Insuficiência renal na infância surge silenciosamente e não pode mais ser tratada

A insuficiência renal em crianças é uma condição grave que pode afetar o desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social; ainda assim, em 20% dos casos o principal problema enfrentado pelos pacientes é o diagnóstico tardio.

“Como chegam em estágio muito avançado da doença, as crianças e suas famílias acabam sendo surpreendidas pela necessidade abrupta da realização de um transplante renal, precedido ou não de algum tipo de diálise, sem ter a chance de um tratamento nas fases mais precoces da insuficiência”, afirma a  Dra. Vera Koch.

Estima-se que a insuficiência renal crônica em fase avançada atinja cerca de 700 crianças no Brasil. A demora no início do tratamento ocorre principalmente porque a doença pode ser silenciosa e não apresentar sintomas específicos nas fases iniciais. Essa situação dificulta o diagnóstico precoce, apesar do risco que representa para as crianças. Se não for tratada imediatamente, a insuficiência renal pode aumentar as chances de a criança desenvolver doenças associadas, especialmente as de coração, causa de mortalidade mais comum entre pacientes renais pediátricos.

Uma pesquisa realizada pelo Johns Hopkins Children’s Center, nos EUA, demonstrou que a insuficiência renal, até mesmo em estágio leve ou moderado, afeta diretamente a qualidade de vida. Segundo os autores, crianças com insuficiência renal crônica têm prejuízos, físicos, emocionais, intelectuais e sociais e, portanto, precisam de apoio em todos os aspectos.

“A criança com doença renal crônica pode apresentar déficit de crescimento, anemia, cabelos mais finos e quebradiços, desânimo, falta de apetite, limitações para brincadeiras, distúrbios de minerais no sangue, entre outros problemas”, ressalta Dra. Koch.

“Se não tratada adequadamente, a doença renal infantil pode causar até mesmo deformidades ósseas irreversíveis”, ressalta a médica.

Atualmente, os casos diagnosticados são mais comuns em pacientes com doenças associadas, como problemas oncológicos e cardiopatias, e em crianças provenientes de fertilização in vitro ou que passaram por sofrimentos intra-utero, resultando na má-formação dos rins.


Fonte: Vera Koch (FMUSP)

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