Quimioterapia, como o câncer é combatido com ela

A quimioterapia é o tratamento do câncer por meio do uso de produtos químicos. A quimioterapia moderna teve início durante a Segunda Guerra Mundial, quando se descobriu que certos produtos usados em armas químicas eram tóxicos para células de crescimento rápido, como as células malignas.

Nos últimos 50 anos, esta foi uma das áreas mais pesquisadas da medicina, e hoje contamos com dezenas de produtos para o tratamento do câncer. Algumas são usadas por via oral, outras por via intramuscular, mas a maioria é usada através de injeções endovenosas, junto com um soro.

Como agem os quimioterápicos

Há vários mecanismos de ação dos quimioterápicos, dependendo da droga em questão. De uma maneira geral, estas drogas interferem na reprodução celular, impedindo que a divisão da célula seja feita de maneira normal (em geral, a ação se faz sobre a molécula de DNA, que comanda a divisão celular). Assim, essas células morrem.

Os quimioterápicos, entretanto, não são capazes de distinguir entre uma célula maligna e uma célula benigna: eles atacam todas as células que estejam em divisão, indistintamente. No nosso corpo, entretanto, temos vários tecidos que estão em constante crescimento. Estes tecidos de crescimento rápido são, principalmente:

  • o sangue, que renova seus glóbulos brancos a cada 12 horas aproximadamente, seus glóbulos vermelhos a cada 120 dias e suas plaquetas a cada 36 horas;
  • o cabelo, que está em constante crescimento;
  • a película (mucosa) que reveste a boca e o intestino, que é renovada a cada 2 dias, aproximadamente.

Por este mecanismo, é possível entender uma parte dos efeitos colaterais causados pelas drogas quimioterápicas. É importante lembrar, entretanto, que as células normais (não malignas), tem mecanismos muito potentes para reparar o dano causado pelos quimioterápicos. São substâncias que em poucos dias consertam os estragos causados pela quimioterapia, fazendo com que estes tecidos consigam sobreviver ao ataque das drogas. Já as células malignas não dispõem destes mecanismos, e o dano causado pelas drogas é definitivo e fatal.

Efeitos colaterais da quimioterapia

Por serem produtos químicos potentes, as drogas quimioterápicas têm uma série de efeitos colaterais. Estes, entretanto, variam de acordo com a droga utilizada. Os efeitos mais freqüentes dos quimioterápicos são:

  • náuseas e vômitos: hoje em dia, entretanto, existem várias drogas potentes para controlar as náuseas e estas são usadas rotineiramente durante o tratamento. As náuseas podem durar até alguns dias após o tratamento. Muitas drogas quimioterápicas não causam náusea.
  • queda de cabelo (alopécia): pode ou não ocorrer. Alguns quimioterápicos causam queda completa dos cabelos, enquanto outros não. Não há como evitar este efeito, mas é importante lembrar que é totalmente reversível, pois os cabelos começam a nascer 2 a 3 semanas após o término do tratamento. Em tratamento mais prolongados pode haver queda temporária de pelos do corpo, cílios e sobrancelhas.
  • queda da imunidade e infecções: as células do sangue, responsáveis pela defesa do nosso organismo, são muito sensíveis a vários (mas não a todos) tipos de quimioterapia. A queda dos glóbulos brancos (leucócitos) chama-se leucopenia e, quando é muito intensa, podem surgir infecções por falta de defesa do organismo.  Estas em geral se manifestam com febre, muitas vezes com calafrios, e devem ser comunicadas imediatamente ao médico. Pode ser necessário o uso de antibióticos por alguns dias, até que os leucócitos voltem a aparecer em número suficiente. Existem produtos que aceleram a produção de leucócitos, e estes são usados freqüentemente durante o tratamento.
  • baixa do número de plaquetas no sangue: as plaquetas são pequenos corpúsculos do sangue responsáveis pela coagulação e por estancar sangramentos. Certos tipos de quimioterápicos causam diminuição temporária no número de plaquetas, propiciando o sangramento. As plaquetas podem ser repostas com transfusões.
  • anemia: os glóbulos vermelhos também podem ser atingidos pela quimioterapia, e a baixa dos mesmos no sangue se traduz por anemia, um quadro em geral associado a cansaço e fraqueza. A anemia pode ser corrigida por alguns tipos de medicação ou por transfusão de sangue.

 

Tipos de quimioterapia

As drogas quimioterápicas podem ser usadas em 4 modalidades principais:

  • quimioterapia neo-adjuvante: quando é feita antes de um tratamento cirúrgico ou radioterápico. Nesta situação, usa-se a quimioterapia para diminuir o tumor primário e, assim, facilitar a cirurgia posterior. Com isto, muitas vezes um caso inoperável por suas grandes dimensões pode tornar-se operável, ou uma grande cirurgia mutiladora pode ser evitada. Utilizada freqüentemente em casos de câncer de mama, de pulmão e de bexiga.
  • quimioterapia adjuvante: feita após a cirurgia, quando o paciente está aparentemente sem doença, mas os médicos acreditam que existe alto risco de recidiva para aquele caso. Tumores que freqüentemente tratados com quimioterapia adjuvante: câncer de mama e de cólon, entre outros. Nestas doenças já ficou comprovado que a quimioterapia adjuvante atrasa o aparecimento de metástases e pode inclusive melhorar um pouco os índices de cura.
  • quimioterapia curativa: usada nos casos em que o tratamento quimioterápico se propõe a curar o paciente. Alguns casos de câncer são passíveis de cura com quimioterapia exclusiva: linfomas, leucemias, tumores da infância, câncer de testículo etc. Nestes casos, o tratamento é feito com doses intensivas, a fim de aumentar as chances de cura do paciente.
  • quimioterapia paliativa: feita em casos já com doença metastática naqueles casos de tumores que não são passíveis de cura definitiva. Nestes casos a quimioterapia tem a finalidade de diminuir ou eliminar os sintomas da doença, bem como de aumentar a sobrevida do paciente. Geralmente, usam-se doses menos agressivas no caso de quimioterapia paliativa.

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