Ração humana, benefícios começam a ser questionados por endocrinologista

Você diria não a uma dieta que anuncia regularizar o intestino, melhorar a disposição, combater a flacidez, prevenir os sintomas da menopausa, aumentar a saciedade, inibir a absorção de gorduras, reduzir o colesterol, afastar o risco de doenças cardiovasculares e câncer e, ufa, emagrecer?

Pois são essas as expectativas de quem se interessou pela dieta da ração humana, um mix de cereais que leva fibra de trigo, aveia em flocos, gérmen de trigo, levedo de cerveja, linhaça marrom, gergelim com casca, guaraná em pó, cacau em pó, açúcar mascavo, leite de soja em pó e gelatina sem sabor em sua composição.

A capacidade de melhorar o ritmo intestinal deve-se ao seu teor em fibras, provenientes do trigo e da aveia. “Entretanto também pode-se melhorar o ritmo intestinal de uma forma mais adequada, aumentando as pequenas porções de fibras em cada refeição, ou simplesmente, comendo um cereal matinal”, afirma a endocrinologista Ellen Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.

A especialista reforça, ainda, que nem a ração, nem o cereal matinal poderão auxiliar o intestino se não houver maior ingestão de água. “Sem uma adequada hidratação do organismo, as fibras poderão, inclusive, agravar a constipação intestinal”, diz.

Já os alimentos que garantem a disposição prometida, o guaraná e o levedo de cerveja, não teriam sua eficácia dentro da fórmula comprovada, segundo Amanda Epifânio, nutricionista do Citen. Para ela, o desejo de acreditar que eles funcionam produziria um efeito placebo que daria a falsa impressão de maior disposição.

As profissionais do centro também vêem a promessa de acabar com a flacidez com reticência. “Infelizmente, o que sabemos até agora é que nada além da atividade física é capaz de combater a flacidez”, diz Ellen. “Gelatinas, cápsulas de colágenos e cremes são comercializados no mundo todo com essa alegação equivocada”, defende.

Ainda assim, uma série de profissionais apoia, sim, o poder emagrecedor da ração humana. Segundo o médico Luiz Eduardo Rossi Campedelli, do Hospital Israelita Albert Einstein, trata-se de um artifício saudável, contato que se atenha ao modo de usar. “Essa mistura de farelos deve ser utilizada como complemento alimentar, jamais em substituição às refeições, mesmo porque não possui todos os ingredientes que uma alimentação correta deve ter”, diz. “Isso sem contar que muitos de seus componentes são calóricos e, se a pessoa comer demais, pode engordar em vez de emagrecer”, afirma.

E como nem todos podem ingerí-la, consultar um especialista é essencial. “No caso dos diabéticos e hipertensos esse alimento não é indicado, já que o produto contém cacau, açúcar mascavo, glúten, entre outros ingredientes que devem ser evitados por quem possui tais doença”, diz Luiz Eduardo. De acordo com o profissional, somente seu médico pode autorizar ou não o consumo e indicar as quantidades ideais. Quem obter o sinal verde e quiser dividir aqui suas experiências com a ração humana que promete emagrecer para cachorro, conte aqui como se saiu.


Fonte: Abril, MOnique dos Anjos, 26/03/2010

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