Ração humana, parece comida de cachorro mas se emagrece e daí?

Emagrecer demanda uma única providência básica: ter disciplina para comer pouco e fazer exercícios. Mesmo assim, uma multidão acima do peso continua firme atrás do milagre de entrar em forma sem fazer nenhuma dessas coisas.

 Uma das mais requisitadas novidades hoje na prateleira dos métodos emagrecedores não ortodoxos é a “ração humana” – uma vertiginosa combinação de cereais que, apesar do nome pouco apetitoso, ou por isso mesmo, está sendo consumida em toda parte (em copo ou caneca, não numa tigelinha daquelas de comida de cachorro).

A fórmula da ração humana leva farinhas, gergelim, linhaça, soja, aveia e outros ingredientes que variam conforme a receita – cacau, açúcar mascavo, gelatina de algas e quinoa, entre outras extravagâncias. Mal não faz. Ao contrário, o coquetel de fibras regulariza as atividades intestinais e dá uma ligeira sensação de saciedade.

Sozinha, no entanto, não existe ração, humana ou desumana, capaz de manter mulher alguma no sonhado manequim 38. “É preciso combinar com alimentação balanceada e atividades físicas”, bate na mesma tecla a nutricionista Roseli Rossi, de São Paulo, que também aconselha muita hidratação “para que o intestino reaja bem ao consumo maior de fibras”.

A porção diária recomendada (e frequentemente extrapolada) é de duas colheres misturadas em suco ou leite, pela manhã.

A ração mais conhecida vem de Curitiba e é criação da terapeuta Lica Takagui e do nutricionista Daniel Boarim. “Dei esse nome porque a mistura tem tudo de que uma pessoa precisa, assim como a ração para animais”, explica Lica, que iniciou a produção em 2005, em casa mesmo, e agora é responsável pela marca Takinutri.

Empurrada pelo prestígio dos alimentos naturais, que dão um verniz saudável aos regimes para emagrecer, a ração ganhou outras marcas e, inclusive, pacotes sem marca – mercados e lojas de produtos naturais embalam sua própria mistura sob placas que proclamam: “Temos ração humana”. A Mundo Verde, rede de produtos naturais com 150 lojas em todo o país, informa que entre o fim do ano passado e o começo deste as vendas das três marcas de ração humana que oferece cresceram mais de 800%. Existe ração em versão light, sem glúten e salgada. Os preços variam entre 25 e 40 reais o pote de 500 gramas (suficiente para mais ou menos um mês), e de 10 a 20 reais as opções a granel.

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A diretora de recursos humanos Sandra Cristina Mellace, 45 anos, toma um copo de leite de soja com o preparado todas as manhãs e, às vezes, mistura mais um pouco a uma sopa no jantar. Perdeu 4 quilos em oito meses e está feliz da vida. “Tem mocinha de 30 anos me perguntando como faço para ter essa pele e essa boa forma”, diz Sandra. Ah, sim, ela também controla a alimentação e caminha seis dias por semana.


Fonte: Veja, Cristiane Sinatura, 17/03/2010

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