Reconstrução da mama após o câncer de mama – mova técnica mas com falta de especialistas

O câncer de mama conta com dados sobre a quantidade de novos casos, internações e mortes mas não há estatísticas, entretanto, sobre as mulheres que, após serem submetidas às cirurgias de retirada da mama (mastectomia), não conseguem fazer a reconstrução imediata do seio.

Relembrar as seqüelas da doença toda vez que encaram o espelho ou cogitam uma relação sexual pode trazer impacto na autoestima destas pacientes e afetar recuperação do câncer, afirmam os especialistas.

A boa notícia é que técnicas mais seguras foram desenvolvidas para garantir a reconstrução imediata. A falta de mão de obra, porém, ainda fomenta a demora.

“As mulheres que fazem a reconstrução ficam mais confiantes no tratamento, colaboram mais, são mais pró-ativas e menos depressivas”, avalia o cirurgião plástico do Hospital A.C Camargo, Alexandre Katalinic. Ele levantou os aspectos psicológicos de 45 mulheres reconstruídas, entre 15 e 68 anos.

Os dados sobre quantas têm acesso à reconstrução da mama pós-câncer só aparecem em pesquisas pontuais, como trabalhos da Universidade Estadual de Campinas e Fundação Oswaldo Cruz, e contabilizam uma minoria que sai da mesa de cirurgia já reconstruída (percentual que varia 7 e 14%).

O direito a reconstrução da mama após o câncer de mama é um direito garantido por lei as mulheres

Para as quase 80% que convivem com a mutilação por períodos que podem variar de cinco anos até a vida inteira. Os médicos dos principais serviços de câncer de mama do País pontuam que os entraves não são por falta de tecnologia, já que a reconstrução mamária é uma das técnicas que mais evolui desde a década de 70.

“Muitas vezes para o SUS (Sistema Único de Saúde) existe uma fila tão grande de pacientes de câncer de mama que a prioridade não é reconstruir”, afirmou o presidente da Sociedade Paulista de Cirurgia Plástica, Carlos Alberto Komatso, que coordena um projeto nacional para fazer mutirões deste tipo de cirurgia.

“Na conta dos gestores infelizmente eles só mensuram que no tempo de uma cirurgia para o câncer de mama com reconstrução imediata, é possível a retirada de três cânceres sem reconstrução.”

A reconstrução imediata ainda não virou prioridade porque os responsáveis não conseguem contabilizar que a mulher que segue mutilada, sofre mais de depressão, acaba produzindo menos no mercado de trabalho e todas estas informações ficam fora da planilha de custos e economias.

Existem hoje silicones anatômicos que, diferentemente dos usados em próteses puramente estéticas, são desenvolvidos para fazer com que a mulher entre e saia do centro cirúrgico do mesmo jeito”, diz ao citar que essa meta inclui reconstruir mamas um pouco mais caídas, menores e em formato de gota.

A partir dos anos 90, começou a ser disseminada a possibilidade da reconstrução imediata e surgiu a especialidade “oncoplástica”. Naqueles tempos, no entanto, ainda predominava a idéia de que a reconstrução deveria esperar no mínimo cinco anos para ser feita. Nos últimos cinco anos, diz ele, os procedimentos evoluíram ainda mais, os riscos foram reduzidos a menos de 10% dos casos, mas ainda prevalece o conceito de que as mamas podem exibir as marcas do câncer.

O principal motivo para a reconstrução ser tardia e, em alguns casos, nunca acontecer é a falta de médicos habilitados para isso. As técnicas necessárias são mais complexas do que as da cirurgia plástica comum e os centros especializados são concentrados no Sul e Sudeste do País.

Direito a reconstrução da mama após o câncer de mama

Desde 1999 a reconstrução da mama após o câncer é um direito garantido à mulher por uma lei federal. No entanto, não há previsão no texto de quando o procedimento deve ser feito – imediatamente, após cinco ou vinte anos. Os médicos explicam que nem sempre é possível fazê-lo de forma imediata, principalmente quando a paciente é diabética, tem pressão alta ou alguma outra doença associada. Os especialistas dizem, entretanto, que em caso de quadros clínicos estabilizados não há nenhum impedimento.


Fonte: delas.ig.com.br, Fernanda Aranda, 27/08/2010, adaptado 

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