Exercícios físicos diários de poucos minutos são eficazes, diz pesquisa

Os sedentários não podem mais usar a falta de tempo como desculpa. Uma pesquisa canadense publicada no periódico internacional Journal of Physiology sustenta que se exercitar durante poucos minutos por dia, mas em ritmo intenso e com intervalos curtos, é tão eficaz quanto passar horas dentro de uma academia. Além de queimar calorias e manter o corpo tonificado, o programa desenvolvido e avaliado pelos pesquisadores da Universidade de McMaster mostrou-se uma boa opção no controle de doenças metabólicas, como o diabetes melito.

Os voluntários que participaram do estudo foram submetidos a seis rápidas sessões de treino, durante 14 dias. Depois de duas semanas, os resultados que eles obtiveram foram os mesmos alcançados por quem estava se exercitando por mais de uma hora ao dia. Cinco anos atrás, o professor Martin Gibala, principal autor da pesquisa, já havia tido êxito ao testar os efeitos do treinamento curto e intenso. Mas, na ocasião, foram utilizadas bicicletas especiais, desenvolvidas em laboratório somente para a pesquisa. Os participantes pedalavam 30 segundos na frequência máxima que conseguiam alcançar, e descansavam por quatro minutos, repetindo o exercício entre quatro e seis vezes.

Agora, porém, Gibala quis verificar se os benefícios seriam iguais mesmo com um equipamento comum. No novo estudo, os voluntários se exercitaram em uma ergométrica normal, com uma carga que os deixava com frequência cardíaca acelerada. O treino durava de 20 a 25 minutos, incluindo os intervalos de 75 segundos depois de cada rodada de pedaladas. “Esse estudo demonstrou que um modelo prático, com pouco volume de exercícios praticados em alta intensidade, estimula a capacidade de ação das mitocôndrias presentes no músculo, promovendo uma atividade metabólica maior. A falta de tempo é a barreira mais citada pelas pessoas para justificar o sedentarismo, então, achamos que o treino pode preencher essa lacuna”, justificou Gibala na apresentação do estudo.

O professor Antonio Carlos da Silva, do Departamento de Fisiologia da Universidade de São Paulo e do Centro de Estudos de Fisiologia do Exercício, analisou o trabalho de Gibala. Para ele, os benefícios musculares são, de fato, interessantes. Mas o especialista ressalta que o pesquisador não se debruçou sobre os efeitos cardiovasculares da prática. “O trabalho é muito bom, publicado em uma das mais conceituadas revistas da área. Realmente, é válido o otimismo dos autores quanto aos benefícios musculares. Por outro lado, há necessidade de cautela, pois nada foi dito sobre os benefícios cardiovasculares. A grande meta dos exercícios aeróbios é a obtenção dos benefícios cardiovasculares centrais, ou seja, cardíacos e com efeitos redutores dos fatores de risco para doenças crônicodegenerativas”, avalia.

O professor destaca que o novo tipo de tratamento traz benefícios para os músculos em menos tempo de treino, com “potenciais repercussões sobre a performance” de quem o pratica, sendo indicado para os que buscam esse objetivo no esporte. “Geralmente, mas não exclusivamente, são pessoas mais envolvidas em atividades competitivas”, diz. “É preciso ressaltar que os benefícios da atividade física para a saúde devem contemplar a força e a resistência muscular, a composição corporal, a flexibilidade e a capacidade aeróbia que, bem trabalhada, beneficia principalmente o sistema cardiovascular”, afirma. “O protocolo apresentado na pesquisa pode colaborar de várias formas para obtenção desses objetivos, mas não é suficiente, isoladamente, para atender todas as necessidades”, sustenta.


Fonte: Correio Braziliense, Paloma Oliveto, 20/03/2010 – adaptado

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