Tuberculose, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção

Tuberculose é uma doença infecciosa de evolução lenta, causada pelo bacilo Mycobac-terium tuberculosis. Ao longo do tempo a enfermidade, que afeta os pulmões, mas pode espalhar-se para outras regiões do organismo, provoca uma debilitação orgânica importante. Se não tratada adequadamente e a tempo, ela pode até levar à morte do doente.

Trata-se de uma das mais antigas e mais disseminadas doenças. Estima-se em cerca de 30 milhões o número de casos notificados anualmente em todo o mundo. A partir de meados da década de 80, verificou-se um recrudescimento do mal em diversos países, entre os quais o Brasil. Entre outras causas do aumento do número de casos está a proliferação da Aids.

O M. tuberculosis é transmitido quando uma pessoa sã – mas suscetível a ele – entra em contato com outra que é portadora da doença; trata-se, portanto, de doença infectocontagiosa

Sintomas da Tuberculose

A tuberculose evolui em uma sucessão de estágios:

Infecção primária – geralmente, a infecção inicial é assintomática. Não há manifestações que evidenciem a presença da enfermidade.

Infecção latente – muitos doentes permanecem assintomáticos após a infecção primária. Durante essa fase, a doença se consolida, mas ainda não produz manifestações externas.

Reativação tuberculosa – nessa fase, o doente apresenta tosse e expectoração com sangue, febre, sintomas de cansaço, fadiga, sudorese noturna (suor intenso) e emagrecimento com perda acentuada de peso (geralmente, mais de 10% do total do peso do corpo).

Tuberculose pulmonar – como conseqüência da reativação da tuberculose latente, surge na maioria dos casos a tuberculose pulmonar. A tuberculose pulmonar caracteriza-se por um quadro de sintomas que inclui tosse freqüente e produtiva (ou seja, com expectoração), dor no peito, escarro sanguinolento, emagrecimento, febre (mais freqüente ao entardecer) e sudorese noturna.

Tuberculose extrapulmonar – nesse estágio, a doença se alastrou para além dos pulmões. Sua forma mais comum, então, é a tuberculose pleural, ou seja, a enfermidade se instala na membrana que envolve os pulmões. Mas ela pode se localizar em várias outras regiões causando, por exemplo: meningite tuberculosa, pericardite (inflamação na bolsa que reveste o coração), peritonite (inflamação na membrana que reveste as cavidades abdominal e pélvica), adenite tuberculosa (infecção crônica tuberculosa em nódulos linfáticos), osteomielite tuberculosa (tuberculose em ossos), tuberculose genitourinária, tuberculose ocular, tuberculose gastrintestinal, tuberculose cutânea e tuberculose miliar (tuberculose que se dissemina pelo sistema linfohematogênico – sistema constituído de artérias, veias, gânglios linfáticos).

Diagnóstico da tuberculose

Além do exame clínico e da história do paciente, o médico conta com análises laboratoriais, entre as quais a pesquisa do agente infeccioso por meio de exames de escarro e de diversos outros fluidos e produtos do organismo: sangue, urina, fezes, liquor (substância líquida contida nas membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, nutrindo-os e protegendo-os contra choques. O mesmo que líquido cefalorraquiano ou fluido cérebro-espinhal, suco gástrico, líquido sinovial (fluido que funciona como uma espécie de lubrificante das articulações do corpo), e a biópsia de tecidos, gânglios e medula óssea.

Como método indireto, principalmente diante da suspeita de tuberculose pulmonar, o exame radiológico do tórax é de grande valia. Em casos positivos, ele revela a presença de lesões pulmonares destrutivas conhecidas como “cavernas”.

Outro método indireto é o teste do PPD (Purified Protein Derivate), muito conhecido pelo nome de reação de Mantoux. Consiste em injeção intradérmica de cultura de extratos do M. tuberculosis, para avaliação de hipersensibilidade tardia a esse bacilo. Após a aplicação, o local é examinado a intervalos de 24, 48 e 72 horas, para a observação do eventual surgimento de sinais de endurecimento e eritema (vermelhidão na pele). A reação positiva indica que a pessoa teve exposição anterior à bactéria, com uma adequada resposta imunológica intermediada por células.

