Glutamina, esqueça tudo o que você já ouviu

Se pesquisarmos na Internet sobre glutamina veremos uma grande quantidade de sites que falam dos benefícios dela para melhorar o rendimento físico e ganhos de massa muscular. Também veremos que a glutamina é o aminoácido mais abundante me nosso corpo.

Por fim leremos que o organismo é altamente dependente da glutamina que tem um papel muito importante em vários órgãos do corpo, e também no sistema imunológico e no metabolismo da proteína, tornando-se um nutriente muito importante para quem faz musculação.

Mas, com exceção do fato que a glutamina é o aminoácido mais abundante do nosso corpo e que ela tem papel importante em vários orgãos de nosso copo e  no sistema imunológico, tudo o que você já ouviu e leu sobre as vantagens da glutamina para o crescimento da massa muscular podem não passar de mito !

O mundo da musculação e dos suplementos são cercados de mitos, aquilo que "todo mundo sabe" mas sem nenhuma comprovação científica. E a glutamina sempre foi encarada com uma espécie de suplemento anabólico, sem comprovação científica. Quando resolveram fazer testes em laboratórios sobre a glutamina,  os resultados mostraram algo bem diferente a respeito dos efeitos anabólicos da glutamina.

A musculação não reduz de forma rápida a glutamina muscular

O estudo mais recente sobre isso – em outubro de 2009  – e provavelmente o primeiro foi feito por pesquisadores suecos através de biopsias musculares.

Foi determinada a repetição máxima (1RM) no leg press a um grupo de oito atletas de musculação ou atletismo. Algumas semanas mais tarde regressaram ao laboratório, realizaram um aquecimento leve numa bicicleta estática durante 10 minutos, e depois uma sessão de leg press com 4 séries de 10 repetiçoes a 80% de 1RM, com 5 minutos de descanso entre séries.

Foram retiradas amostras do sangue e do músculo (alternando entre o quadriceps esquerdo e o direito) antes (apenas do sangue), e duas horas depois durante a fase de recuperação. As fibras musculares individuais foram separadas – fibras rápidas e fibras lentas – e analisadas em termos de conteúdo de aminoácidos livres em 4 dos oito voluntários.

Os níveis de glutamina permaneceram inalterados, não se modificaram, mesmo duas horas após o treino. O conteúdo de glutamina muscular não sofreu alterações imediatamente e uma hora após o exercício, mas duas horas após o treino, diminuiu em cerca de 30% (fibras rápidas) e 40% (fibras lentas).

A maior alteração apareceu na quantidade de ácido glutâmico, que diminui em 70% nas fibras musculares rápidas.

Glutamina pode não passar de um mito sobre seus benefício para o anabolismo muscular

A glutamina não tem propriedades anabólicas

É o que parecem mostrar uma grande quantidade de estudos dos quais mencionaremos apenas alguns:

Um estudo realizado em 2003 verificou que, administrando 0.175 gramas de glutamina por Kg de peso corporal duas vezes por dia a wrestlers em dieta durante 12 dias, não manteve mais massa muscular nem promoveu um aumento da perda adiposa, em comparação com um placebo composto por aminoácidos livres.

Outro estudo diferente em 2003, selecionou 21 homens e 19 mulheres – todos eles praticantes de musculação de longa data – e colocou-os num programa de 6 semanas de treino de musculação supervisionado. Foi-lhes fornecida uma dose de glutamina de 0.9 gramas por kg de peso corporal (cerca de 45 gramas por dia, em média), ou maltodextrina imediatamente a no final do treino e antes de deitar. A glutamina e a maltodextrina proporcionaram as mesmas mudanças na composição corporal, força e marcadores indiretos de catabolismo muscular.

Um estudo do laboratório do Dr. Stuart Phillips, que testou um suplemento de 9.25 gramas de EAAs mais 1 grama por kg de peso corporal de uma fonte de carboidratos (maltodextrina + açúcar) com ou sem glutamina adicionada (0.3 gramas/Kg), ingeridas após uma corrida vigorosa de ciclismo, realizada por oito atletas de ciclismo experientes. Não se verificou uma maior síntese de proteína ou de glicogénio no grupo que recebeu a glutamina. Os pesquisadores verificaram que um marcador indireto de catabolismo muscular diminuiu quando a glutamina foi administrada, no período entre os 90 – 180 minutos após o exercício.

 

A glutamina é apenas mais um dos mito que existem em academia. Cuidado com eles, para o seu bolso e a sua saúde!

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