Implante capilar: novos adeptos e resultado menos artificial

Não se faz mais transplante capilar como antigamente. Ainda bem. As técnicas evoluíram e os temidos efeitos “tufinho” ou “cabelo de boneca” ficaram para trás. Mais confiantes no resultado—e mais vaidosos do que nunca —, os homens têm procurado cada vez mais o procedimento. Para se ter uma idéia, de acordo com a Sociedade Brasileira para o Estudo do Cabelo (Sbec), de cinco anos pra cá o número de cirurgias dobrou. O resultado natural e a rápida recuperação, claro, contribuíram para isso.

-A cirurgia ficou estigmatizada por causa dos maus resultados do passado. Mas os homens já estão vendo que, atualmente, o aspecto fica muito mais natural, sem cicatriz, e a procura vem aumentando — diz o presidente da Sbec, Valcinir Bedin, que faz pelo menos dois implantes por semana em seu consultório.

Uma das técnicas mais utilizadas hoje é a fio-a-fio, em que os cabelos são implantados um a um nas primeiras linhas da cabeça e agrupados em três ou quatro na parte posterior. Outra é o transplante de unidade fo-licular, no qual o cirurgião pega enxertos retirados do couro capilar do paciente e os reimplanta onde não há mais folículos. Há, ainda, o implante de células retiradas também do próprio paciente — depois de tratadas, elas dão origem a novos fios.

No encontro anual da International Society of Hair Resto-rations Surgery, que termina hoje, no Canadá, foi apresentada a conclusão de um estudo sobre clonagem de fio de cabelo, que promete melhorar, ainda mais, os resultados dos transplantes. Mas a técnica deve demorar pelo menos cinco anos para chegar aos consultórios.

As cirurgias mais populares atualmente duram entre duas e oito horas, dependendo da necessidade do paciente e do número de profissionais recrutados, que pode chegar a 15. A anestesia é local e o paciente volta para casa no mesmo dia, só que precisa de uma semana de repouso. O preço também varia de acordo com a área a ser coberta, mas, geralmente, custa o dobro de um implante de silicone — cerca de R$ 6 mil.

Qualquer que seja o procedimento, o resultado definitivo demora entre seis meses e um ano para ser notado. Três semanas depois de ter feito a cirurgia, porém, o representante comercial Odalilo Santos já está felicíssimo. Aos 43 anos, ele resolveu o que o incomodava mais do que a barriguinha que chega com a idade.

— A barriga tem como melhorar malhando, correndo. O cabelo, não — ele justifica.

Hoje, o implante de cabelo é o quarto procedimento cirúrgico estético mais procurado pelos homens, ficando atrás de lipoaspiração, correção de pálpebras e plástica no rosto.

— Quando o homem perde o cabelo, envelhece muito. A cirurgia de calvície funciona como um rejuvenescimento facial para o homem — diz Henrique Radwanski, médico da Clínica Ivo Pitanguy e fundador da Associação Brasileira de Cirurgia de Restauração do Cabelo.

Há 18 anos na especialidade, o médico Ricardo Cavalcanti, da Clínica Vitée, é seu melhor garoto-propaganda. Aos 34 anos ele fez sua primeira sessão de implante capilar. Nos 15 anos seguintes, realizou mais duas. Para ele, o segredo de um bom implante é manter o aspecto natural do cabelo e respeitar as características de cada um, sem exageros.

— O homem, necessariamente, tem que ter entradas — defende o especialista.

Até os 50 anos, 50% dos homens vão apresentar algum grau de calvície, que pode variar desde uma entradinha charmosa até o formato (nada belo) de uma bola de bilhar. Desse total, metade teria indicação para fazer a cirurgia, mas apenas 10% buscam o tratamento, de acordo com a Sbec. E engana-se quem pensa que o implante é coisa de tiozinho. Cerca de 70% dos pacientes que recorrem ao tratamento têm entre 25 e 35 anos. É entre os 24 e 26 anos que 80% dos homens que nascem com predisposição genética para a calvície começam a desenvolvê-la. Apenas 15% apresentam sinais a partir dos 17 anos e 5% após os 30.

— O homem que procura o implante é jovem, bem-sucedido profissionalmente, cuida

bem do corpo e do sorriso e não quer ficar calvo. É o homem que está bem e quer ficar ainda melhor — explica o especialista Arthur Tykocinski. — Chegamos a um ponto em que não se percebe mais quem fez ou não o transplante.

Como não existe idade certa para o procedimento, o bom senso deve ser o termômetro do paciente. O ideal é não deixar que a área devastada fique muito extensa, achando que será possível reverter a situação com tratamentos clínicos. Tratamentos à base de finasterida ou loções anti-queda funcionam para segurar o cabelo que existe, e não para repor o que já caiu. E, em todas as técnicas, é preciso que o homem ainda tenha uma área com cabelo para servir de doadora. Uma vez implantado, o cabelo não cai nem exige manutenção ou tratamento específicos. Mas os fios que já existiam ainda precisam de carinho.

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