Leishmaniose visceral, doença fatal, está se alastrando para perto de São Paulo

A leishmaniose visceral está se aproximando da cidade de São Paulo. Doença considerada fatal tanto para cães – o principal hospedeiro – quanto para humanos, ela é causada pelo protozoário leishmania e transmitida pela picada do inseto conhecido como mosquito-palha. A leishmaniose pode causar falência de órgãos como rins e fígado. Se não tratada, pode levar à morte em 90% dos casos.

Até 1998, segundo o veterinário Douglas Presotto, não havia nenhum registro de leishmaniose no estado de São Paulo. Mas esse quadro se alterou. “A doença está se expandindo e mudando de perfil. Antes, era concentrada na zona rural do Nordeste. Agora, está nas grandes cidades também”, observa Presotto, que é coordenador do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Campinas, a 93 km de São Paulo.

A primeira cidade paulista a registrar a doença foi Araçatuba, em 1998. “Em 1999, veio o primeiro caso em humanos”, relembra Presotto. Hoje em dia, a doença é considerada endêmica em cidades como Bauru, Cotia e Embu, sendo as duas últimas já parte da Grande São Paulo. O primeiro caso em Campinas, conta o veterinário, foi registrado no final do ano passado, em três cães. Todos eles moravam em casas construídas próximas à mata.

A cidade de São Paulo nunca registrou a doença, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. Já no estado, até maio deste ano, foram confirmados 30 casos em cães, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. O órgão não divulga a lista das cidades com casos confirmados.

Sintomas da Leishmaniose visceral

Aspecto das feridas provocadas pela Leishmaniose visceral em pessoas e em cachorros Emagrecimento, febre e feridas na pele que não cicatrizam são algumas das características da doença tanto nos cães quanto nos humanos. O aumento de órgãos como fígado e baço também são característicos, mas somente médicos conseguem diagnosticar, conta o veterinário Andrei Nascimento.

No caso dos cães, o crescimento exagerado das unhas é um sintoma bem evidente. “A leishmania pode se instalar na matriz das unhas, causando essa alteração”, explica o veterinário. Nascimento ressalta que, uma vez infectado, nem o cão nem o ser humano conseguem se livrar da doença. A medicação faz o protozoário “hibernar”, mas não o mata.

“Qualquer alteração no sistema imunológico, como a causada por AIDS ou quimioterapia, por exemplo, pode tornar a leishmania ativa novamente”, esclarece.

 

Sacrifício de animais é necessário para evitar o contágio pela Leishmaniose visceral

Uma vez infectado com a doença, o cão deve ser sacrificado. A determinação é do Ministério da Saúde, estabelecida em 2008, e está cercada de polêmica. Douglas Presotto, do CCZ de Campinas, conta que todo veterinário que diagnosticar a doença é obrigado a informar o Centro de Controle de Zoonoses da sua cidade.

Os técnicos da Vigilância Sanitária, por sua vez, avisam à família que o cão deverá ser recolhido e sacrificado. A eutanásia é obrigatória porque uma portaria conjunta entre os ministérios da Saúde e da Agricultura proíbe o tratamento de animais. Os medicamentos devem ser dados somente a humanos.

Prevenção da Leishmaniose visceral é fundamental

O veterinário Andrei Nascimento sugere que o cuidado deve começar pelo cachorro de estimação.

“O uso de uma coleira impregnada com deltametrina a 4% repele e mata o mosquito transmissor da doença”, diz. Nascimento afirma que a substância não tem cheiro e não é tóxica a humanos, permitindo que o cachorro suba na cama dos donos, por exemplo. A coleira deve ser trocada a cada quatro meses ou de acordo com a indicação do fabricante.

A orientação do veterinário Douglas Presotto é evitar a proliferação do mosquito transmissor da doença, sobretudo no quintal. Ele conta que o mosquito procura por material orgânico em decomposição. Frutas caídas no quintal e fezes dos galinheiros, por exemplo, são um prato cheio para a fêmea do inseto colocar seus ovos.


Fonte: g1.globo.com/sao-paulo, Cláudia Silveira, 09/08/2010

2 thoughts on “Leishmaniose visceral, doença fatal, está se alastrando para perto de São Paulo

  1. Hoje em dia existe tratamento para os cães mas o cão continua sendo portador, não existe medicação autorizada para a cura desses animais. Caso o tratamento seja interrompido a doença volta a ativa

  2. hoje em dia existe tratamento para os cães, e ninguem é obrigado a sacrificar o animal.

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