O teste de Mantoux é particularmente indicado para estes casos:

  • pessoas com sinais clínicos e sintomas de tuberculose ativa, seja pulmonar ou extra-pulmonar;
  • indivíduos com raios-X de tórax que apresente imagem sugestiva de tuberculose;
  • pessoas que recentemente estiveram expostas a casos de tuberculose ativa, incluindo situações de contato domiciliar e trabalhadores de áreas de saúde com exposição significativa;
  • pessoas com história de tuberculose não tratada;
  • doentes prestes a iniciar tratamentos prolongados com drogas imunossupressoras, principalmente se foram expostas no passado ao M. tuberculosis (doentes que receberão órgãos em transplante);
  • pacientes com aumento de risco de desenvolvimento de tuberculose em decorrência de doenças de base;
  • pessoas com risco de exposição à bactéria, principalmente médicos, dentistas, enfermeiras e fisioterapeutas;
  • imigrantes de áreas endêmicas de tuberculose.

 

Tratamento da tuberculose

A tuberculose é tratada com uma associação de antibióticos, para evitar o surgimento de bacilos resistentes durante o tratamento. Trata-se de uma combinação de medicamentos conhecida como esquema tríplice, porque envolve três antimicrobianos básicos (isoniazida, rifampicina e pirazinamida), administrados por dois meses consecutivos. Depois disso, o médico determina uma redução gradativa ao longo do tratamento total, estimado em seis meses, podendo chegar a doze meses.

Devido ao aparecimento relativamente recente de bacilos resistentes ao esquema tríplice clássico, outros medicamentos podem ser associadas, entre as quais etambutol, sulfato de estreptomicina, etionamida, ciloserina, capreomicina, amicacina e ofloxacina.

Prevenção da tuberculose

Além do óbvio cuidado no sentido de se evitar o contato, sem proteção adequada, com pessoas portadoras da doença, há basicamente duas medidas de prevenção:

1- Vacinação: é feita pelo BCG (bacilo de Calmette e Guerin), uma variante do bacilo da tuberculose bovina. Sua eficácia é controvertida: verificaram-se casos de 100% de proteção em determinados grupos estudados, mas também há registros de outros grupos em que essa porcentagem não passou de 50%. De todo modo, sabe-se que ela protege adequadamente contra as formas graves da tuberculose na infância.

A vacinação com a BCG, no Brasil, é recomendada para os recém-nascidos, sempre que possível, na maternidade. Outra recomendação é a revacinação para todas as crianças em idade escolar, a partir dos 6 anos de idade, independentemente de terem ou não cicatriz de vacina anterior.
Para alguns casos, a BCG é contra-indicada:

  • crianças com doença imunossupressiva;
  • recém-nascidos prematuros ou com peso inferior a 2 quilos;
  • pessoas com afecções dermatológicas intensas, ou que apresentem afecções desse tipo no local da aplicação;
  • doentes com enfermidades graves que exijam internação.

2- Busca ativa de casos: trata-se de investigar as pessoas que fazem contatos próximos com os portadores identificados de tuberculose, para descobrir se foram infectadas. Quanto mais precocemente forem descobertos os casos e iniciada a medicação específica, tanto mais drasticamente se reduz a transmissão em cadeia da enfermidade. O teste de Mantoux é uma importante ferramenta para o rastreamento dos infectados e dos doentes, bem como o exame de abreugrafia (radiografia do tórax, introduzida pelo radiologista brasileiro Manoel de Abreu (1894-1962) para a profilaxia em massa da tuberculose pulmonar. Consiste em tirar radiografia de 70 mm, em série, por meio de máquina fotográfica adaptada ao aparelho de raios X).

Republished by Blog Post Promoter