Leucemia, Governo Dilma decide quem pode viver ou não

Tornou-se comum reclamar que os planos de saúde interferem no tratamento apontado pelos médicos para seus pacientes de modo a diminuir custos. No entanto, muito mais grave ainda é o que o Ministério da Saúde, através da Portaria 90/2011 resolveu fazer com pessoas que sofrem de leucemia mieloide crônica: apenas 15% dos paciente de uma instituição de saúde terão acesso ao chamado medicamento de segunda linha – a única opção quando o tratamento deixa de responder aos medicamentos convencionais ou de primeira linha.

Deixar  as pessoas com leucemia que não mais reagem ao tratamento convencional sem esse medicamentos na prática significa condená-las a morte. É isso que o Governo Dilma pretende fazer com tal Portaria. Um absurdo, um crime contra esses pacientes que sofrem de lecemia.

O absurdo é grande: segundo o Jornal da Tarde, de São`Paulo, todas as instituições por ele ouvidas afirmam que o índice de pacientes que necessitam dos medicamentos de segunda linha passa de 15% no Estado de São Paulo. Presidente da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), o médico Cármino Antônio de Souza estima que essa taxa fique entre 25% e 35% nos pacientes do País. “Vamos ter de chegar para esses pacientes e dizer que o governo decidiu que eles não podem mais receber o remédio”. Ou que eles não podem mais viver…

No caso do Hemocentro da Unicamp, que atende a 40 pacientes com o medicamento de segunda linha, de um total de 176 pacientes com LMC, a estratégia tem sido realocar recursos para pagar os tratamentos “excedentes”. Hematologista da instituição campineira, José Francisco Marques Júnior diz que a situação trouxe uma crise financeira da ordem de R$ 150 mil por mês para a instituição.

Segundo Marques Júnior, além de não repassar o recurso, o Ministério enviou o documento com o nome dos 14 pacientes que tiveram o pedido para o medicamento de segunda linha negado. “É como uma roleta russa, porque essa escolha não teve critério clínico nenhum. Passaram uma régua e quem ficou acima da linha dos 15% foi cortado pela portaria. Ou seguimos essa lista ou escolhemos outros 14 pacientes para parar de tratar e condená-los à morte”, completa.

Para muitos dos pacientes comprar por conta própria os remédios de segunda linha para tratamento da leucemia não é uma opção: o custo mensal é de até R$ 10 mil por paciente, segundo estimativas dos próprios usuários.

O Ministério da Saúde, é claro tem uma "ótima" explicação para esse absurdo: para a coordenadora-geral de Média e Alta Complexidade do Ministério da Saúde, a oncologista Maria Inez Gadelha, a determinação do teto de 15% foi baseada em dados nacionais dos hospitais que, em auditorias, mostraram os procedimentos mais adequados segundo os protocolos do Ministério. Segundo ela, nesses hospitais, o total de pacientes que necessitava de tratamento de segunda linha não chegava a 10%. Assim, a parcela de 15% teria sido adotada com uma margem de segurança. A oncologista enfatiza que a intenção é que ninguém fique desassistido…

Dinheiro para fazer obras farônicas, politiqueiras e super faturadas há. Dinheiro para corrupção há. Mas dinheiro para dar um tratamento digno e com possibilidade de cura a pessoas que sofrem de leucemia esse o dinheiro o Governo Dilma quer cortar !

Esperamos que o Ministério Público e os Conselhos de Medicina não se omitam nessa questão !


Fonte: Jornal da Tarde, Mariana Lenhard, 03/09/2011

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