Pedra nos rins, diagnóstico, sintomas e tratamento

São estruturas sólidas que se formam de maneira anormal nos rins. Popularmente conhecidas como "pedra dos rins" – os "urolitos", em linguagem científica e cálculo renal, em linguagem médica –, surgem a partir da precipitação de íons (átomos com excesso ou falta de carga elétrica negativa), moléculas ou elementos químicos presentes na urina.

Diversos fatores podem propiciar a formação de pedra nos rins, entre os quais o desequilíbrio de solubilidade da solução urinária e um pH (índice de alcalinidade/acidez) que favoreça a cristalização de determinados compostos.

Alterações na frequência urinária também podem propiciar o surgimento de pedras. Numa situação normal, a movimentação constante da urina, encaminhada para fora do corpo, permite eliminar pequenos cristais, evitando que eles cresçam pela agregação de outros e assim se transformem em pedras. No entanto, se um cristal permanecer aderido ao tecido renal, ou se houver obstrução total ou parcial ao fluxo da urina, aumentam as chances de se originar uma grande pedra.

Sintomas de pedra nos rins

Normalmente o problema aparece nos meses mais quentes e tem maior incidência entre os homens, numa proporção de 2 a 3 pacientes do sexo masculino para cada mulher afetada. A faixa etária predominante vai dos 30 aos 50 anos. Pessoas de hábitos sedentários, que trabalham em ambientes com temperaturas elevadas e enfrentam situações de estresse apresentam maior propensão a desenvolver cálculos renais.

O mal pode estar ligado também à hereditariedade: 60% dos pacientes têm parentes consangüíneos que sofrem do mesmo problema.

A dieta alimentar é outro fator a considerar. Quem toma muito líquido apresenta menos tendência a desenvolver pedra nos rins. Situação contrária vivem as pessoas com hábitos alimentares que sobrecarregam a urina com elementos de pouca solubilidade, como águas com alto teor de cálcio e dietas à base de frutos do mar (que elevam os níveis de ácido úrico no sangue e na urina).

Os sintomas variam conforme a parte do sistema urinário afetada pelo problema. Em geral, formados nos rins, em 80% dos casos as pedras se desprendem e tendem a ser eliminados na urina.

Quando aderidos ao rim, habitualmente não produzem sinais, exceto, às vezes, um leve sangramento, observado apenas pela cor da urina. Além da eventual e indefinida dor lombar, as pedras situadas nos cálices urinários (pequenas cavidades dos rins que recebem a urina recém-produzida) também não causam sintomas.

Fortes crises de dor são características de pedras nas pelves renais (cada rim possui uma pelve, cavidade que recebe a confluência dos cálices urinários) ou nos ureteres (cada rim possui um ureter, delgado canal por onde a urina transita até a bexiga). Bloqueada a passagem da urina, surgem dores intensas, como a da cólica, atingindo as costas e a parte lateral afetada do abdome. Algumas pedras do ureter irradiam a dor para os genitais e geram crises de irritação de bexiga, com necessidade de urinar a toda hora. Costumeiramente, as dores vêm acompanhadas de náuseas, vômitos, sudorese e agitação.

Quando atingem a bexiga, as pedras podem provocar irritação local, com sensação de ardor ao urinar, micções freqüentes e impossibilidade de reter a urina. Dependendo de suas dimensões, a pedra pode entrar na uretra (canal por onde a urina deixa a bexiga e é expelida para fora do corpo) e obstruí-la: o sintoma é uma grande dificuldade para urinar, que pode chegar ao limite de retenção urinária.

Qualquer que seja sua posição, a pedra talvez provoque sangramentos, que tornam a urina vermelha ou rósea. Caso haja uma infecção associada, tremores, calafrios e febre serão observados.

Diagnóstico de pedra nos rins

O  relato do paciente já permite ao médico suspeitar do problema. No exame físico, a pessoa revela sensibilidade pronunciada com a palpação ou a percussão das regiões lombares e da parte abdominal correspondente às dores. A confirmação do diagnóstico se dá com exames adicionais, como de urina, de sangue, radiológicos, ultra-sonográficos ou, ainda, de análise da composição do cálculo.

Tratamento de pedra nos rins

Hoje existem duas dormas de tratamento de pedra nos rins, a clínica e a cirúrgica.

O tratamento clínico inclui o alívio das cólicas renais, o emprego de medicamentos que possam dissolver a pedra já formada e medidas preventivas ao surgimento de novas pedras. Analgésicos, antiespasmódicos, antiinflamatórios não-hormonais e opiáceos têm o poder de ajudar a enfrentar as intensas crises de dor, bem como seus sintomas associados, como náuseas e vômitos.

Os medicamentos específicos para a dissolução de pedras variam conforme a composição dessas e podem evitar que o problema reapareça. Com o auxílio da terapia clínica, 80% das pedras são eliminadas espontaneamente. Para tanto, estima-se que o tamanho da pedra não deva superar um diâmetro de 5 a 6 milímetros.

O tratamento intervencionista e cirúrgico ocorre quando o paciente é refratário ao tratamento clínico para a dor, ou há um grave prejuízo dos rins e das vias excretoras ou detecta-se a presença de uma infecção urinária concomitante, há algumas intervenções a serem feitas, com maior ou menor grau de invasão do organismo:

  • Onda de choque: é a menos invasiva e a primeira alternativa a ser cogitada quando o tratamento clínico não dá resultado. Consiste na emissão de ondas de choque capazes de rachar aos poucos a estrutura da pedra: seus fragmentos, assim, acabam eliminados gradualmente pela urina. Aplicada em mais 85% dos casos, é um procedimento ambulatorial e até dispensa anestesia. Às vezes, são necessárias reaplicações e uma espera de até 3 meses, até a eliminação completa dos fragmentos.
  • Nefrolitotripsia percutânea (NPC) – nesse caso, um aparelho chamado nefroscópio, dotado de um tubo óptico, atravessa um caminho entre a pele e o interior do rim. O nefroscópio permite visualizar dentro do rim a pedra, que é retirado por pinças especiais ou, caso seja grande, fragmentada para posterior retirada dos resíduos. O procedimento exige anestesia;
  • Extração endoscópica de cálculos ureterais por cistoscopia: assim como o nefroscópio, o cistoscópio é um aparelho com um tubo óptico, que é feito passar pela uretra até a bexiga. Por meio de cateteres (sondas) introduzidos no ureter, o cirurgião tenta extrair as pedras ali encontrados;
  • Ureteroscopia e ureterolitotripsia: o tubo óptico do ureteroscópio, passando pela uretra e a bexiga, é introduzido no ureter. Localizada a pedra, trabalha-se para extraí-la ou fragmentá-la. A anestesia é necessária;
  • Cirurgia: quando nenhum dos procedimentos acima consegue eliminar a pedra nos rins, o médico pode decidir fazer uma cirurgia convencional para retirá-la

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