Esclerodermia– além da pele ela pode afetar os orgãos internos

A esclerodermia é uma doença autoimune capaz de trazer sérias complicações à pele e a órgãos como esôfago e pulmões, ainda é desconhecida de grande parte dos médicos no Brasil. Com diagnóstico difícil e, no máximo, 300 casos por milhão no mundo, portadores da doença no país reclamam da dificuldade para explicar e tratar a patologia, na qual o sistema de defesa do organismo ataca as próprias estruturas do corpo.

Junto com a grande produção de colágeno, a doença é causada por alterações no sistema de circulação do corpo, com vasos mais constritos e com a atuação irregular dos linfócitos no corpo. Por isso, em alguns casos,  a pele da pessoa com esclerodermia parece não envelhecer.

A esclerodermia tem uma versão menos agressiva na qual a pele é a única afetada – a chamada esclerodermia localizada. Os orgão internos não são afetados.

Já na esclerodermia sistêmica importantes orgãos e estruturas como o esôfago, estômago, rins, coração e pulmões podem ter o seu funcionamento prejudicado, abrindo espaço para uma série de complicações.

A esclerodermia não é contagiosa e aparentemente também não é hereditária.

A causa para a esclerodermia não é conhecida, mas quando os médicos conseguem identificar a doença a tempo, é possível controlar os sintomas. Até dois terços dos pacientes conseguem levar vidas relativamente tranquilas, mantendo suas atividades e trabalhando.

Alguns problemas causados pela esclerodermia

O frio de Raynaud

Pacientes com esclerose sistêmica normalmente convivem com o fenômeno de Raynaud. A síndrome causa a constrição de vasos sanguíneos a cada estímulo frio. Durante o inverno, os pacientes precisam redobrar a atenção para proteger as extremidades do corpo, que em alguns casos chegam a apresentar ulcerações. Pode ser preciso, em casos mais graves, recorrer a amputações.

Dificuldade para engolir

O órgão afetado com maior frequência na forma sistêmica da esclerodermia é o esôfago (90% dos casos). A estrutura liga a boca ao estômago, sendo responsável pelo transporte de comida. Quem tem esclerodermia possui disfalgia, que é uma dificuldade para engolir

Falta de ar

Os pulmões também são acometidos com regularidade (40% a 50% dos casos). Há uma falta de ar progressiva, o paciente passa a ter o órgão endurecido – é a fibrose pulmonar. Além disso, existe o problema da hipertensão, causada pelo acometimento da artéria pulmonar. É necessária uma maior pressão para bombear o sangue nos pulmões.

Outras complicações no organismo

Complicações também podem surgir no estômago (lentidão na digestão), intestino (diarreias, prisões de ventre), rins (insuficiência renal aguda) e coração (insuficiência cardíaca, inflamação nas membranas que recobrem o órgão e arritmias), cada uma em menos de 15% dos casos.

Quanto ao rosto, é comum que os pacientes pareçam ter a pele esticada, com diminuição dos lábios e da boca e o afilamento do nariz. Por fim, as mãos também sofrem com a rigidez do órgão, ficando em forma de garra, com movimento reduzido.

Vídeo sobre a esclerodermia, em espanhol, mas de fácil compreensão

O diagnóstico da esclerodermia

O diagnóstico da esclerodermia normalmente é feito por reumatologistas embora grande parte dos pacientes a princípio procure os dermatologistas. Por isso, os especialistas precisam trabalhar em conjunto para os casos mais severos. Os dermatologistas, normalmente, fazem o diagnóstico e trabalham com as formas localizadas segmentares, mas é preciso trabalhar em conjunto para os pacientes que apresentam manifestações em todo o corpo.

A triste realidade é que por a esclerodermia ser uma doença relativamente pouco conhecida no Brasil, muitos erros de diagnóstico acontecem. Os mais comuns são depressão, problemas na coluna, lúpus.

Associação Brasileira de Pacientes com Esclerose Sistêmica (Abrapes)

A luta dos portadores da doença resultou na criação da Abrapes para divulgação e para promover ações que melhorem a condição dos pacientes. Há também uma comunidade na rede social Orkut que conta com 700 membros. Nela há informações sobre sintomas e relatos.


Fonte: g1.globo.com, 28/11/2010, adaptado

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