Medicina ortomolecular, muito além do emagrecimento…

A palavra “ortomolecular” já foi moda entre as celebridades e recebeu até o apelido de “dieta das estrelas”.

Os garotos propagandas do conceito – Juliana Paes, Deborah Secco, Luiza Brunet e Carol Castro são exemplos – fizeram com que só o fim estético da área ganhasse destaque.

Por conta disso, uma junta médica se reuniu para tentar modificar a fama da medicina ortomolecular e reforçar o coro de que o procedimento precisa ser regrado e vai muito além do teste do cabelo para perder peso.

“Nossa batalha atual é habilitar um maior número de médicos na medicina molecular e tornar esta estratégia da medicina uma especialidade clínica, que vai muito além do emagrecimento, com auxílio para depressão, síndrome do pânico e outras tantas doenças”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Medicina Complementar e Biomolecular (ABMC), José Felippe Júnior.

A medicina ortomolecular consiste em avaliar, individualmente, a quantidade de nutrientes e tentar equalizar o que sobra e o que falta no organismo do paciente. Um dos métodos é o teste por meio da avaliação do cabelo. Além disso, o benefício prometido é de desintoxicar o organismo de metais pesados, como o chumbo e o arsênico, que comprometem o bem-estar e têm influência em transtornos de humor.

Novas regras para a medicina ortomolecular

Na semana passada, Felippe Júnior e um grupo técnico foram convocados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para reavaliar a regulamentação da medicina ortomolecular. Um documento publicado no Diário Oficial da União trouxe as novidades.

“A principal mudança em relação à resolução anterior (datada de 1998) é um nível de recomendação mais forte para a proibição das práticas que podem prejudicar quem se submete a esse tipo de terapêutica, embasado em evidências acumuladas ao longo dos mais de 10 anos após a promulgação da resolução anterior”, afirmou Emílio Moriguchi, professor de medicina no Rio Grande do Sul e diretor da câmara técnica que discutiu o assunto no CFM.

Na última década foi constatado que a terapêutica ortomolecular, além de combater os metais pesados, também era eficiente para a desintoxicação por pesticidas e agrotóxicos – campeões de envenenamentos na população, segundo informações da Fundação Oswaldo Cruz. No último relatório do Sistema Nacional de Informações Toxicológicas (Sinitox), da FioCruz, em um ano são 15.377 de intoxicações por excesso de pesticidas por ano, uma média de 42 registros por dia.

No mesmo período, no entanto, os médicos atestaram que a terapêutica pode interferir negativamente na eficácia da quimioterapia e da radioterapia, já que as técnicas de desintoxicação – se não mensuradas – podem anular as principais terapias contra o câncer.

Proibições de exageros na medicina ortomolecular

As novas normas da medicina ortomolecular também regulamentam o uso do teste do cabelo. Segundo os especialistas, a análise capilar – única forma de avaliar a dosagem de metais pesados e nutrientes – foi banalizada e sugerida para qualquer paciente, mesmo sem evidência de intoxicação.

“Agora, o grama de cabelo só pode ser analisado se existirem evidências clínicas de intoxicação”, afirmou o presidente da ABMC, José de Felippe Júnior.

Moriguchi acrescenta que estão proibidas também a utilização – e a propaganda – da medicina ortomolecular relacionadas a “quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônicas degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição (de nutrientes) mostre evidências de benefícios cientificamente comprovados.

Especialização ortomolecular

A medicina ortomolecular ainda não é reconhecida pela Associação Médica Brasileira (AMB) como uma especialidade médica, aos moles de ginecologia, pediatria ou ortopedia.

“O primeiro passo foi a resolução do CFM. O próximo é capacitar o maior número de médicos do Brasil para então exigir a especialização na área”, afirma José de Felippe Júnior. “No final de fevereiro acontece o primeiro curso nacional. Hoje somos 50 médicos treinados. Precisamos chegar em 500 para fazer pressão para a especialização.”


Fonte: IG, Fernanda Aranda

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