LER e DORT, doenças relacionadas ao trabalho estão se tornando um grave problema

Você certamente já ouviu falar sobre as LER, as lesões por esforços repetitivos ou nos DORT, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Porém, provavelmente, ainda não tem a exata noção de quão grave tem se tornado este problema.

Médicos vêem aumentar cada vez mais a procura de pacientes que sofrem de LER/DORT nos seus consultórios, uma verdadeira epidemia que atinge os trabalhadores brasileiros, que sofrem dores fortíssimas, perdem a capacidade laborativa e passam a viver em constante luta pela dignidade perdida.

Nas últimas décadas, com o aumento crescente da informatização, os trabalhadores passaram a sentir na sua saúde a conseqüência dessas mudanças. O uso do computador, que prometia trazer praticidade e agilidade para o nosso dia a dia adoeceu centenas de profissionais, que eram obrigados a trabalhar num ritmo frenético.

LER e DORT já não causam tanta repercussão embora venham crescendo

Pouco se tem falado sobre LER/DORT, nos últimos anos, principalmente se comparado com a grande repercussão deste assunto no final dos anos 90 e início desta década. De acordo com o advogado Rafael Fernandes, especialista em saúde do trabalhador, houve uma banalização da LER/DORT nos últimos anos."A doença não é visível, não há marcas no corpo". Em contrapartida, "há uma epidemia de doenças relacionadas ao trabalho, principalmente no Brasil", alerta ele.

Principaios pontos do corpo atingidos por LER e DORT Trabalhando com LER/DORT há doze anos, o ortopedista e perito da Justiça Federal, Luciano Bomfim, viu crescerem os casos da doença no seu consultório. Do total de atendimentos, os casos de DORT atingem a incrível marca de 80% dos atendimentos. "São problemas no ombro, no punho e no cotovelo. Especialmente nos ombros e nos punhos, visto que existe um excesso de digitação de forma inadequada", afirma o médico.

Considerada um conjunto de doenças, a LER não é necessariamente ligada ao trabalho e, por isso, surgiu o termo DORT (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho). Os profissionais mais atingidos por LER/DORT são os operadores de telemarketing, digitadores, jornalistas, bancários assim como os caixas de supermercado. Temos ainda os operários de linha de montagem, os pintores, os mecânicos e as empregadas domésticas.

O ortopedista Luciano Bomfim atenta para outros profissionais que são vítimas dessas doenças. "Os carteiros usam uma bolsa lateralizando o tronco, o que causa escoliose. Eles deveriam usar uma mochila que tivesse no máximo 10% do peso corporal. O gari corre atrás do caminhão, pula e pega o contêiner, fazendo um grande esforço e sobrecarregando a coluna", alerta ele.

Onde o LER e DORT agem

A LER/DORT afeta principalmente os membros superiores e atinge músculos, nervos e tendões provocando micro-traumas e inflamação dos mesmos. No caso da tendinite, por exemplo, o excesso de esforço causa a inflamação do tendão, estrutura que liga o osso ao músculo e que permite a realização dos movimentos.

As principais doenças são a tendinite, a tenossinuvite, o cisto sinovial, a síndrome do túnel do carpo, a síndrome do manguito rotador (tendinite do ombro), a lombalgia, a epicondilite, a tenossinuvite de De Quervain e o dedo em gatilho.

Os bancários, por exemplo, são atingidos principalmente pela síndrome do manguito rotador. "Os bancários fazem no mínimo de quatro a sete movimentos de ombro por atendimento. Serão de 1200 a 2100 elevações de braço por dia e em um mês serão 30 mil", alerta Luciano Bomfim.

Os fatores que mais contribuem para o desenvolvimento de LER/DORT são a má postura, o trabalho automatizado, a repetição, a sobrecarga de tarefas, o estresse, a ausência de pausas durante o expediente e a falta de investimento em ergonomia nos ambientes de trabalho. As pausas são importantes para a recuperação das estruturas músculo-esqueléticas. O ortopedista Luciano Bomfim recomenda uma pausa de dez minutos a cada hora, além do alongamento e de exercícios de fortalecimento muscular.

O tratamento da LER e DORT

Se a pessoa tem sintomas como dor constante, dormência, perda de força é importante procurar um médico. Nos estágios iniciais, é possível se tratar o problema com uso de medicamentos, imobilizadores e fisioterapia. Caso contrário, as lesões por esforço repetitivo podem se tornar tão graves que o quadro torna-se irreversível. Isso se deve ao fato, de que essas doenças atingem estruturas com baixa irrigação sanguínea, como cartilagens e tendões e que, portanto tem baixa capacidade de regeneração.

Quando se trata de LER/DORT, a melhor alternativa é a prevenção. Hoje em dia, dispomos de vários produtos ergonômicos especialmente criados para o ambiente de trabalho. Cadeiras com regulagem do assento e dos apoios de braço, descansa pés, apoio para teclado, suportes para punho e até mesmo cinta ergonômica para a coluna.

Chamados de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), esses produtos devem ser usados por cada trabalhador para protegê-lo contra riscos à sua segurança e saúde. O problema é que muitas empresas não fornecem esses equipamentos porque não querem arcar com os custos.


Fonte: sidneyrezende.com, Laís Ferenzini, 23/05/2010

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