Lúpus, causa, diagnóstico, sintomas e tratamento

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença auto-imune (aquela que ocorre devido à formação de anticorpos contra constituintes do próprio organismo). É crônica e pode se manifestar em qualquer idade e sexo, mas afeta principalmente mulheres jovens.

Apresenta períodos de atividade e outros sem manifestações. Afeta múltiplos órgãos e apresenta alterações da resposta imunológica, com presença de anticorpos que ‘destroem’ proteínas do próprio organismo.

Afeta 10 a 12 vezes mais mulheres que homens e, embora possa ocorrer em qualquer idade, é mais freqüente entre os 20 e 45 anos, com maior incidência próximo aos 30 anos.

As causas do Lupus

Embora não seja conhecida, admite-se que a interação de fatores genéticos, hormonais e ambientais participem do desencadeamento desta doença.

Estudos epidemiológicos realizados nos Estados Unidos mostram uma prevalência de Lupus variando de 1 caso para 2.000 a 1 para 10.000 habitantes. Não há dados para o Brasil, mas usando o parâmetro americano acredita-se que há entre 16.000 a 80.000 casos no país

Sintomas do Lupus

Os sintomas mais freqüentes do Lupus são:

  •  Lesões de pele: as mais características são avermelhadas em maçãs dos rosto e dorso do nariz, denominadas lesões em vespertílio ou ‘asa de borboleta’ (a distribuição da lesão lembra uma borboleta).

    As lesões discóides (que normalmente aparecem no rosto, nuca e couro cabeludo) são bem delimitadas e mais profundas e podem causar alteração da cor da pele (mais clara ou escura).

    Muitas outras lesões cutâneas, principalmente em antebraços e região do decote, podem aparecer e freqüentemente pioram após exposição ao sol;

  • Dores articulares: dor e inchaço, principalmente nas articulações das mãos. Geralmente são transitórias. Mais raramente podem causar deformidades;
  • Pleurite ou miocardite: pode ocorrer inflamação de pleura ou pericárdio (membranas que recobrem o pulmão e coração, respectivamente).
  • Nefrite (inflamação no rim): ocorre em aproximadamente 50% dos casos. Deve ser tratada precoce e adequadamente para se evitar a insuficiência renal (perda da função do rim). A gravidade da nefrite é variável e quando os exames clínicos e laboratoriais não permitem a adequada avaliação do caso, é necessária a biópsia renal;
  • Alterações no sangue: em mais da metade dos casos pode ocorrer diminuição de glóbulos vermelhos (anemia), de glóbulos brancos (leucopenia), dos linfócitos (linfopenia) ou de plaquetas (plaquetopenia);
  • Alterações cerebrais: menos freqüentemente podemos observar convulsões ou alteração nível de consciência, perda da memória e concentração e até queixas sugestivas de comprometimento de nervos periféricos, levando à sensação de formigamento nas pernas ou braços.
  • Alterações do comportamento: como psicose, por exemplo;
  • Vasculite: a inflamação de pequenos vasos sanguíneos pode causar lesões avermelhadas e dolorosas em palma de mãos, planta de pés, céu da boca ou braços e pernas. Muito raramente, se a inflamação ocorre em vasos sanguíneos maiores  pode causar dor e escurecimento de dedos, feridas nas pernas etc.
  • Queixas de febre sem infecção aparente, emagrecimento e fraqueza: são comuns quando a doença está ativa.
  • Outras manifestações: oculares (conjuntivite, por exemplo), aumento do fígado (hepatomegalia), aumento do baço (esplenomegalia) e de gânglios também podem ocorrer em fase ativa da doença.

Diagnóstico do Lupus

O médico deve suspeitar de Lupus, de acordo com as queixas e alterações observadas ao exame físico e solicitar os exames laboratoriais adequados para confirmação do diagnóstico.

Existem exames que são positivos na maioria dos pacientes com Lupus, como os anticorpos antinucleares (FAN) mas que, infelizmente, são positivos também em outras doenças, ou mesmo em pessoas sadias.

Outros testes laboratoriais como o anticorpo anti-DNA nativo e anti-Sm são altamente específicos, mas a positividade é de 50 e 35%, respectivamente

Tratamento do Lupus

O tratamento tem como objetivo controlar a atividade da doença, minimizar os efeitos colaterais dos medicamentos e proporcionar boa qualidade de vida aos portadores de lúpus. O tratamento deve ser individualizado e varia de acordo com a manifestação da doença.

Vários medicamentos, como antiinflamatórios não hormonais, corticóides, antimaláricos e imunossupressores podem ser utilizados. Novos imunossuppressores vem sendo lançados.
Atualmente, terapias biológicas e celulares vêm sendo utilizadas no tratamento e agem tanto nos mediadores que causam a inflamação como nas células que produzem os anticorpos.
Dúvidas  em relação ao tratamento devem ser discutidas com o médico. O adequado manejo do LES tem permitido uma longa e produtiva vida aos portadores.

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