Ejaculação precoce, causa e tratamento

A ejaculação  precoce é uma disfunção sexual masculina de difícil definição – qual será, afinal, o tempo "normal" para que o homem ejacule na relação sexual?

Muitos estudiosos tentaram estabelecer um padrão com base na medida do tempo decorrido após a penetração vaginal: falou-se em 30 segundos, em 1 minuto e assim por diante. Outros procuraram usar como base a quantidade de movimentos pélvicos da mulher que o homem "agüentaria" antes de ejacular. Houve também quem tentasse enquadrar a ejaculação precoce a partir do prisma subjetivo feminino: o ejaculador precoce seria aquele que não conseguisse satisfazer a parceira em 50% das relações sexuais – nunca se explicou, porém, o critério científico que justificasse a adoção de tal porcentagem.

Diante de tanta controvérsia, talvez seja o caso de definir a ejaculação precoce em termos de adequação entre parceiros. Se o homem ejacula após 2 minutos da penetração, mas a mulher também atinge naturalmente o orgasmo nesse tempo, não se caracteriza um ejaculador precoce: o casal está ajustado. Em última análise, é a inadequação à parceira, ou parceiras, que leva um homem a buscar tratamento para a ejaculação  precoce.

Causas da ejaculação precoce

O ser humano conseguiu desvincular o ato sexual do caráter procriador e adicionou-lhe a noção de prazer – ou, em última análise, o orgasmo. Fisiologicamente a ejaculação ocorre quando o homem chega a um certo nível de estimulação durante a relação sexual. Uma vez atingido esse nível, ele não tem controle sobre a ejaculação do sêmen.

Social e historicamente, porém, as pressões culturais sobre o homem sempre se concentraram na capacidade de conseguir e manter uma ereção – ou seja, na potência sexual –, enquanto a ejaculação sempre foi considerada uma conseqüência natural da cópula.

Casos de ejaculação precoce têm se tornado cada vez mais comuns nos últimos tempos. Esse fenômeno pode ser interpretado de diversas formas. É inegável, porém, que, com o equilíbrio das relações homem/mulher, o público feminino está mais aberto a exigir o prazer em suas relações. Talvez por isso, a procura masculina por ajuda especializada esteja crescendo tanto: os homens querem se tratar de um problema que, embora sempre tenha existido, era simplesmente ignorado em tempos passados.

Incidência da ejaculação precoce

Como há controvérsias quanto à definição do que vem a ser ejaculação precoce, é difícil estabelecer com precisão a porcentagem de homens que sofrem dela. Alguns estudos afirmam que o problema afeta de 20 a 30% dos homens; outros estimam esse índice em 38%.

Tratamento da ejaculação precoce

O tratamento adequado para a ejaculação precoce é a terapia sexual. Essa modalidade é conduzida por um especialista que aborda não só os aspectos psicológicos do problema, mas também prescreve exercícios a serem feitos pelo paciente, sozinho e junto com a parceira. A participação da mulher no tratamento da EP é fundamental, uma vez que o problema geralmente provém da interação do casal.

Os resultados obtidos com a terapia sexual em várias partes do mundo são semelhantes, o que comprova a sua eficácia: obtém-se sucesso em cerca de 90% dos casos. Quanto aos 10% restantes, procurou-se desenvolver uma terapia baseada em medicamentos antidepressivos. Não há, porém, nenhum dado estatisticamente confiável que permita tirar conclusões sobre esse tipo de tratamento.

É importante observar que mesmo os pacientes que recebem tratamento adequado, nas mãos de profissionais competentes e sérios, podem experimentar uma recaída depois do término da terapia. Uma boa reciclagem dos exercícios com a parceira, provavelmente resolva esses problemas.

Por ser uma disfunção intimamente ligada à auto-estima, a ejaculação precoce fragiliza os homens, que não raramente partem em busca de curas milagrosas. Uma das primeiras reações possíveis é a de achar que o problema tem causa orgânica. Assim, aproveitando-se da situação, há aqueles que, autodenominando-se "especialistas", propõem o "tratamento cirúrgico" da EP – a neurotomia (ou neurotripsia).

A neurotomia consiste em lesar alguns nervos que dão a sensibilidade tátil do pênis, para que supostamente o paciente venha a tolerar a atividade sexual sem ejacular. A verdade é que, na melhor das hipóteses, o homem submetido a essa terapia continua com a ejaculação precoce; na pior, pode ganhar um problema extra, a perda total e irreversível da sensibilidade peniana. Tal tipo de cirurgia não pode ser considerada uma modalidade terapêutica honesta para tratar a EP. Uma resolução do Conselho Federal de Medicina considerou esse tipo de operação como experimental, só permitindo que seja realizada em centros universitários.

Do mesmo modo, pomadas anestésicas, uso simultâneo de duas camisinhas ou aplicação de hormônios masculinos já foram testados, com resultados pouco alentadores.

Muitos medicamentos usados no tratamento psiquiátrico, especialmente os antidepressivos, podem alterar o tempo de ejaculação ou até mesmo levar à incapacidade de ejacular, o que na verdade é um efeito colateral. Por esse motivo, muitos deles já tiveram (e ainda têm) emprego no tratamento da EP.

Porém tal tratamento não combate a raiz do problema e, aos poucos, vai perdendo eficácia: são necessárias doses cada vez mais altas para se obter o mesmo resultado, isso sem contar os intensos efeitos colaterais deixados pela medicação, como sonolência e perda de concentração. Tais medicamentos podem ser usados juntamente com a terapia sexual, para aliviar o quadro.

Em tempos mais recentes, também se testaram os alfa-bloqueadores (medicamentos utilizados no relaxamento da musculatura da próstata, abrindo o canal e melhorando o jato urinário) e as injeções penianas normalmente empregadas no tratamento da impotência. Mais uma vez, os resultados não se revelaram consistentes.

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