Uso de celular mão está ligado ao câncer de cérebro

O uso de aparelhos celulares não está ligado ao aumento de incidência de tumores malignos no cérebro. Esta é a conclusão do maior estudo já realizado sobre telefones móveis e câncer cerebral divulgado no dia 20/05/2010 no International Journal of Epidemiology.

O Interphone foi realizado em 13 países e coordenado pela Agência Internacional para Pesquisas sobre o Câncer (IARC). Ele analisou 2.708 casos de glioma (que ocorre no tecido cerebral) e 2.409 de meningioma (que ocorre na membrana que recobre o órgão)durante um período de 10 anos.

Entre outros, o estudo teve financiamento da Associação Internacional dos Fabricantes de Equipamentos de Telecomunicações (MMF), a associação GSM, a Comissão Européia.

A conclusão dos pesquisadores foi a de que, "em geral, nenhum aumento no risco de gliomas ou meningiomas foi observado com o uso de telefones móveis". Houve, no entanto, sugestões sobre um aumento do risco de glioma nos níveis mais altos de exposição – mas a existência de erros e problemas de resposta por parte dos pacientes pode impedir uma interpretação causal.

Celular não está ligado ao risco de câncer cerebral "Isso porque os casos de câncer que poderiam ser relacionados ao uso de celulares eram muito poucos – e havia ainda uma distorção de memória", diz Aderbal Bonturi Pereira, diretor do MMF para a América Latina. Ele explica que esse tipo de pesquisa é muito delicada pois, uma vez que não é possível realizar testes de resistência em humanos, ela usa como fonte a resposta dos pacientes. "Por exemplo, imagina perguntar para alguém que tem câncer na cabeça se usa celular e de qual lado sempre usou? É uma pergunta que leva a uma resposta tendenciosa", diz.

Os resultados do projeto INTERPHONE agora necessitam ser analisados por autoridades independentes da área de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros grupos de especialistas para avaliar a sua significância, se houver, para a saúde das pessoas.

No entanto, Pereira lembra que em estudos anteriores a própria OMS já chegou á conclusão de que o uso de celulares não representa nenhum risco – desde que observados os limites. "Para estabelecer esse limite foi levado em consideração uma margem de segurança de 50 vezes. O limite não pode exceder 2 watts por quilograma, para celulares", diz.

"As pessoas podem ficar tranquilas porque existem normas seguidas e uma base científica muito ampla – que inclusive alguns produtos nem tem. Já existem mais pesquisas feitas com celulares do que com detergentes, por exemplo. Só que, quando o se trata de radiofreqüência, a opinião pública é grande".


Fonte: portalexame.abril.com.br, Paula Rothman, 17/05/2010

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