Reumatismo, 120 doenças com o mesmo nome

De repente, surge uma dor intensa. Dor no corpo todo. Os dias passam e o sintoma persiste. A rotina é interrompida e a pessoa lançada em uma peregrinação por consultórios médicos. O diagnóstico, que pode até mudar de nome durante o tratamento (de acordo com outros sintomas), ganha, na linguagem popular, o nome de reumatismo.

Os médicos explicam que o termo não existe verdadeiramente, uma vez que a reumatologia responde por 120 formas de doenças reumáticas, segundo os órgãos internacionais de saúde. Em comum, estão os relatos de vidas transformadas pela, agora, difícil missão de conviver com o próprio corpo. Mas, se ainda não há como reverter, medicamentos ajudam a estabilizar a doença e a controlar a dor.

No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, 15 milhões de pessoas têm algum tipo de doença reumática. Um quadro que pode gerar, além do sofrimento pessoal, reflexos na vida socioeconômica do País, uma vez que essas doenças estão entre as principais causas de incapacidade física e de afastamento temporário ou definitivo do trabalho.

“Quem tem alguma doença reumática pode apresentar dor e calor nas articulações, edema (inchaço), rigidez matinal (dificuldade para movimentar as articulações ao acordar), fraqueza muscular e, conforme a patologia, lesões de pele, dor de cabeça, queda de cabelo, fadiga, emagrecimento e febre”, diz o médico João Francisco Marques Neto, professor titular do Departamento de Reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universdade Estadual de Campinas (Unicamp).

O especialista explica que reumatismo é o termo usado para designar um grupo de doenças que afeta articulações, músculos e esqueleto, caracterizado por dores e restrições dos movimentos. “Compreende artrites, mialgias, neurites, gota e processos similiares.” O médico ainda cita osteoartrose, artrite reumatoide, osteoporose, gota, lúpus, febre reumática, fibromialgia, tendinite e bursite como as patologias mais conhecidas da reumatologia.

Reumatismo, uma doença difícil de diagnosticar

Apesar de afetar quase 10% da população mundial — índice que sobe para 30% quando se fala em osteoartrite em idosos com mais de 65 anos —, a reumatologia costuma ser definida no meio acadêmico como o ramo da medicina preferido de Sherlock Holmes, o detetive famoso da literatura.

A comparação refere-se ao processo investigativo até concluir o diagnóstico. “Por esse motivo, o paciente pode receber, ao longo do tratamento, vários diagnósticos. Porém, é importante dizer que o tratamento costuma ser comum em estágios iniciais”, explica o médico Ibsen Coimbra, também da Unicamp.

Coimbra compara a reumatologia a um tripé que envolve médicos, uma mudança de rotina — muitas vezes há a necessidade de exercícios aeróbicos, perda de peso e fortalecimento muscular — e os remédios, que reduzem consideravelmente os níveis de dor, como analgésicos, anti-inflamatórios e corticosteroides. “Hoje, houve uma evolução nos medicamentos, que já conseguem estabilizar a doença, porém ainda não são reversivos. Esse é o desafio.”

As doenças reumáticas não são contagiosas e podem ser causadas ou agravadas por fatores genéticos, traumatismos, trabalho intenso, obesidade, sedentarismo, estresse, ansiedade, depressão e alterações climáticas. “Essas doenças devem ser tratadas para que o paciente possa ter uma melhor qualidade de vida, sem dores e sem o agravamento das lesões”, diz Marques Neto.

Conheças as seis doenças mais comuns chamadas de reumatismo:

  • Reumatismo de partes moles;
  • Artrite idiopática juvenil;
  • Gota;
  • Doença articular degenerativa;
  • Lúpus eritematoso sistêmico
  • Doença reumatoide ou artrite reumatoide

 

Fonte: gazetaderibeirao.com.br, Adriana Giachini, 27/06/2010

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*