O câncer de próstata e a impotência sexual

Receber o diagnóstico de câncer de próstata já é um trauma para os homens. Superado o impacto inicial da má notícia e sabendo que a grande maioria dos pacientes detectados com câncer de próstata em estágio inicial ficam curados, começa a preocupação com outro problema: a impotência sexual.

A relação da impotência sexual com o câncer de próstata em grande parte se deve a cirurgia para retirar a próstata cancerosa, a prostatectomia radical. Hoje é uma cirurgia bem comum e amplamente realizada mas nem sempre foi assim. Na década de 1980 era uma cirurgia difícil, complicada e associada  a uma alta taxa de complicações, que incluíam a impotência sexual em quase todos os casos.

A impotência sexual resultava dos danos aos nervos que controlam a ereção, no momento de realização da cirurgia. Estes nervos passam bem junto à próstata, um em cada lado dela. E antigamente ninguém tinha uma ideia clara de onde esses nervos eram localizados e de como eles poderiam ser preservados ao remover a próstata.

Apenas na metade da década de 1980 conseguiu-se identificar os dois nervos que controlam a ereção e uma maneira de preservá-los durante a cirurgia. Estava aberto o caminho para tornar a prostatectomia radical o principal tratamento para o câncer de próstata.

No entanto mesmo com o avanço na técnica que resultou a preservação dos nervos que controlam a ereção é bastante comum a reclamação dos pacientes sobre a falta de ereções.

Metástase do câncer de próstata nos nervos responsáveis pela ereção

O que ocorre é que algumas vezes é difícil identificar os nervos e nem sempre é fácil preservá-los. Se ambos os nervos são cortados ou danificados é impossível ter uma ereção porque os vasos sanguíneos do pênis sequer recebem a informação de que deveriam estar criando uma. Se um nervo é preservado, a ereção é possível mas a taxa de sucesso é de apenas 20%. Se ambos os nervos são preservados, a possibilidade de voltar a ter ereções fica em torno de  50%.

O cirurgião muitas vezes não tenta preservar os nervos porque há um risco de deixar câncer sobrando ao tentar separar os nervos de cada lado da próstata. Um regra geral nas cirurgias de câncer é remover o máximo possível de tecido de aparência normal nas imediações do tumor, de modo a diminuir a chance sobrarem células cancerosas neles. Como os nervos que controlam a ereção passam muito rentes a próstata, preservá-lo significa que não se pode remover todo o tecido possível e há um pequeno mas considerável risco de sobrarem células cancerosas neles.

Tirar a próstata com um margem ampla de tecido adicional aumenta a probabilidade da completa remoção do câncer mas reduz a chance de ter ereções depois. Preservar os nervos permite a possibilidade de ereções pós a cirurgia mas com o risco de deixar células cancerosas no organismo.

Essa é uma decisão que precisa ser tomada pelo cirurgião e o paciente. Com certeza é um dos maiores dilemas da medicina: funcionamento sexual normal após a cirurgia x sobra de células cancerosas no organismo.

A decisão de preservar os nervos responsáveis pela ereção, apenas um ou nenhum deles é influenciada pela extensão e agressividade aparente do câncer. Homens com altos níveis de PSA correm um risco maior de metástase do câncer pelos nervos e não é muito recomendável preservá-los.

Como é feita a cirurgia para remoção da próstata em caso de câncer de próstata

Danos aos nervos na cirurgia de retirada da próstata

Apesar do máximo esforço do cirurgião em preservar os nervos responsáveis pela ereção, muitas vezes eles acabam irreparavelmente danificados. São estruturas delicadas e não há modo confiável de verificar se foram danificados durante a cirurgia. Apenas com o tempo e o retorno das ereções é que se sabe que tudo ocorreu bem.

Uma outra possibilidade para a falta de ereções mesmo com a preservação dos nervos está relacionada aos vasos sanguíneos que fornecem o sangue ao pênis durante as ereções. Esses vasos às vezes não funcionam adequadamente depois da cirurgia do câncer de próstata e ninguém ainda tem a explicação da causa.

A demora para a volta às ereções após a cirurgia do câncer de próstata

Pode levar um ano ou mais para que as ereções de fato retornem. Durante esse período o pênis fica flácido e o homem precisa esperar para ver se teve sorte e manteve a capacidade de ter ereções.

A razão é que os nervos podem levar todo esse tempo para se recuperar da cirurgia.

Uma quantidade grande de homens que voltaram a ter ereções após a cirurgia para a retirada da próstata menciona que só notaram “sinais de vida” entre nove e dez meses.