], em que descreve os seus quinze anos de pesquisa científica par dizer se as drogas funcionam ou não.

Quando começou o trabalho em 1995, seu principal interesse eram os efeitos de placebos. Para estudá-los, ele e um colega revisaram 38 ensaios clínicos que comparavam vários tratamentos da depressão com placebos, ou comparavam a psicoterapia com nenhum tratamento. A maioria dessas experiências durava de seis a oito semanas, e durante esse período os pacientes tendiam a melhorar um pouco, mesmo se não tivessem nenhum tratamento.

Mas Kirsch descobriu que os placebos eram três vezes mais eficazes do que a ausência de tratamento. Isso não o surpreendeu. O que o surpreendeu mesmo foi que os antidepressivos foram apenas marginalmente mais úteis do que os placebos: 75% dos placebos foram tão eficazes quanto os antidepressivos.

Como tais dados surpreenderam Kirsch, ele usando a legislação americana conseguiu obter todos os dados de testes de medicamentos submetidos a FDA (A Anvisa americana) e não apenas aqueles favoráveis que os laboratórios gostam e fazem questão de divulgar. Os dados eram relativos a aprovação de seis seis antidepressivos mais utilizados, aprovados entre 1987 e 1999: Prozac, Paxil, Zoloft, Celexa, Serzone e Effexor.

Ao todo, havia 42 testes das seis drogas. A maioria deles era negativo. No total, os placebos eram 82% tão eficazes quanto os medicamentos, tal como medido pela Escala de Depressão de Hamilton, uma classificação dos sintomas de depressão amplamente utilizada. A diferença média entre remédio e placebo era de apenas 1,8 ponto na Escala, uma diferença que, embora estatisticamente significativa, era insignificante do ponto de vista clínico. Os resultados foram quase os mesmos para as seis drogas: todos igualmente inexpressivos. No entanto, como os estudos positivos foram amplamente divulgados, enquanto os negativos eram escondidos, o público e os médicos passaram a acreditar que esses medicamentos antidepressivos eram altamente eficazes.

Retirando a propaganda dos laboratórios, a eficácia dos remédios usados para cura da depressão parece ser muito próxima a de tomar placebo para o mesmo fim

Kirsch sugere um efeito psicológicos decorrente dos efeitos colaterais que ocorrem ao se tomar tais medicamentos:

A presença de efeitos colaterais em indivíduos que recebem medicamentos lhes permitia adivinhar que recebiam tratamento ativo – e isso foi corroborado por entrevistas com pacientes e médicos –, o que os tornava mais propensos a relatar uma melhora. Ele sugere que a razão pela qual os antidepressivos parecem funcionar melhor no alívio de depressão grave do que em casos menos graves é que os pacientes com sintomas graves provavelmente tomam doses mais elevadas e, portanto, sofrem mais efeitos colaterais.

O mais preocupante é que as drogas usadas para curar depressão e outros transtornos mentais, como o antipsicótico Zyprexa, nitidamente parecem estar introduzindo novos problemas:

Imagine que aparece de repente um vírus que faz com que as pessoas durmam doze, catorze horas por dia. As pessoas infectadas se movimentam devagar e parecem emocionalmente desligadas. Muitas ganham quantidades imensas de peso – 10, 20 e até 50 quilos. Os seus níveis de açúcar no sangue disparam, assim como os de colesterol.

Vários dos atingidos pela doença misteriosa – entre eles, crianças e adolescentes – se tornam diabéticos. O governo federal dá centenas de milhões de dólares aos cientistas para decifrar o funcionamento do vírus, e eles relatam que ele bloqueia uma multidão de receptores no cérebro. Enquanto isso, exames de ressonância magnética descobrem que, ao longo de vários anos, o vírus encolhe o córtex cerebral, e esta diminuição está ligada ao declínio cognitivo. O público aterrorizado clama por uma cura.

Ora, essa doença está, de fato, atingindo milhões de crianças e adultos. Acabamos de descrever os efeitos do antipsicótico Zyprexa, um dos mais vendidos do laboratório Eli Lilly.


Fonte: Revista Piauí, Marcia Angell

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