A noção de terreno na oligoterapia

Para compreender em que sentido o oligoelemento pode agir sobre um organismo vivo com o objetivo de, quando necessário, reequilibrá-lo, parece útil definir em algumas linhas o que se pode entender pelo termo terreno biológico, e sob quais manifestações J. Ménétrier estabeleceu sua descrição e classificação em certo número de diáteses.

É fácil constatar que durante uma epidemia de gripe que atinja uma população, por exemplo, apenas certo número de indivíduos é atacado pelo vírus e fica doente, enquanto outros permanecem imunes. Pode-se dizer, então, que em algumas pessoas existe certo estado de resistência e, em outras, um de sensibilização.

As variações dessa resistência individual – válida também no que diz respeito aos germes patogênicos e aos parasitas, aos agentes tóxicos ou aos medicamentos clássicos super-dosados – implicam, pois, a noção de certo terreno diante do qual, por sua vez, o fator agressivo encontrara uma recusa em certas pessoas, e uma resposta positiva em outras por ele sensibilizadas.

Nesse último caso, trata-se de um terreno receptivo, terreno apropriado à existência e ao desenvolvimento das doenças. Essa receptividade pode ser imputada quer à hereditariedade, quer ao meio no qual o indivíduo vive. No plano clínico, ele vai se traduzir em toda uma série de manifestações sintomáticas que representarão as diferentes diáteses sobre as quais falaremos a seguir, pois seu conhecimento fará com que se compreenda melhor a ação terapêutica dos oligoelementos.

As Diáteses

Podemos definir a diátese como a disposição para ser afetado por esta ou aquela doençaa. Situada entre dois estados antagônicos, porém frequentemente complementares – a saúde e a doença -, ela é a expressão de um desequilíbrio biológico, de uma disfunção orgânica que, ignorada, negligenciada ou indevidamente tratada, conduzira o indivíduo atingido à lesão irreversível deste ou daquele órgão e, posteriormente, à sua degenerescência.

A diátese, como diz J. Ménétrier, “não é apenas um fato clínico, por assim dizer empírico, mas também uma expressão de processos metabólicos mais gerais; ela é uma manifestação sintomática de um processo geral de trocas”.

Atualmente admiti-se que os processos metabólicos que regulam o equilíbrio biológico do indivíduo dependem, na maioria das vezes, da presença e da atividade específica de catalisadores, entre os quais certos oligoelementos. Logo, a falta deles terá coma consequência uma modificação de terreno no sentido da receptividade às agressões e, por conseguinte, o aparecimento de sinais mórbidos, funcionais de início, lesivos a seguir.  J. Ménétrier classificou em quatro diáteses fundamentais, classificação esta que ajudará a compreender a função dos oligoelementos nas manifestações patológicas.

A diátese alérgica

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Uma primeira diátese, chamada alérgica, pode ser comparada ao estado que a medicina tradicional descreveu sob o termo geral de artritismo. Esta diátese, no seu conjunto, é o atributo dos adolescentes e dos adultos jovens. Ela pode se manifestar indiferentemente através de: enxaquecas, urticaria, eczemas, asma, corizas espasmódicas e toda uma série de outras perturbações que atingem o sistema digestivo e o sistema nervosos para chegar às litiáses vesiculares ou renais, à asma, em sua forma crônica, e às artrites.

Esse tipo de diátese requer a aplicação de manganês.

A diátese hipostênica

Uma segunda forma diatésica, que J. Ménétrier qualifica de hipostênica, comum a todas as idades da vida, desde a infância até a idade adulta, caracteriza-se sobretudo por uma tendência à fadiga, tanto física quanta psíquica. Em caso extremo, pode levar à tuberculose sob todas as formas, à poliartrite ou ao enfisema.

Nesse caso, deve-se prescrever uma combinação de manganês e cobre.

A diátese distônica

A distônica, à qual se aplica uma combinação de manganês-cobalto, pode ser considerada, por sua vez, coma uma variante nervosa da diátese artrítica. Geralmente, surge após uma fase alérgica, compreende todos os vários estados neurovegetativos de arteriosclerose, de artrose, e deve ser tratada graças à ação dos oligoelementos citados acima, antes que o indivíduo atinja o grau das verdadeiras crises orgânicas e das degenerescências.

A diátese anérgica

Finalmente, a última diátese, chamada anérgica, cuja importância é considerável: ela marca a diferença entre os estados funcionais e os estados lesivos e, segundo J. Ménétrier, traduz uma evolução, quer brutal, quer insidiosa, para uma diminuição rápida ou lenta da energia vital e de suas possibilidades reacionais, logo, uma menor resistência às agressões de qualquer natureza.

Do ponto de vista patológico, engloba todas as infecções recidivas agudas ou subagudas, a primo-infecção, a tuberculose, o reumatismo crônico evolutivo e as degenerescências tissulares.

A ela pode-se prescrever uma combinação de cobre, ouro e prata.

Assim apresentamos de forma resumida, os diferentes aspectos das quatro diáteses fundamentais descritas por J. Ménétrier. Naturalmente, é raro, para não dizer excepcional, encontra-las em estado pura no doente. Por sua gênese e seu desenvolvimento num ser vivo, estão sujeitas a complexidades, e a variações de aspecto e de expressão, quando não a modificações que sobrevêm quer espontaneamente, quer após aplicações terapêuticas.

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