Musculação, ela é realmente necessária?

Não importa qual o objetivo – emagrecer, entrar em forma, conseguir um corpo torneado ou ter uma vida mais saudável – para alcançá-lo, sim, é obrigatório enfrentar a musculação.

De acordo com especialistas, a fórmula do exercício físico perfeito é a combinação equilibrada entre aeróbicos, força e flexibilidade. Para o fisiologista Renato Romani, do Centro de Fisiologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a musculação é tão fundamental quanto a caminhada, por exemplo. Portanto, pare de ignorar aparelhos e pesos e coloque esses músculos para trabalhar.

Além dos benefícios estéticos, que podem ser conferidos a olho nu, os chamados exercícios de resistência reduzem o percentual de gordura e promovem a queima de calorias horas depois de a malhação ter acabado.

“Quanto mais músculo se tem, mais energia se gasta. O metabolismo fica mais acelerado”, revela Paulo de Tarso, professor de Educação Física e Mestre em Biociências da Atividade Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E nem é preciso praticá-la todos os dias, basta incluí-la no treino três vezes por semana, de 20 a 50 minutos.

Como muitas mulheres, Mariana Cintra, 26 anos, entrou na academia para perder medidas e ficou impressionada com o resultado obtido com a musculação, praticada em dias alternados, durante 30 minutos. No início, a assistente administrativa, que nunca havia levantado peso, duvidava da eficiência do exercício e tinha medo de ficar com o visual masculinizado.

“Eu queria emagrecer e ganhar forma, mas sempre tive pavor de ombros largos, braços muito fortes. Hoje, eu acho meu corpo mais bonito e sinto que consigo realizar os trabalhos do dia a dia com mais facilidade”, ressalta.

Características pessoais

A resposta ao exercício é individual e diferente de pessoa para pessoa. Por isso, não adianta entrar na academia querendo pernas como as de Ivete Sangalo ou braços como os de Madonna. “A genética influencia, mas não é determinante. Nem todo mundo nasceu para ser atleta olímpico, por exemplo, mas qualquer um pode entrar em forma”, avalia Romani.

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Além disso, “fatores como meio ambiente, tipo de alimentação, horas de descanso e tempo de dedicação ao corpo têm efeito sobre o resultado”, ressalta Ricardo Munis Nahas, ortopedista e diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME). O treino deve ser prescrito por um profissional qualificado, levando em consideração a saúde, o tempo disponível, a idade e o objetivo de cada aluno.

A resposta à musculação pode mudar dependendo até da parte do corpo que está sendo trabalhada. “Uma mesma pessoa pode ter um resultado melhor para o bíceps, mas pior para peitoral”, diz o professor de Educação Física, Paulo de Tarso. Intensidade e frequência também são duas variantes importantes na definição de uma boa ginástica. Para Renato Romani, quem quer tonificar o corpo e ganhar saúde deveria optar por um treino com pouco peso e muita repetição. No caso de quem procura hipertrofia muscular – ficar forte mesmo – o indicado é o exercício repetido poucas vezes, mas com peso maior.

A ordem dos exercícios – aeróbico primeiro e anaeróbico em seguida, ou vice e versa –, não faz diferença, mas o treino deve ser individualizado. A pessoa que corre, por exemplo, fica com os membros inferiores cansados e não consegue aplicar a força necessária se for fazer musculação depois, diminuindo a eficiência do exercício. “O aluno tem que perceber como se sente melhor e escolher a ordem de como prefere treinar”, aconselha o professor Paulo.

O fisiologista Renato Romani desmistifica a realização do alongamento logo após o treino. Para ele, a prática não é contra indicada, mas não traz benefícios para a musculação. O professor Paulo de Tarso reforça a tese: “não e uma coisa científica, mas é uma sensação de relaxamento, de alívio.”

Osteoporose e quedas

Ainda não existem estudos conclusivos que relacionem a musculação à prevenção da osteoporose, doença que atinge cerca de 10 milhões de brasileiros diminuindo a massa óssea. Mas artigos científicos relatam benefícios encontrados por quem pratica esse tipo de exercício. Os médicos explicam: mexer os músculos faz com que o corpo absorva melhor o cálcio, colaborando para ossos mais fortes, além de reduzir as possíveis quedas. “A pessoa fica mais potente e cai menos. A chance de fratura diminui”, relata Paulo de Tarso.

 


Fonte: ORB, 09/02/2010

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