Quanto custa emagrecer???

Entra ano e uma das promossas mais feita para o ano é emagrecer – ou manter o corpo em forma. A promessa, no entanto, é uma das mais quebradas ao longo dos 365 dias que se seguem ao réveillon. Menos por falta de força de vontade, muito pela falta de planejamento financeiro. Afinal, consumir alimentos light, matricular-se em academias, consultar nutricionistas ou mesmo participar de grupos de apoio a dietas pesam no bolso.

Vamos imaginar uma pessoa que se matricule na academia, consulte-se com um nutricionista pelo menos uma vez por mês, faça drenagem linfática uma vez por semana e ainda recorra aos grupos de apoio (tipo Vigilantes do Peso). Terá um gasto que poderá variar de cerca de R$ 450 a R$ 1.800 por mês, se a conta for feita levando em conta os preços mais baixos e os mais altos para cada serviço. Se a pessoa ainda quiser apelar para a forcinha de um personal trainer duas vezes por semana, o gasto mensal com todos os serviços pulará: vai variar de R$ 900 a R$ 3.000. Fora outros gastos, como alimentos especiais, grupos de apoio e até spa.

De acordo com o economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio, manter a boa forma compromete 8,49% do orçamento familiar, no caso de famílias com renda entre 1 e 33 salários mínimos.

– Desse percentual, a feira livre absorve 68%. Boa parte dos gastos para fins de cuidados com o corpo registrou, nos últimos 12 meses, aumentos que superam a inflação de 2009 medida pelo IPC-BR, que fechou em alta de 3,95%. Entre os serviços, consultas médicas (com alta de 7,52%) e academias (reajuste de 6,77%) superaram a inflação do período – avalia Braz.

Pelos cálculos de Braz, feitos para o site do GLOBO, entre os alimentos, o preço que mais subiu foi o de hortaliças e legumes (19,48%), justamente uma classe da pirâmide alimentar fundamental para o sucesso de qualquer dieta. Mate, presunto, pescados, leite, entre outros, foram as exceções e não tiveram aumento de preço acima da inflação.

Alternativas para emagrecer com um orçamento magrinho

O cenário de associar emagrecimento a despesas pode não precisa ser mais uma justificativa para abandonar a mais popular das resoluções de ano novo. Exitem alternativas para quem está com o orçamento apertado, mas não quer continuar a se apertar nas roupas. Deixar o carro de lado, caminhar mais, subir escadas, reduzir a quantidade de comida no prato e pagar menos na comida a quilo são só alguns exemplos.

Mas, para não dar espaço à frustração de não conseguir conquistar um corpo mais esbelto e saudável ainda em 2010, é preciso agir como em qualquer planejamento financeiro: fazer uma relação de receitas e despesas é o primeiro passo. Depois, coloca-se no papel qual é a prioridade. Quem acha que funciona melhor em um grupo de apoio, pode pagar por isso e trocar a academia por exercícios ao ar livre. Quem se sente melhor exercitando-se com orientação e por isso não abre mão da academia deve perguntar se lá não há serviço de nutricionista.

E, para nunca mais incorrer no erro de interromper no meio do ano o projeto do corpo em dia, coloque na planilha de despesas os gastos adicionais com o emagrecimento. Contando com os gastos antecipadamente, corre-se menos risco de deixar o projeto para o ano que vem.


Fonte: O Globo, Ana Paula Cardoso, 07/01/2010 (adaptado)

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