Recuperação de drogados: as “setes regras básicas”

O vício em drogas em é uma doença séria e difícil de ser combatida. Inúmeras pesquisas foram feitas sobre a melhor forma de tratamento para recuperar drogados e a que vem obtendo mais sucesso nas clínicas de recuperação de drogados leva em conta sete regras básicas propostas por Arnold Washton em 1989.

Seguir essas regras não garante sucesso na recuperação do drogado mas, em contrapartida, não seguí-las é certeza do fracasso.

Originalmente essas regras foram formuladas para recuperar o drogado viciado em cocaína mas com o passar do tempo as clínicas de recuperação de drogados foram percebendo que elas podem ser aplicadas em todos os casos de recuperação de dependentes químicos.

Confira as baixas as sete regras básicas:

O momento de parar com o consumo de droga é agora – regra 1

Uma das táticas mais usadas pelos dependentes e abusadores de álcool e/ou drogas para evitar ingressar em tratamento é deixar para mais tarde ou para depois”,  um adiamento indefinido que colabora para o aumento das conseqüências derivadas do consumo. A frase “Eu vou parar amanhã” significa exclusivamente que o indivíduo não tem nenhuma intenção atual de interromper o consumo.

Deve-se parar o consumo de droga de uma vez – regra 2

Reduzir o consumo de drogas e álcool é uma tarefa ingrata e infrutífera. Cada episódio de consumo de coca aumenta o desejo por mais cocaína e assim o processo de recuperação acaba sempre adiado.

Usuário de cocaína com o palato perfurado devido ao uso frequenteParar todas as drogas, incluindo álcool e maconha e não apenas aquela a que se consome em abuso – regra 3

É a regra mais difícil para o dependente de cocaína aceitar. O indivíduo tende a focalizar todas as suas dificuldades na cocaína, por exemplo, desprezando a participação das outras substâncias no seu padrão de consumo. O consumo de álcool ou de maconha freqüentemente representa o primeiro passo para uma recaída no consumo da própria cocaína. Além desse fato, o consumo de qualquer substância evoca as memórias do consumo da droga principal consumida, desencadeando “fissuras” intensas. Ao consumir outra droga, o indivíduo terá menor capacidade de resistir a tais “fissuras”, recorrendo ao consumo.

Mudar o estilo de vida – não ter mais uma vida “de drogado” – regra 4

Os dependentes de drogas não podem manter os relacionamentos com antigos companheiros de consumo, não podem ir aos bares e outros ambientes onde costumavam encontrar esses colegas, pois o consumo de substâncias psicoativas (drogas e/ou álcool) é a atividade central dessas atividades. O indivíduo, nessas ocasiões, volta a sentir desejo intenso, como uma necessidade de consumir, não conseguindo resistir à droga. Esta é a principal razão de recaídas, pelo menos nos pacientes em tratamento.

Evitar situações, pessoas e ambiente que causem vontade de consumir drogas, as fissuras – regra 5

É importante antecipar estas situações em tratamento antes de se encontrar nas situações acima descritas, para que o paciente possa lidar adequadamente e evite o uso. Os dependentes em tratamento nunca devem testar-se, para saber “como estão indo no tratamento”.

Este fenômeno é muito visto entre os pacientes, que acreditam que “passando no teste” estarão provando que voltaram a conquistar o controle sobre a droga e que “jamais irão consumir novamente”. Infelizmente nada poderia ser mais falso que isto. Mesmo passando no “teste” o paciente estará mais próximo de uma recaída, por ter se aproximado ao ambiente de consumo e, provavelmente, por excesso de autoconfiança.

Procurar outras recompensas (fontes de prazer) ao invés das drogas – regra 6

Durante a trajetória da dependência os indivíduos costumam afastar-se de praticamente todas as formas de lazer que não se encontram associadas diretamente ao consumo.Freqüentemente abandonam hobbies, afastam-se de pessoas que não usam, param de exercitar-se; com a evolução da dependência mesmo o interesse no sexo reduz muito, e a vida torna-se escassa de prazeres não quimicamente induzidos. O aprendizado de como voltar a estar em sintonia com o mundo “careta” é uma das tarefas mais difíceis da recuperação. Alguns indivíduos chegam a relatar que “desaprenderam a falar” sem o efeito das drogas.

Cuidados pessoais: aparência, alimentação, exercício etc, podem diminuir a vontade de consumir drogas – regra 7

A cocaína, por exemplo, é um potente inibidor do apetite, de forma que usuários crônicos tendem a apresentar deficiências de diversos nutrientes e vitaminas. Alguns indivíduos dependentes de álcool e/ou drogas ingressam no tratamento realmente depauperados fisicamente.Da mesma forma, o condicionamento físico do paciente costuma ser negligenciado, indicando a inclusão de exercícios físicos na recuperação do paciente. O exercício pode, ainda, auxiliar a controlar ansiedade do indivíduo, facilitando a manutenção da abstinência, e produz sensação de bem-estar pela liberação de substâncias (endorfinas), que podem resultar em redução do desejo pelo consumo.

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