A individualização do remédio para o doente

O remédio homeopático, ao ser escolhido e consideradas as suas indicações, baseadas em um ou em vários sintomas mórbidos apresentados ou constatados, deve ser especificamente adaptado ao indivíduo doente e não à doença em si.

Logo, ele não entra na categoria dos medicamentos “que servem para tudo”. Na verdade, esses sintomas apresentados ou constatados pelo exame clinico e pela observação pertencem exclusivamente ao paciente, qualquer que seja o mal que o atinja. Eles têm suas características, cujas modalidades não devem escapar ao médico.

Uma observação atenta do paciente e de seu comportamento na ocasião de uma crise é, pois, indispensável para a prescrição do remédio preparado segundo a técnica hahnemanniana: ela permite determinar o que se pode chamar de individualização, ou seja, a razão desta ou daquela aplicação medicamentosa num determinado indivíduo, levando-se em conta as características clínicas constatadas, as quais devem encontrar sua similitude nas características farmacodinâmicas próprias do remédio.

“Não existem doenças”, já dizia Trousseau, “há somente doentes”. O paciente reage à agressão da doença conforme seu temperamento e sua constituição, dois fatores biológicos a que convém considerar para o conhecimento total do indivíduo. E esse conhecimento é justamente o interesse da homeopatia.

Para citar apenas um exemplo, tomemos o caso de dois indivíduos com reumatismo crônico. O interrogatório feito pelo médico homeopata e a observação clínica dos sintomas próprios de cada um deles levarão a constatar, excetuando-se, evidentemente outros sintomas concomitantes, que se em um deles as dores articulares se agravam com o movimento, no outro, ao contrário, o exercício físico dissipa a sensação de rigidez e de dores dos membros atingidos, consequência de um repouso prolongado demais.

Foto mostrandpo glóbulos de homeopatia
Na homeopatia, a mesma doença pode ser tratada com remédios diferentes conforme se manifeste em um apessoa específica

Eis, aí, dois aspectos sintomáticos diferentes para uma mesma realidade clínica, o reumatismo. Em consequência, essas manifestações da doença implicarão na prescrição de dois remédios diferentes, que serão escolhidos conforme suas características próprias, as quais recebem o nome de modalidades em medicina homeopática.

  • No primeiro caso, indica-se uma diluição atenuada de Briônia branca (Bryonia a1ba, na matéria médica horneopauca). A raiz desta trepadeira de flores esverdeadas, comum nas sebes, da qual se extrai o princípio ativo, pode exercer, entre outras e em doses ponderáveis uma ação inflamatória sobre as membranas sinoviais, provocando artificialmente todos os sintomas do reumatismo articular, obrigando o indivíduo por ele atingido a permanecer imóvel, pois qualquer movimento logo gera dor local.
  • No segundo caso, a preferência será dada a uma atenuação de Sumagre venenoso (Rhus toxicodendrom), arbusto da família das Terebintaceas. Os efeitos tóxicos experimentais obtidos pela ingestão de doses elevadas desse vegetal provaram que a ação farmacodinâmica interessa não às membranas sinoviais, como no caso precedente, mas aos tecidos fibrosos, ou seja, os ligamentos e os tendões articulares. Produz-se, então, uma rigidez que será dissipada pelo movimento. Esse remédio em sua forma atenuada será reservado ao reumático que se queixa de estar “enferrujado” pela manhã ao levantar, e que se sentirá melhor após praticar um pouco de exercício.

Compreende-se, pois, a razão pela qual o médico homeopata interroga tão cuidadosamente seu paciente procurando reunir o maior número possível de sinais patológicos próprios do indivíduo e que serão sancionados pela escolha do remédio semelhante.

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