Planos de saúde podem subir 126,7% acima da inflação

Os preços abusivos impostos aos consumidores pelos planos de saúde no Brasil podem se tornar impagáveis se a dinâmica de reajuste de contratos continuar a correr solta, como acontece hoje. O alerta foi disparado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pela Fundação Procon-SP ao divulgarem estudo no qual mostram que, em 30 anos, os custos dos planos terão subido 126,7% acima da inflação, inviabilizando o acesso ao serviço.

O interessante no aumento do custo dos planos de saúde é que os médicos estão insatisfeitos com o que ganham das operadoras, com vários casos de descredenciamento e por outro os consumidores estão também cada vez mais achando que estão pagando por um serviço que não lhes prestam, pois o atendimento em vários planos de saúde está muito próximo do dos hospitais públicos. Para onde está indo o dinheiro, muito, que os planos de saúde cobram ?

Para o cálculo, os institutos projetaram um avanço constante do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,5% por ano e consideraram os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) para planos individuais nos últimos 10 anos. Nesse período, os contratos subiram 31,36% além da inflação. O IPCA foi escolhido, segundo o instituto, por ser utilizado para reajustar o salário mínimo e as demais remunerações, além de servir como índice oficial de inflação.

O exemplo apresentado pelo instituto é de um consumidor de 30 anos, com salário de R$ 3 mil. A mensalidade paga hoje é de R$ 180,74 e compromete 6,02% da renda, mas no atual ritmo, quando ele chegar aos 60 anos, o plano custará mensalmente R$ 6.088, valor que representará (considerada a inflação) 54,12% do seu rendimento de R$ 11.250 (já corrigido).

Plano de saúde pode subir 126,7% acima da inflação pelo cálculo atual da ANS

De acordo com Daniela Trettel, advogada do Idec, o estudo foi entregue à ANS na tentativa de contribuir com um grupo técnico que estuda, atualmente, uma nova metodologia para reajustar os contratos. O objetivo foi mostrar a inviabilidade do sistema vigente(1). “Se a intenção é manter o modelo de saúde misto (com uma rede pública e outra privada), não adianta ficar discutindo formas de resolver o problema que só contemplem as questões de curto prazo das empresas”, afirmou.

A opinião é partilhada pelo diretor do Instituto Brasileiro de Política e Defesa do Consumidor (Brasilcon), Walter Moura, para quem a agência responsável pelo setor baseia a sua atuação olhando mais o lado das operadoras do que o do consumidor. “A responsabilidade dela é interferir para que o mercado seja sustentável no longo prazo, mas acaba ouvindo as ameaças das empresas que afirmam que vão quebrar e não escutam o consumidor. Quem perde com isso é o beneficiário do sistema, mas também o setor”, considerou.


Fonte: correiobraziliense.com.br, 13/08/2010

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