Mitomania, quando mentir vira uma doença

Quando a vida do mentiroso torna-se uma mentira. Ou seja, ele vive em função de sua mentira, vive interpretando um papel diferente daquilo que ele é. Vale dizer que o mentiroso também sofre com suas mentiras porque para evitar que sua mentira seja descoberta, ele cria uma série de situações, de histórias para sustentar a sua mentira e se torna um vigilante contínuo para manter suas mentiras.

A esse distúrbio psicológico dá-se o nome de mitomania.

Dizer a verdade é um sofrimento para quem tem mitomania, doença definida como uma forma de desequilíbrio psíquico caracterizado essencialmente por declarações mentirosas vistas pelos que sofrem do mal como realidade.

De um lado, o mitômano sempre sabe no fundo que o que ele diz não é totalmente verdadeiro. Mas ele também sabe que isso deve ser verdadeiro para que lhe garanta um equilíbrio interior suficiente. Em determinado momento, o sujeito prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade objetiva exterior. Ele tem necessidade de contar essa história para se sentir tranqüilizado e de acordo consigo mesmo.

Desse ponto de vista, podemos dizer que o discurso do mitômano é muito diferente daquele do mentiroso ou do fraudador, que têm finalidades práticas. Para estes, o objetivo não é a mentira, sendo esta apenas um meio para outros fins.

Geralmente, quem sofre desse mal, são pessoas muito inteligentes, mas inferiorizadas, elas  se sentem , na realidade,  pessoas incompreedidas, feias, e então acham que se elas forem uma mentira do jeito que imaginam aí sim todos irão aprová-la, gostar dela, coisa e tal…

São pessoas que sabem mentir muito bem, mas são pessoas muito frias, não se nota quando estão mentindo pois elas olham dentro do seus olhos quando estão mentindo. Até que chega um ponto que essa pessoa já não distingue mais quem ela é hoje de quem ela era antes.

Para ela a mentira é a sua verdade. As coisas que elas inventam são as mais complicadas possíveis, tipo: eu tenho um filho mas o pai não quer que eu o veja…ou eu já morei em Paris , Londres, Italia, e descrevem perfeitamente essses lugares como se já estivessem messsmo morado lá, ou ainda a preferida deles: eu era muito rico, mas muito rico mesmo, estudei nos melhores colégios, mas meu pai perdeu tudo na política, tinha uma casa enorme com 16 quartos …E assim vai. E o pior é que você acredita, pois eles sabem ser convincentes de tal maneira que não dá pra duvidar.

Por outro lado, são pessoas altamente destrutivas e depressivas. Costumam ter sérios problemas interiores, conflitos consigo mesma, são arrogantes, e não deixam você se aproximar muito, só sentem prazer e poder quando estão mentindo. É como se tivessem dupla personalidade ou várias, só que todas falsas.

É também uma forma de consolo. Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em função da angústia subjacente. Ora, a criança inclinada à mitomania e que constata que sua mentira é entendida como verdade, estimam os psiquiatras infantis, tem um sentimento de prazer e de poder que pode facilmente incitá-la a recomeçar.

A maioria das mitomanias é bem construída e se alimenta de histórias verossímeis. Assim, é lógico que as pessoas próximas se deixem atrair para o jogo, pois não podemos de todo modo começar a suspeitar de que todos são mitômanos.

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