Drogas para curar depressão surgiram como remédios para infecções

Cresce o número de pessoas com depressão e outros transtornos mentais no Brasil e atualmente predomina entre os psiquiatras o uso de drogas no tratamento.

No entanto, o uso de drogas para curar doenças como depressão parte de uma teoria com um grave defeito – ao invés de procurar uma droga para uma doença, ela procura uma doença para uma droga que já existe e que no início era usada para outros doenças…

A teoria que as doenças mentais são causadas por desequilíbrios químicos surgiu por volta da década de 1950 com o adaptação de três remédios originalmente destinados para tratar infecções.

  • Amplictil (clorpromazina), lançado em 1954, que rapidamente passou a ser muito usado em hospitais psiquiátricos, para acalmar pacientes psicóticos, sobretudo os com esquizofrenia;
  • Em 1955 surgiu o Miltown (meprobamato), vendido para tratar a ansiedade em pacientes ambulatoriais;
  • Em 1957, o Marsilid (iproniazid) entrou no mercado para tratar a depressão.

Desse modo, em três anos, tornaram-se disponíveis medicamentos para tratar aquelas que, na época, eram consideradas as três principais categorias de doença mental – ansiedade, psicose e depressão.

No início, ninguém tinha ideia de como funcionavam. Elas simplesmente embotavam sintomas mentais perturbadores. Durante a década seguinte, pesquisadores descobriram que essas drogas afetavam os níveis de certas substâncias químicas no cérebro.

Quando se descobriu que as drogas psicoativas afetam os níveis de neurotransmissores, surgiu a teoria de que a causa da doença mental é uma anormalidade na concentração cerebral desses elementos químicos, a qual é combatida pelo medicamento apropriado.

O raciocínio é o seguinte: como alguns antidepressivos aumentam os níveis de serotonina, defendeu-se que a depressão é causada pela escassez de serotonina. Antidepressivos como o Prozac ou o Celexa impedem a reabsorção de serotonina pelos neurônios que a liberam, e assim ela permanece mais nas sinapses e ativa outros neurônios.

O grave problema da teoria que as doenças mentais decorrem de desequilíbrios químicos do cérebro é que em vez de desenvolver um medicamento para tratar uma anormalidade, uma anormalidade foi postulada para se adequar a um medicamento. É como dizer que "as febres são caudas pela deficiência de aspirina…"

O primeiro remédio para cura da depressão foi adaptado de um outro que tratava infecções

 


Fonte: Revista Piauí, Marcia Angell

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